As mudanças climáticas podem liberar enormes estoques de gases estufa dos solos árticos

Estudo, realizado pela universidade Alaska Fairbanks, afirma que a liberação destes gases, estocados nos solos árticos permanentemente congelados (permafrost), realimentariam o aquecimento global, criando um círculo vicioso de aquecimento.

E, de acordo com a pesquisa, os modelos atuais de análise e projeção das mudanças climáticas não levaram em conta esta fonte extra de gases estufa. O carbono orgânico, contido dentro de um “cobertor” do permafrost, que cobre um quinto da massa da terra do mundo, se descongelado poderia liberar maciças quantidades de gases estufa na atmosfera, mas, até agora, ainda não foi possível calcular quanto de carbono está contido pelo permafrost. Por Henrique Cortez, do EcoDebate.

Pesquisadores, coordenados por Chien-Lu, da universidade Alaska Fairbanks, examinaram vastas áreas de permafrost na América do Norte, colhendo amostras de solo em 117 locais, cada um com uma profundidade de, pelo menos, um metro, com o objetivo de avaliar estes potenciais estoques de gases estufa.

O estudo, publicado revista britânica Geoscience, revela que o estoque do carbono orgânico “é consideravelmente mais elevado do que se pensou previamente” — 60% mais do que fora estimado previamente. Isto equivale a 1/6 de todo o carbono atmosférico e apenas considerando a América do Norte.

O permafrost, em tamanho e a características, no norte da Europa e na Rússia são mais ou menos semelhantes, e, provavelmente, contem uma quantidade comparável de gás carbônico estocado.

O IPCC estima que, até o fim do século, as temperaturas na região ártica, que é mais sensível ao aquecimento global do que qualquer outra parte do planeta, podem subir até 6°C.

Christian Beer, pesquisador do Max Planck Institute, em Jena, Alemanha, afirma que “Liberar, mesmo uma parcela pequena deste carbono na atmosfera, sob a forma do dióxido de metano ou de carbono, teria um impacto significativo no clima da terra,”, conforme comentou no artigo publicado na revista Geoscience.

O metano, um outro gás de estufa, é menos abundante do que o dióxido de carbono, mas, pelo menos, 20 vezes mais poderoso que o carbono, em termos de potencial de aquecimento, o que aceleraria círculo vicioso de aquecimento global.

O estudo, na íntegra, está disponível para assinantes da revista Nature Geoscience.

High stocks of soil organic carbon in the North American Arctic region

Chien-Lu Ping, Gary J. Michaelson, Mark T. Jorgenson, John M. Kimble, Howard Epstein, Vladimir E. Romanovsky, Donald A. Walker

SUMMARY: The Arctic soil organic-carbon pool is a significant, but poorly constrained, carbon store. The most cited pool size estimates are based on a study that severely undersamples Arctic soils, with
CONTEXT: …and distorted soil horizons, and surface organic matter is churned down to the lower active layers and upper permafrost. The presence, form and abundance of patterned ground plays a key role in determining tundra vegetation, the…
Nature Geoscience (24 Aug 2008), doi: 10.1038/ngeo284, Article

Article abstract

Nature Geoscience
Published online: 24 August 2008 | doi:10.1038/ngeo284

High stocks of soil organic carbon in the North American Arctic region

Abstract

The Arctic soil organic-carbon pool is a significant, but poorly constrained, carbon store. The most cited pool size estimates are based on a study that severely undersamples Arctic soils, with only five out of the 48 soils examined actually from the Arctic region. Furthermore, previous measurements have been confined to the top 40 cm of soil. Here, we present 1-m-deep measurements of soil organic carbon obtained at 117 locations in the North American Arctic region. To this dataset we add previously published measurements to generate a total sample size of 139 North American Arctic soils. We show that soil organic-carbon stores are highly dependent on landscape type, being highest in lowland and hilly upland soils, where values average 55.1 and 40.6 kg soil organic carbon m-2 respectively, and lowest in rubbleland and mountain soils, where values average 3.4 and 3.8 kg soil organic carbon m-2 respectively. Extrapolating our measurements using known distributions of landscape types we estimate that the total organic carbon pool in North American Arctic soils, together with the average amount of carbon per unit area, is considerably higher than previously thought. Our estimates of the depth distribution and total amount of organic carbon in North American Arctic soils will form an important basis for studies examining the impact of climate warming on CO2 release in the region.

[EcoDebate, 27/08/2008]

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