A Royal Society discute combater as mudanças climática com grandes e arriscadas obras de geoengenharia


Na mais recente edição da revista Philosophical Transactions, The Royal Society, academia científica do Reino Unido, discute combater as mudanças climática com grandes e arriscadas obras de geoengenharia. Por geoengenharia entenda-se qualquer intervenção em larga escala visando alterar processos naturais do planeta. Por Henrique Cortez, do EcoDebate.

Martin Rees, presidente da Royal Society, comentando a publicação diz: “A dimensão do desafio que enfrentamos, em evitar os piores impactos das mudanças climáticas, significa que temos de explorar todas as formas de combate-la. Emissões globais de gases com efeito de estufa continuam a aumentar e, por isso, é inevitavel o interesse em tecnologias que podem ser capazes de fornecer uma “correção”. Este número especial da nossa revista Philosophical Transactions, fornece um panorama científico importante e oportuna de várias alternativas engenhosas.

“Nenhuma destas tecnologias proporcionarão uma saída livre da questão e elas não devem desviar atenções de esforços internacionais de redução das emissões de gases com efeito de estufa.”

Alguns dos projetos de geoengenharia discutidos na publicação:

* Alta Reflexão

A erupção do Pinatubo, em 1991, injetou milhões de toneladas de sulfatos na alta atmosfera, o suficiente para esfriar a Terra por 0.5C por até dois anos. Pode ser possível injetar sulfatos na estratosfera, através de aeronaves, com o mesmo objetivo de “reduzir” a temperatura. Mas isto não alteraria a acidificação do oceano causada pelo aumento de CO2 e poderia causar chuva ácida.

* Baixa Reflexão

Uma variação da alternativa anterior, seria uma bomba de vapor de água, para injetar grandes volumes de vapor no ar, para estimular a formação nuvens sobre o mar, assim, elevar o albedo da Terra (proporção de luz refletida). O valor de água, no entanto, é um fator importante no efeito estufa.

* Adubar o mar

O fator limitante para a cultura de fitoplâncton – minúsculas plantas marinhas – é a falta de sais de ferro. A adição de ferro nas zonas “mortas” do mar pode “adubar” o fitoplâncton, que absorve CO2. Há o risco de aumento do CO2 “estocado” no fundo do oceano (pela morte do fitoplâncton) e, não se sabe, se o carbono, de alguma forma, retornaria à atmosfera ainda não é claro.

* Mistura camadas

Tubos gigantes poderiam ser construídos para o transporte da água da superfície oceânica, rica em CO2 dissolvido, para profundidades inferiores, onde seriam bloqueadas pela diferença de temperatura e pressão. Há no entanto, o risco do sistema também transportar o carbono para a superfície, agravando o problema atual.

A edição especial da revista Philopsophical Transactions vale a leitura, como exercício do que seria teoricamente possível de ser feito, mas sem intenção real de que aconteça. Muito avanço científico e tecnico já aconteceu a partir de estudos e pesquisas sem real objetivo prático.

É claro que são “propostas” meramente teóricas, sem estudos de viabilidade e de impacto ambiental. Os resultados ambientais de intervenções em larga escala, como estas, podem ser ambientalmente catastróficas.

Além do mais, nenhuma alternativa tecnológica é realmente suficiente por sí só, se não ocorrer em paralelo a imensas reduções nas emissões de gases de efeito estufa.

Valem apenas como exercícios teóricos do potencial da geoengenharia.

Philopsophical Transactions of the Royal Society Special edition on Geoengineering

[EcoDebate, 03/09/2008]

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