As fontes de biocombustíveis do Reino Unido são, em grande parte, sem controle de sustentabilidade


O Reino Unido aumentou a importação de biocombustíveis, mas, em geral, ainda não consegue avaliar os verdadeiros custos ambientais e sociais destes combustíveis. Por Henrique Cortez, do EcoDebate.

No primeiro relatório, desde que o governo britânico determinou que, pelo menos, 2,5% do combustível utilizado no transporte rodoviário fosse fornecido por biocombustíveis, a Renewable Fuels Agency, agência encarregada do monitoramento da determinação, reconheceu que os fornecedores têm sido incapazes de provar os métodos de produção para 80% do biodiesel e do etanol consumidos no país.

O governo do Reino Unido definiu que, até o final de 2008, 30% dos biocombustíveis consumidos no país devem respeitar normas ambientais e sociais. As normas foram concebidas para garantir que a produção de combustíveis não resulte em perda da biodiversidade, emissão de CO2, degradação do solo, emissão de poluentes ou resulte de violações de direitos humanos e dos direitos dos trabalhadores.

Durante o primeiro mês de vigência da determinação – entre abril e maio deste ano – apenas 19 por cento dos fornecedores comprovou o cumprimento da norma.

A determinação é parte de uma diretiva da União Europeia para que, em 2020, os biocombustíveis atendam 10% do abastecimento de combustível da região. Os países europeus defendem os biocombustíveis como uma ferramenta para diminuir as suas emissões de gases de estufa, principalmente diante da meta de reduzir as emissões em 20% até 2020.

Mas dois estudos publicados na revista Science, sugerem que se os habitats naturais são convertidos para atividades agrícolas, visando a produção de biocombustíveis, o carbono liberado supera as emissões de dióxido de carbono que os biocombustíveis pretendiam evitar.

O relatório britânico afirma que quase metade do biodiesel importado pelo país, de abril-maio/08, era produzido com derivados de soja. Quase um terço da importação veio dos EUA e cerca de 3% a partir de regiões tropicais como o Brasil, Indonésia e Malásia (o restante foi produzido pela Alemanha, Canadá ou fontes domésticas). O biodiesel importado da Malásia cumpriu a maioria das normas, mas, no caso da Indonésia, apenas metade das importações atendeu a alguma das normas. Os fornecedores brasileiros não demonstraram o cumprimento de quaisquer das normas exigidas para sustentabilidade. O relatório afirma que 50% das importações foram de regiões desconhecidas ou não comprovadas.

A Renewable Fuels Agency também foi incumbida de monitorar as emissões evitadas de gases de estufa pelo uso de biocombustíveis, em substituição aos combustíveis fósseis. Para os 87 milhões de litros de biocombustíveis utilizados no Reino Unido, em abril e maio, a emissão evitada correspondeu a 42% das emissões que, de outra forma, teriam sido liberadas mediante queima de combustíveis fósseis. No entanto, este valor exclui as emissões indiretas da conversão habitats naturais para áreas agrícolas, tais como a remoção de pastos ou florestas para a produção de biocombustíveis.

Em reação ao relatório, diversos grupos ambientalistas reiteraram sua crescente oposição aos biocombustíveis. “A admissão chocante de que somos incapazes de identificar a origem de quase metade dos biocombustíveis utilizados no Reino Unido significa que o governo não pode assegurar ao povo britânico que os biocombustíveis, que abastecem seus carros, não foram produzidos com a destrução de florestas tropicais”, disse Asad Rehman, da ONG Friends of the Earth-UK.

Políticos europeus estão mostrando sinais de que eles podem relaxar a meta da UE para a substituição dos combustíveis fósseis por biocombustíveis, em parte devido às suspeitas de que a utilização de mais terras agrícolas, para produção de combustíveis, contribuiu para a forte subida dos preços dos alimentos. Países europeus estão preparando critérios mais rigorosos de sustentabilidade para os biocombustíveis.

[EcoDebate, 18/08/2008]

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