Morte de abelhas no Reino Unido ameaça a polinização de frutas e vegetais


No Reino Unido, um terço das abelhas não sobreviveu ao inverno passado. As abelhas britânicas, de acordo com um levantamento dos apicultores do país, sofreram perdas catastróficas neste ano, contribuindo para a escassez de mel e colocando em risco a polinização das frutas e legumes. Por Henrique Cortez, do EcoDebate.

Pesquisa da associação de apicultores britânicos (British Beekeepers’ Association, BBKA) revelou que uma em cada três das 240 mil colmeias de abelhas não sobreviveram ao último inverno. Os prejuízos são mais elevados do que a mortalidade de uma em cada cinco colônias relatada, no início deste ano, pelo governo, depois que 10% das colmeias tinham sido inspecionadas.

O presidente da BBKA, Tim Lovett, disse que ele estava muito preocupado com as conclusões: “A média de mortalidade de abelhas no inverno, devido as más condições climáticas e doenças , varia entre 5% e 10%, pelo que, uma perda de 30% é profundamente preocupante, com perdas para os serviços de polinização e produção de mel. ”

A National Bee Unit atribuiu a elevada mortalidade de abelhas ao excesso de chuvas no verão e no início da primavera de 2007, reduzindo a produção de néctar e facilitando a disseminação de agentes patogênicos.

Mas a BBKA diz que as causas não são claras. A sua sondagem inicial de 600 membros, revelou uma acentuada diferença de mortalidade Norte-Sul, com 37% perdas no norte do país, em comparação com 26% no sul. “Não sabemos por que razão há uma diferença e o que está por trás da alta mortalidade,” disse Lovett.

O governo reconhece que as colméias do Reino Unido – principalmente de 44 mil apicultores amadores – contribuem com cerca de R$ 498 milhões ao ano para a economia, com a polinização de muitas frutas e legumes. “30% menos colônias de abelhas, por conseqüência, pode significar uma perda de 1/3 deste valor, R$ 149 milhões, colocando em risco a proposta governamental de garantir à população cinco porções de frutas e legumes frescos ao dia”, advertiu Lovett.

A associação dos produtores de mel afirma que há escassez de abelhas para mel porque os agricultores contratam mais abelhas para os campos de trigo, com produção valorizada pela crise alimentar. Estas abelhas polinizam, mas não produzem néctar e, portanto, não produzem mel.

As empresas britânicas de mel estão preocupadas com a crise e se comprometeram a financiar a investigação sobre a mortalidade das abelhas. A partir do próximo mês, setembro/2008, para cada jarro de mel vendido nos supermercados britânicos, 10% do valor, será doado a um fundo dedicado à melhoria da saúde das abelhas do país.

O mel britânico é produzido, sobretudo, a partir da planta borage (Borago officinalis), também conhecida como starflower, que tem sido cada vez mais utilizada como uma fonte rica em omega-6 para produtos farmacêuticos. Mas os agricultores plantaram muito menos borage este ano, como consequencia da importação do óleo e por ser mais rentável o aumento da área plantada de trigo, para a produção de biocombustíveis.

O mel britânico representa apenas 10% das 30 mil toneladas de mel consumido no Reino Unido, mas o abastecimento também foi comprometido porque outros países, grandes produtores de mel, também foram gravemente atingidos pelas más condições climáticas e por doenças das abelhas. A Argentina é o maior produtor mundial de mel, produzindo mais de 75 mil toneladas por ano – três vezes mais que o seu concorrente mais próximo, o México. Mas Argentina sofreu uma queda de 27% na produtividade, devido à seca e à plantação de grandes porções de terra com soja. Como resultado, da redução internacional da oferta, houve um aumento de 60% do preço do mel.

Nos EUA a produtividade foi drasticamente reduzida em 36%, devido à “desordem de colapso das colônias (CCD), viroses, desnutrição, pesticidas e falta de diversidade genética . A CCD se espalhou para o Canadá, França, Alemanha e Itália, mas ainda não foi confirmada pelo governo na Grã-Bretanha.

A BBKA está solicitando ao governo uma verba de de R$ 24 milhões, em em cinco anos, para pesquisar a mortalidade das abelhas e para melhoria da saúde nas colônias.

O ministro da agricultura, Lord Rooker, já havia previsto o fim das abelhas dentro de uma década. Em novembro passado, ele disse ao Parlamento: “Não negamos que a saúde das abelhas está em risco. Francamente, se nada for feito sobre isso, a população abelhas poderia ser aniquilada em 10 anos.”

No entanto, o Ministério do Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais (DEFRA) gasta apenas R$ 4 milhões ao ano com a saúde das abelhas, menos de 1% do valor agregado à economia, em razão da polinização realizada pelas colméias.

Há receios de que o Reino Unido também esteja perdendo abelhas em razão da “desordem de colapso das colônias (CCD), o que poderia dizimar as colônias, criando um risco de segurança alimentar pela redução da polinização.

A “desordem de colapso das colônias (CCD) já foi noticiada no EcoDebate em:

O mistério do desaparecimento das abelhas continua

Sumiço de abelhas e caos no trânsito, por Gilberto Dupas

[EcoDebate, 16/08/2008]

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