100 meses para frear o aquecimento global, por Henrique Cortez


Estudo da New Economics Foundation (NEF) estima que em 100 meses, a contar de 1°/08, mantido o atual padrão de emissões, atingiremos um ponto sem retorno, a partir do qual será inevitável um aquecimento médio de 2°C.

Segundo especialistas e pesquisadores do IPCC, os níveis de gases com efeito de estufa na atmosfera, que estão em cerca de 377 partes por milhão, teriam de ser estabilizados em 400 ppm para evitar um aumento superior a 2°C. O estudo da NEF estima que em 100 meses com o atual crescimento das emissões, ultrapassaremos o limite crítico de 400ppm.

De acordo com o relatório preparado por Nicholas Stern, em 2006, para o governo britânico, um aumento 2°C poderá liberar uma grande quantidade de carbono armazenado nos solos árticos permanentemente congelados (permafrost), além de desertificar 15% das terras férteis, eliminar 40% das espécies ameaçadas de extinção e ameaçar até 4 bilhões de pessoas com escassez de água e alimentos.

A New Economics Foundation propõe um urgente Pacto Verde (Green New Deal), inspirado no programa de 100 dias, proposto F.D. Roosevelt, quando presidente dos EUA, para implementar seu programa New Deal, em resposta à recessão dos anos 30.

Hoje sabemos que o aquecimento global é um fato e que as emissões de gases estufa estão em uma espiral crescente, o que exige ações rápidas e efetivas para que, ao final deste século, não estejamos diante de uma imensa catástrofe social e ambiental.

A proposta, apresentada pela NEF, é mais uma tentativa de evitar a catástrofe e, como muitas outras, também será solenemente ignorada.

Pessoalmente estou convencido que não sairemos desta antes de uma gigantesca catástrofe ambiental. Além de discursos e bravatas nenhum país, do primeiro,segundo,terceiro ou quinto mundo, está minimamente disposto a fazer algo de concreto. No futuro, quem sabe talvez…

Acompanho e recebo muitos estudos de institutos de pesquisa e universidades internacionais, que tenho publicado na medida do possível. As mais recentes pesquisas, estudos e previsões me fazem acreditar que até 2050 bateremos no “iceberg” socioambiental do aquecimento global. E, como no Titanic, só há salva-vidas para os passageiros da primeira classe.

Há quem nos chame de Cassandra‘s. Quem acha que este “adjetivo” nos desqualifica, certamente, não leu a Ilíada e não sabe que as profecias de Cassandra se realizaram…

É muito fácil falar do aquecimento aquecimento global, discutir as mudanças climáticas ou reclamar da inação dos governos mundiais. Mais fácil ainda é fazer tudo isto e não agir.

Um exemplo desta inércia global pode ser encontrado nas incontáveis listas de discussão e grupos do Yahoo e Google, bem como no Orkut. Centenas de grupos e comunidades, com dezenas de milhares de membros, estão discutindo o aquecimento global e, de fato, nada fazendo, limitando-se a uma “tagarelice” estéril.

Bem, de uma forma ou de outra, arcaremos com todas as conseqüências da nossa alienação ou na nossa inércia. Precisamos compreender que, se as piores previsões se concretizarem, seremos amaldiçoados pelas gerações que virão e herdarão um planetinha miserável e sujo.

A contagem regressiva para os 100 meses pode ser acessado em onehundredmonths.org e o Green New Deal pode ser encontrado em neweconomics.org.

Também sugiro que leiam o nosso editorial “A batalha contra o aquecimento global já está perdida?

A decisão está nas nossas mãos. A responsabilidade também. Sem discurso e sem desculpas.

Henrique Cortez, henriquecortez@ecodebate.com.br
coordenador do portal Ecodebate

[EcoDebate, 04/08/2008]

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