Poluição atmosférica na Califórnia mata 24 mil pessoas ao ano

A poluição atmosférica, causada pela queima de combustíveis fósseis, mata 24 mil pessoas por ano na Califórnia, de acordo com os números mais recentes do California Air Resources Board, ARB. Isso é quase três vezes mais do que as 8.200 pessoas que, anteriormente, se acreditava fossem as vítimas anuais. Por Henrique Cortez, do EcoDebate.

“Nosso relatório conclui que estas partículas são 70 por cento mais perigosas do que se pensava, com base em vários estudos importantes, realizados aos longo dos últimos cinco anos”, disse o pesquisador chefe do ARB, Bart Croes.

As partículas em suspensão são constituídas por partículas microscópicas, que causam danos profundos nos pulmões. A Califórnia já tem o menor limite permitido em todo o mundo, mas pesquisadores dizem que não existem níveis seguros.

Recentemente foram realizados grandes estudos sobre os efeitos dos particulados atmosféricos na saúde humana, incluindo um realizado pela Universidade do Sul da Califórnia (USC – University of Southern California) , com 23 mil pessoas em Los Angeles e um realizado pela Sociedade Americana de Câncer (American Cancer Society) em 300 mil pessoas em todos os Estados Unidos. Eles descobriram que a exposição aos particulados, ainda que em níveis muito pequenos, aumenta exponencialmente os riscos de ataques cardíacos, derrames cerebrais e outras doenças. A exposição em níveis elevados reduziu a vida do californiano médio em 10 anos.

Embora não seja possível atribuir a morte de qualquer pessoa diretamente às partículas de poluição, de vez que também aumentou o risco de morte por outras doenças, o Air Resources Board enfatizou que emerge um padrão claro de aumento de risco com um aumento da exposição. Em sentido contrário as diminuições na exposição reduziram drasticamente taxas de mortalidade.

“Quando Dublin impôs a proibição do carvão, quando Hong Kong determinou reduções de dióxido de enxofre, quando houve uma greve na fábrica de aço em Utah … eles viram reduções imediatas nas mortes”, disse Croes.

“Não há certidão de óbito afirmando que alguém morreu especificamente da poluição do ar, mas cidades com maiores índices de poluição atmosférica têm muito maiores taxas de morte por doenças cardiovasculares”, disse ele.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) contabiliza que entre 2 milhões e 4 milhões de pessoas morrem por ano no mundo em decorrência da poluição.

Na cidade de São Paulo, o ar poluído mata de 12 a 14 pessoas por dia, segundo estimativa de Paulo Saldiva, professor de medicina da USP. “Embora abasteça 10% da frota do país, o diesel é responsável por 45% da emissão de partículas em São Paulo e quase metade das mortes causadas pela poluição”, calcula.

A poluição do ar causa tantas vítimas no mundo quanto a tuberculose, compara Paulo Saldiva e uma das autoridades no debate sobre os efeitos da emissão de poluentes na saúde.

“Diferentemente da tuberculose, o controle da poluição não depende da atuação dos órgãos de saúde pública, mas da saída para conflitos econômicos”, observa o professor.

[EcoDebate, 15/09/2008]

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