Impacto climático do carbono negro é subestimado


O carbono negro (black carbon), um componente-chave da fuligem, desempenha um papel muito maior no aquecimento global, do que estimado anteriormente, de acordo com nova pesquisa. Os cientistas afirmam que ele é o segundo maior contribuinte para o aquecimento global após o dióxido de carbono. Por Henrique Cortez, do EcoDebate.

Carbono negro é uma forma impura de carbono, produzida durante a combustão incompleta de combustíveis fósseis, madeira (formando fuligem) ou de biomassa. Existe em aerossóis, sedimentos e solos.

“Nós temos mais uma coisa com que nos preocupar”, diz Veerabhadran Ramanathan, professor do Scripps Institution of Oceanography, dos EUA, da Universidade da Califórnia em San Diego e co-autor do estudo.

“Pensámos que eram as emissões de dióxido de carbono [que contribuiam para o aquecimento global]. Agora sabemos que existe um outro grande culpado. Nossa pesquisa aumenta a complexidade da questão.”

O black carbon (BC) é uma importante fração do material particulado atmosférico, produzido principalmente pela queima de biomassa e de combustíveis fosséis, utilizados nas indústrias e veículos. É bastante utilizado como elemento traçador em estudos de transporte de poluentes
atmosféricos devido a sua origem estritamente antropogênica. Os aerossóis BC possuem alta capacidade de absorção da radiação solar, atuam como núcleo de condensação de nuvens e como sítio de importantes reações químicas na atmosfera (Finlayson & Pitts,1986). No ambiente urbano, altas concentrações de BC contribuem para redução da visibilidade e são responsáveis por efeitos adversos à saúde humana. Essas partículas, predominantemente em tamanho sub-microm, afetam o sistema respiratório, pois transportam elementos de diferentes toxicidades até os pulmões
(WHO,2000)
. (Fonte “Flutuações diárias na concentração de Black carbon na atmosfera de São José dos Campos-SP” ).

Ramanathan, juntamente com Greg Carmichael, da Universidade de Iowa, Estados Unidos, combinaram dados via satélite com observações de aviões e de superfície, para registrar um retrato global dos efeitos do aquecimento pelas emissões de carbono negro.

O carbono negro absorve a radiação solar, aquecendo a atmosfera. Os pesquisadores calcularam esse efeito térmico como 0,9 watts por metro quadrado, logo em seguida ao dióxido de carbono, com valor de 1,66 por metro quadrado. Isto é muito mais elevado do que os 0.2-0.4 watts por metro quadrado estimado pelo IPCC, Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas.

Ramanathan diz que a redução das emissões de carbono negro é uma possibilidade real, porque a duração de vida do carbono negro atmosférico é curto, na ordem de dez dias ou menos. Como resultado, os benefícios serão colhidos rapidamente.

“Para reduzir as emissões de dióxido de carbono precisamos de bilhões de dólares”, diz ele. “O meu sentimento é que reduzir o carbono negro vai ser 10-100 vezes mais barato. As emissões, na Alemanha e no Reino Unido, foram reduzidas em 2/3 nos últimos 30/40 anos. Isso mostra que nós sabemos como a fazê-lo. “

Ramanathan está realizando um novo estudo na Índia, para analisar a relação custo / bnefício das unidades de biogás e para incentivar a utilização de fogões solares, em vez de queimar biomassa em aldeias. Ele está atualmente trabalhando com o Chicago Climate Exchange Commission para negociar créditos de carbono com os aldeões, para sustentar esses novos métodos de cozimento.

A pesquisa foi publicada na revista Nature Geoscience, 1, 221 (2008)

[EcoDebate, 20/08/2008]

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