Renovação da licença de operacão da central nuclear de Vermont Yankee, EUA, pode transformar-se em disputa judicial


Diversas usinas nucleares, que entraram em operação no início dos anos 70, estão propondo a prorrogação de suas licenças de operação. Licenciadas sem maiores preocupações ambientais estão, agora, expondo os seus reais impactos ambientais. É o caso, que já noticiamos, da central nuclear de Indian Point, em Buchanan, às margens do rio Hudson, no estado de Nova Iorque. Por Henrique Cortez*, do Ecodebate.

O debate também surge com a proposta de renovação da licença de operacão da central nuclear de Vermont Yankee

A Nuclear Regulatory Commission (US NRC) avalia a emissão de uma licença para a renovação de Vermont Yankee, em Vermon, no estado de Vermont, onde, recentemente, ocorreu um acidente radioativo, em razão de falha humana, na operação do sistema de purificação de água para o reator. Mas a renovação, sob críticas de organizações sociais, será mais complicada do que um mero ato burocrático, como desejava a Entergy ASLB, controladora da central nuclear.

Neste caso, o debate sobre a segurança nuclear está centrado no envelhecimento dos sistemas da central nuclear, com 36 anos de operação. Em julho passado, a Câmara de Licenciamento e Segurança Nuclear, câmara técnica independente do conselho de administração da Nuclear Regulatory Commission, ouviu depoimentos a Entergy sobre plano, ou da ausência de plano, para gerir o envelhecimentos dos sistemas.

A Entergy ASLB afirma que precisa da aprovação da licença prévia para finalizar o seu plano de gestão sobre envelhecimento dos sistemas de operação, equipamentos e instalações. A Entergy tenta ampliar a licença operacional da NRC Yankee por mais 20 anos, de 2012 para até 2032. O NRC, até agora, afirma que não encontrou motivos de segurança ou ambientais não permitam a renovação da licença.

O NRC, na realidade, notificou a Entergy de que os seus planos de gestão de envelhecimento não satisfazem suas necessidades, mas, em vez de solicitar que esses planos fossem refeitos e reapresentados, o NRC aceitou a promessa de que a empresa irá cumprir todas as condições da licença, no prazo de dois anos após a renovação.

A questão poderá se tornar uma batalha judicial, com a New England Coalition on Nuclear Pollution acionando a NRC e a Entergy para que os planos sejam realizados e apresentados antes da concessão da licença e que os novos procedimentos operacionais e de segurança sejam debatidos com a população.

“Não se trata apenas de tranquilizar a população que a central é segura para funcionar durante mais 20 anos. “É uma questão de boas práticas de engenharia”, diz Howard Shaffer, um engenheiro nuclear que assessora a New England Coalition on Nuclear Pollution. Shaffer conhece bem a central nuclear de Vermont Yankee, por ter trabalhado na ativação do reator, no início dos anos 1970. Shaffer também foi um engenheiro em sistemas da Yankee de 1979 a 1984 e na central nuclear em Seabrook, New Hampshire, de 1984 a 1992.

O debate sobre a renovação das licenças de operação das centrais ativadas no início dos anos 70 pode se espalhar pelo país, onde mais de 50 centrais estarão solicitando a renovação das licenças, nos próximos 5 anos.

* Com informações da New England Coalition on Nuclear Pollution

[EcoDebate, 04/09/2008]

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