Chumbo, mercúrio, arsénio nos medicamentos Ayurveda vendidos através da Internet


Estudo feito por cientistas norte-americanos e indianos, com mais de 200 remédios usados pela medicina aiurvédica, verifica que um quinto têm níveis elevados de chumbo, mercúrio e arsênico.

Herbais pesados – Uma análise de produtos utilizados na medicina aiurvédica – baseada em um sistema tradicional da Índia –, vendidos pela internet, verificou que um quinto dos medicamentos contém níveis elevados de chumbo, mercúrio e arsênico. Da Agência FAPESP, com informações complementares de Henrique Cortez, do EcoDebate.

Segundo a pesquisa, feita nos Estados Unidos, que será publicada na edição de 27 de agosto do Journal of the American Medical Association (Jama)( Vol. 300, No. 8, August 27, 2008), os níveis desses metais excedem os padrões aceitáveis e podem provocar intoxicação.

Remédios à base de plantas da medicina aiurvédica são extremamente populares não apenas na Índia, mas em diversas partes do Sudeste Asiático e em outras regiões e países. “Entretanto, desde 1978 mais de 80 casos de envenenamento apenas por chumbo foram associados com tais medicamentos”, destacaram os autores do estudo.

Os remédios são divididos em dois tipos principais: apenas herbais e “rasa shastra”, uma prática milenar de combinar ervas com metais, minerais ou até mesmo pedras preciosas.

Robert Saper, da Escola de Medicina da Universidade de Boston, e colegas conduziram o estudo com produtos vendidos nos Estados Unidos e fabricados tanto no país como na Índia. De 673 produtos identificados à venda na internet, foram escolhidos 230 para análises, que começaram a ser feitas em outubro de 2005.

Concentração de metais foram medidas por meio de espectroscopia de fluorescência de raio X. Os cientistas verificaram prevalência de metais em 20,7% dos produtos, sendo 21,7% nos fabricados nos Estados Unidos e 19,5% nos feitos na Índia.

Dos produtos, 95% eram vendidos por sites norte-americanos, que propagavam “boas práticas de manufatura”. Os medicamentos “rasa shastra” mostram propensão mais de duas vezes maior de conter altas concentrações do que os apenas herbais.

“Alguns dos produtos podem resultar em ingestão de mercúrio e de chumbo de 100 a 10 mil vezes maior do que os limites aceitáveis”, afirmaram os pesquisadores.

Os autores sugerem que as regulações da Food and Drug Administration (FDA) para tais produtos sejam revistas de modo a especificar com mais exatidão os riscos e dosagens máximas para cada um.

“Remédios que são usados para tratar um problema não podem causar outro por conta da presença de materiais tóxicos”, disse Venkatesh Thuppil, diretor do Centro de Referência Nacional para Envenenamento por Chumbo e professor da Faculdade de Medicina St. John’s, na Índia, um dos autores do estudo.

Lead, Mercury, and Arsenic in US- and Indian-Manufactured Ayurvedic Medicines Sold via the Internet

Robert B. Saper, MD, MPH; Russell S. Phillips, MD; Anusha Sehgal, MD(Ayurveda); Nadia Khouri, MPH; Roger B. Davis, ScD; Janet Paquin, PhD; Venkatesh Thuppil, PhD; Stefanos N. Kales, MD, MPH

JAMA. 2008;300(8):915-923.

Context Lead, mercury, and arsenic have been detected in a substantial proportion of Indian-manufactured traditional Ayurvedic medicines. Metals may be present due to the practice of rasa shastra (combining herbs with metals, minerals, and gems). Whether toxic metals are present in both US- and Indian-manufactured Ayurvedic medicines is unknown.

Objectives To determine the prevalence of Ayurvedic medicines available via the Internet containing detectable lead, mercury, or arsenic and to compare the prevalence of toxic metals in US- vs Indian-manufactured medicines and between rasa shastra and non–rasa shastra medicines.

Design A search using 5 Internet search engines and the search terms Ayurveda and Ayurvedic medicine identified 25 Web sites offering traditional Ayurvedic herbs, formulas, or ingredients commonly used in Ayurveda, indicated for oral use, and available for sale. From 673 identified products, 230 Ayurvedic medicines were randomly selected for purchase in August-October 2005. Country of manufacturer/Web site supplier, rasa shastra status, and claims of Good Manufacturing Practices were recorded. Metal concentrations were measured using x-ray fluorescence spectroscopy.

Main Outcome Measures Prevalence of medicines with detectable toxic metals in the entire sample and stratified by country of manufacture and rasa shastra status.

Results One hundred ninety-three of the 230 requested medicines were received and analyzed. The prevalence of metal-containing products was 20.7% (95% confidence interval [CI], 15.2%-27.1%). The prevalence of metals in US-manufactured products was 21.7% (95% CI, 14.6%-30.4%) compared with 19.5% (95% CI, 11.3%-30.1%) in Indian products (P = .86). Rasa shastra compared with non–rasa shastra medicines had a greater prevalence of metals (40.6% vs 17.1%; P = .007) and higher median concentrations of lead (11.5 µg/g vs 7.0 µg/g; P = .03) and mercury (20 800 µg/g vs 34.5 µg/g; P = .04). Among the metal-containing products, 95% were sold by US Web sites and 75% claimed Good Manufacturing Practices. All metal-containing products exceeded 1 or more standards for acceptable daily intake of toxic metals.

Conclusion One-fifth of both US-manufactured and Indian-manufactured Ayurvedic medicines purchased via the Internet contain detectable lead, mercury, or arsenic.

Author Affiliations: Department of Family Medicine, Boston University School of Medicine and Boston Medical Center (Drs Saper and Sehgal and Ms Khouri), Division of General Medicine and Primary Care, Department of Medicine, Beth Israel Deaconess Medical Center (Drs Phillips and Davis), Division for Research and Education in Complementary and Integrative Medical Therapies, Osher Research Center, Harvard Medical School (Drs Phillips and Davis), and Environmental and Occupational Medicine and Epidemiology, Department of Environmental Health, Harvard School of Public Health (Dr Kales), Boston, Massachusetts; New England Regional Laboratory, Environmental Protection Agency, North Chelmsford, Massachusetts (Dr Paquin); National Referral Centre for Lead Poisoning in India and Department of Biochemistry and Biophysics, St John’s Medical College, Bangalore (Dr Thuppil); and Employee and Industrial Medicine, Cambridge Health Alliance, Harvard Medical School, Cambridge, Massachusetts (Dr Kales).

[EcoDebate, 28/08/2008]

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