Mudanças climáticas ameaçam o modo de vida dos EUA, diz a EPA, por Henrique Cortez

A Agência de Proteção Ambiental (EPA), aparentemente sob pressão por minimizar os efeitos das mudanças climáticas e nos últimos momentos do governo Bush, reconheceu, nesta quinta-feira, que o aquecimento é um risco real à saúde humana e ao modo de vida americano. Por Henrique Cortez, do Ecodebate, com Agências.

Os riscos incluem aumento de mortes por desidratação nas ondas de calor, aumento de problemas cardíacos e incremento nas doenças respiratórias devido ao aumento de ozônio, além dos problemas de saúde decorrentes de furacões, tornados, chuvas torrenciais e grandes incêndios florestais, conforme consta de novo relatório da agência.

“As mudanças climáticas aumentam os riscos reais à saúde humana e aos sistemas que suportam nosso modo de vida nos Estados Unidos“, disse Joel Scheraga, da agência, em declaração ao telefone para a Agência Reuters.

O relatório não especifica o número de mortes nos Estados Unidos devido às mudanças climáticas, porque esse número pode ser mudado de acordo com as ações tomadas, disse Scheraga .

“Nós não estamos dizendo neste relatório que mais pessoas morrerão no futuro devido à mudança de clima“ disse. “O que nós estamos dizendo é que há um risco maior de mortes devido às ondas de calor no futuro.”

“Nós temos uma oportunidade de antecipar estes riscos e a nos preparar para o futuro, a fim abrandar estes riscos. “

As injustiças encontradas no sistema sanitário dos EUA serão, provavelmente, agravadas pelo aquecimento global: “Muitos dos possíveis efeitos sanitários cairão, desproporcionalmente, nos pobres, pessoas idosas, deficientes e os não segurados. “

O aquecimento global também afetará as fontes de água através do país, reduzido o volume de água nos rios, rebaixando os níveis de água subterrânea e maior salinização nos leitos e na água subterrânea litorânea, diz o relatório.

As pessoas que vivem ao longo das costas enfrentarão as conseqüências do aumento do nível do mar e maiores eventos climáticos severos, tais como tempestades e furacões.

Entretanto, a agência indicou que nenhuma ação é provável, antes que a administração de Bush deixe a Casa Branca, em janeiro de 2009.

Stephen Johnson, executivo chefe da agência ambiental, foi chamado para se defender, em 30 de julho, em audiência do Comitê Judicial do Senado, sobre a alegada interferência branca da Casa Branca, sobre a agência. Pesquisadores têm se queixado repetidamente da censura branca sobre a ciência ambiental.

[EcoDebate, 19/07/2008]

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