Prorrogação do licenciamento de usina nuclear em Nova Iorque expõe os seus danos ao meio ambiente


central nuclear de Indian Point, às margens do rio Hudson, no estado de Nova Iorque

Diversas usinas nucleares, que entraram em operação no início dos anos 70, estão propondo a prorrogação de suas licenças de operação. Licenciadas sem maiores preocupações ambientais estão, agora, expondo os seus reais impactos ambientais. É o caso da central nuclear de Indian Point, em Buchanan, às margens do rio Hudson, no estado de Nova Iorque. Por Henrique Cortez*, do Ecodebate.

Uma das questões que foram reavaliadas, no processo de prorrogação do licenciamento, foi a intensa utilização da água do rio Hudson, para o resfriamento dos reatores e os intensivos danos à ictiofauna. De acordo com J. Jared Snyder, comissário assistente do departamento de conservação ambiental (DEC, New York State Department of Environmental Conservation), o relatório é uma vitória dos críticos da central nuclear, os quais, há anos, afirmam que até 1,2 bilhão peixes e ovos são mortos, todos os anos, enquanto a central extrai continuamente água do rio para o uso como um líquido refrigerante

Por décadas, a central nuclear de Indian Point manteve firme o discurso de que seus sistemas de refrigeração não têm nenhum impacto nos peixes do rio Hudson, o que agora, é formalmente questionado pelo DEC, que afirma que a morte excessiva dos peixes é um impacto ambiental adverso.

Em maio, a comissão Riverkeeper emitiu um relatório, avaliando que, das 13 espécies de peixes do rio de Hudson, 10 epécies tinham sofrido declínios da população, desde o meados dos anos 70.

O relatório sugeriu uma variedade de causas, que incluem a exploração excessiva da água, o aquecimento global e a invasão dos mexilhões zebra, mas, igualmente, responsabilizou as centrais termelétricas, incluindo Indian Point.

A Entergy, empresa controladora da central nuclear, diz que a população de peixes continua saudável e abundante. Ela argumenta que suas telas de contenção evitam a morte de peixes na aspiração da água para refrigeração e que a água retorna segura para a maioria dos peixes adultos. A Entergy solicitou a extensão da licença para que os reatores de Indian Point possam funcionar até 2030. As licenças expiram em 2013 e em 2015.

Nos anos 70, as agências estaduais e a EPA afirmavam que o sistema de refrigeração de ciclo fechado era a tecnologia adequada para centrais como Indian Point. No entanto, agora, diante das novas tecnologias, o DEC exige o projeto de uma nova torre de refrigeração. A Entergy diz que as novas torres custariam aproximadamente $740 milhões. A Riverkeeper diz que seriam $200 milhões. A questão da exigência de novas torres e os custos reais será apresentada em processo legal, dirigido à suprema corte dos Estados Unidos.

Recentemente a Entergy enfrentou problemas de segurança na central nuclear de Vermont Yankee, em Vermon, no estado de Vermont, paralisada no dia 26/8, em razão de falha humana na operação do sistema de purificação de água para o reator.

Para acessarem as notas preliminares do Department of Environmental Conservation, sobre os impactos da central nuclear de Indian Point, cliquem aqui.

* Com informações do NY DEC, New York State Department of Environmental Conservation

[EcoDebate, 02/09/2008]

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