Pesquisa afirma que reduzir a queima de carvão diminui a ameaça das mudanças climáticas


Imagem de satélite da NASA mostra, em vermelho, a emissão de CO2 e a absorção em azul.

O aumento do CO2 na atmosfera, pela queima de combustíveis fósseis, pode ser rapidamente compensado pela redução da queima do carvão. É o que afirma pesquisa do Earth Institute at Columbia University, publicada na revista Global Biogeochemical Cycles. Por Henrique Cortez*, do EcoDebate.

A queima de combustíveis fósseis representa cerca de 80% do aumento do CO2 atmosférico, desde a era pré-industrial, até nível atual de 385 partes por milhão. No entanto, embora ainda existam grandes reservas de carvão disponíveis, as previsões sobre quando e como o petróleo e gás natural, poderiam começar a esgotar-se, revelaram-se controversas e isso tem dificultado avaliar as emissões futuras. Para compreender melhor a forma como as emissões podem mudar no futuro, o climatologista Pushker Kharecha e o diretor da NASA Goddard Institute for Space Studies, James Hansen, consideraram uma vasta gama de cenários.

“Este é o primeiro documento que, explicitamente, integra as duas questões vitais: a produção mundial de petróleo e as mudanças climáticas induzidas pelo homem”, disse Kharecha. “Descobrimos que a eliminação do carvão, porque é muito mais abundante do que petróleo ou gás, é absolutamente essencial para evitar mudanças climáticas perigosas.” Kharecha também é autor de um artigo relacionado, “How Will the End of Cheap Oil Affect Future Global Climate?

O CO2, que representa cerca de metade dos gases com efeito de estufa, provocados pelo homem, na atmosfera, é uma questão climática importante porque pode permanecer durante séculos. Hansen, em pesquisa anterior, sugere que um nível perigoso de aquecimento global pode ocorrer se a concentração de CO2 ultrapassar 450 partes por milhão. Isso é um aumento de 61% sobre o nível pré-industrial de 280 partes por milhão, mas apenas 17% a mais do que o nível atual. Nesse ponto ou acima dele, da Antártida Ocidental, do gelo do mar Ártico e das grandes geleiras seria irreversível, gerando um processo de feedback que levaria a novos derretimentos acelerados.

Para compreender melhor a trajetória de possíveis futuros de CO2, Kharecha e Hansen ,conceberam cinco cenários de emissões, abrangendo os anos de 1850 a 2100. Cada um reflete uma estimativa diferente para a produção global de combustíveis fósseis e o período de consumo das reservas, que dependem de tamanho, valorização e tecnologia disponível. “Mesmo se considerar uma estimativa de alta e sem emissões convencionais de petróleo e gás, nós achamos que esses combustíveis por si só não são abundantes o suficiente para levar o dióxido de carbono para acima de 450 partes por milhão,” disse Kharecha .

O primeiro cenário estima níveis de emissões de CO2, a partir de combustíveis fósseis, no modelo “business as usual”, crescendo 2% ao ano até metade de cada reserva estimada. Depois disso, começam a diminuir as emissões em 2% anualmente. No segundo cenário, as emissões foram reduzidas a partir do carvão, em primeiro lugar pelos países desenvolvidos, a partir de 2013 pelos países em desenvolvimento e, em seguida, uma década mais tarde, a eliminação das emissões globais até 2050. A eliminação poderia ocorrer a partir do carvão, reduzindo o consumo ou, de alguma forma, fazendo a captura e retenção de CO2, resultante da combustão do carvão, antes de chegar à atmosfera.

Os restantes três cenários incluem a eliminação de carvão, mas consideram diferentes cenários de uso e fornecimento de petróleo. Um caso considera um atraso no ponto máximo de produção do petróleo, em cerca de 21 anos para 2037. Outro considera menos do que previsto, atualmente, de reservas comprovadas, ou os impostos sobre as emissões, tornando demasiado cara a extração de combustíveis. O último cenário visa as emissões provenientes de campos de petróleo em momentos diferentes, a partir de 2020-2040.

A equipe utilizou um modelo matemático para converter as emissões de CO2, de cada um dos cenários futuros, em estimativas de concentrações na atmosfera. O cenário “business as usual” resultou em CO2 que seria superior a 450 partes por milhão a partir de 2035, podendo chegar a mais do dobro do nível pré-industrial até 2080. No entanto, os outros quatro cenários resultaram em níveis de CO2 abaixo do limite máximo previsto de 450 partes por milhão em 2080, o mais tardar. Níveis em dois dos cenários sempre ficaram abaixo do limiar.

Os pesquisadores dizem que os resultados implicam, claramente, que as emissões de carvão devem ser reduzidas. Isso se aplica também, dizem, para os combustíveis “não convencionais” ainda não em uso, tais como hidratos de metano e areias asfálticas. Estes também contêm muito mais carbono do que os fósseis convencionais, como petróleo e gás, e, portanto, podem ser, potencialmente, grandes contribuintes para as emissões.

“Estamos ilustrando o tipo de ação necessária para chegar à meta de níveis de dióxido de carbono”, disse Kharecha. “A mais importante mitigação estratégica que nós recomendamos – uma redução gradual das emissões de dióxido de carbono a partir do carvão dentro das próximas décadas – é viável com a tecnologia atual ou que seja desenvolvida em curto prazo.”

A acesso ao conteúdo integral da pesquisa é restrito a assinantes da revista Global Biogeochemical Cycles


Implications of “peak oil” for atmospheric CO2 and climate
Kharecha, P. A., and J. E. Hansen (2008), Implications of “peak oil” for atmospheric CO2 and climate, Global Biogeochem. Cycles, 22, GB3012, doi:10.1029/2007GB003142.
GLOBAL BIOGEOCHEMICAL CYCLES, VOL. 22, GB3012, doi:10.1029/2007GB003142, 2008

Pushker A. Kharecha
NASA Goddard Institute for Space Studies and Columbia University Earth Institute, New York, New York, USA

James E. Hansen
NASA Goddard Institute for Space Studies and Columbia University Earth Institute, New York, New York, USA

Abstract

Unconstrained CO2 emission from fossil fuel burning has been the dominant cause of observed anthropogenic global warming. The amounts of “proven” and potential fossil fuel reserves are uncertain and debated. Regardless of the true values, society has flexibility in the degree to which it chooses to exploit these reserves, especially unconventional fossil fuels and those located in extreme or pristine environments. If conventional oil production peaks within the next few decades, it may have a large effect on future atmospheric CO2 and climate change, depending upon subsequent energy choices. Assuming that proven oil and gas reserves do not greatly exceed estimates of the Energy Information Administration, and recent trends are toward lower estimates, we show that it is feasible to keep atmospheric CO2 from exceeding about 450 ppm by 2100, provided that emissions from coal, unconventional fossil fuels, and land use are constrained. Coal-fired power plants without sequestration must be phased out before midcentury to achieve this CO2 limit. It is also important to “stretch” conventional oil reserves via energy conservation and efficiency, thus averting strong pressures to extract liquid fuels from coal or unconventional fossil fuels while clean technologies are being developed for the era “beyond fossil fuels”. We argue that a rising price on carbon emissions is needed to discourage conversion of the vast fossil resources into usable reserves, and to keep CO2 beneath the 450 ppm ceiling.

* Com informações do Earth Institute at Columbia University

[EcoDebate, 16/09/2008]

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