Pesquisa identifica substâncias químicas, utilizadas em Teflon e Scotchgard, em leite materno

Substâncias químicas usadas para fazer revestimento anti-aderente em panelas e tecidos resistentes a manchas estão se espalhando por todo o mundo, em todos os lugares, da vida selvagem ao abastecimento de água potável.

Agora, uma equipe de pesquisadores, incluindo Kathleen Arcaro, da Universidade de Massachusetts Amherst, encontrou estas substâncias, potencialmente cancerígenas, em amostras de leite humano, em Massachusetts. Por Henrique Cortez, do Ecodebate.

“Compostos perfluorados (Per Flúor Carbono ou PFC), são encontrados no sangue humano em todo o mundo, incluindo o sangue dos recém-nascidos, mas este é o primeiro estudo realizado nos Estados Unidos, para documentar o seu aparecimento no leite humano”, diz Arcaro, professora no departamento de ciências veterinárias e animal. “O leite materno deve ser considerado como uma fonte adicional de PFC, ao determinar uma exposição total da criança.”

O leite materno foi recolhido como parte de um outro estudo em curso, que analisa a relação entre exposições ambientais e de risco de câncer da mama. Foram feitas análises químicas no laboratório de Kannan Kuruntachalam, do Departamento de Saúde do Estado de Nova York. Os resultados foram publicados na revista de Ciência e Tecnologia Ambiental (Environmental Science & Technology). Esta pesquisa foi apoiada pelo Center for Disease Control (CDC) and Prevention e do National Institute of Environmental Health Sciences.

As amostras foram coletadas em 2004 e analisados nove diferentes PFC’s. – Perfluorooctanossulfonatos (PFOS), usado em tecidos resitentes a manchas, encontrado em concentração no leite materno, seguido pelo ácido perfluorooctanóico (PFOA), utilizado como anti-aderente em panelas. Em média, cada litro de leite, tinha 131 bilionésimos de um grama de PFOS e 44 bilionésimos de um grama de PFOA. O montante diário de PFC que as lactentes consumiam não excedia os valores fixados (Dose Diária Total) pelo Food Standards Agency, Comitê de Toxicologia, do Reino Unido.

Arcaro adverte que as doses recomendadas, como Dose Diária Total de PFC, são baseadas em valores que devem ser interpretados com cautela, uma vez que não existe consenso sobre esses valores, que são derivados de estudos efetuados em roedores. As mães devem também comparar os riscos da amamentação com os benefícios, que incluem uma melhor nutrição e de desenvolvimento e reforço do sistema imunológico contra infecções em crianças.

O leite materno estudado demonstrou variações nas concentrações de PFC ao longo do tempo de amamentação. O total de concentrações de PFC e da concentração de PFOS aumentou durante os primeiros seis meses de amamentação. “Isso pode estar relacionado com o aumento da ingestão alimentar, para satisfazer as demandas energéticas da amamentação, e as mudanças nos padrões de consumo alimentar durante a amamentação”, diz Arcaro. “Em um estudo canadense, a alimentação contribuiu com 61% da ingestão diária total de PFC de uma pessoa .”

Alimentos fontes de PFC inclui embalagens resistentes, como pipoca para microondas, sacos e caixas de pizza, assim como peixes e outros animais que contenham essas substâncias químicas. A exposição pode também vir a partir de produtos de higiene pessoal, incluindo fio dental e xampu.

PFC persistentes são substâncias químicas que podem se “perder”, no meio ambiente e no corpo humano, durante anos sem serem identificados. Vários estudos têm documentado a sua presença no sangue de recém-nascidos, recolhido imediatamente após o nascimento, e, em crianças entre as idades de 2 e 12, que têm níveis sanguíneos similares aos encontrados em adultos.

Estes estudos levaram os pesquisadores a investigar o aleitamento como uma fonte de PFC, informações que serão necessárias para determinar a magnitude e as fontes de exposição em lactentes e crianças e se PFC têm um efeito sobre os resultados em recém-nascidos.

Os Estados Unidos e o Brasil não possuem quaisquer regulamentação para a exposição ao PFC.

Perfluorinated Compounds in Human Milk from Massachusetts, U.S.A. l
Lin Tao, Kurunthachalam Kannan, Chung M. Wong, Kathleen F. Arcaro, and John L. Butenhoff
Environ. Sci. Technol., 42, 8, 3096 – 3101, 2008, 10.1021/es702789k

Abstract:

Perfluorinated compounds (PFCs), notably perfluorooctanesulfonate (PFOS) and perfluorooctanoic acid (PFOA), have been reported in human blood. Furthermore, the occurrence of PFCs in the blood of newborn babies, coupled with the need to study the potential association of PFC exposure with birth outcomes in neonates, suggests the need for determining the sources and magnitude of exposure in infants. In this study, nine PFCs were measured in 45 human breast milk samples collected in 2004 from Massachusetts, U.S.A. PFOS and PFOA were the predominant PFCs found at mean concentrations of 131 and 43.8 pg/mL [picograms per millilitre], respectively. Comparison of the ratio of PFOS to PFOA in human milk with the ratios published for human serum from the U.S. female population suggested preferential partitioning of PFOA to milk. Concentrations of PFOA were significantly higher in the milk of mothers nursing for the first time (n = 34) than in the milk of mothers who have previously nursed (n = 8). Based on the estimated body weight and milk intake, the average and highest daily intakes of total PFCs by infants were 23.5 and 87.1 ng/kg bw, respectively. We found that the daily ingestion rates of PFOS and PFOA did not exceed the tolerable daily intake recommended by the U.K. Food Standards Agency. This is the first study to measure the occurrence of PFCs in human milk from the U.S.A.

O acesso à íntegra do artigo é restrito a assinantes da revista Environmental Science & Technology, publicada pela American Chemical Society.

[12/09/2008] [ O conteúdo produzido e assinado pelo EcoDebate é “Copyleft”, podendo ser copiado e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor e ao Ecodebate, como fonte original da informação.]

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