Alternativas biológicas aos agrotóxicos

Um novo estudo, financiado pelo Economic and Social Research Council (ESRC), analisa a razão pela qual ainda não existem incentivos para o uso de alternativas biológicas, no Reino Unido, apesar da crescente pressão consumidor sobre os agricultores e os supermercados para minimizar o uso de pesticidas químicos nas frutas e legumes. Por Henrique Cortez, do EcoDebate.

Produtos biológicos, conhecidos como bioinseticidas, podem desempenhar um papel significativo na maior sustentabilidade da cadeia alimentar, evitando o risco de pesticidas químicos, tanto na questão da contaminação de alimentos, como devido a problemas de resistência ou porque eles já não são comercialmente viáveis. Os agrotóxicos põe em perigo a saúde dos trabalhadores e podem contaminar lençóis freáticos.

“É evidente que os bioinseticidas têm, potencialmente, uma importante contribuição a dar para uma agricultura competitiva” disse o pesquisador Wyn Grant, da Universidade de Warwick. “Eles têm potencial para aumentar a confiança dos consumidores no setor das frutas e produtos hortícolas, eliminando a polarização e simplificação de escolhas entre os modos convencionais e orgânicos de produção.”

A pesquisa sugere que as preocupações dos consumidores, sobre resíduos tóxicos, podem enfraquecer a recomendação ‘cinco por dia’, meta para o consumo de frutas e legumes frescos. Os supermercados têm respondido à pressão dos consumidores, aumentando a oferta de orgânicos, proibindo ou evitando produtos reconhecidamente contaminados por agrotóxicos, mas ainda não apóiam os bioinseticidas.

Os agentes de controle biológico, como o que ocorre naturalmente com fungos, bactérias ou vírus, são aplicados da mesma forma que os pesticidas químicos, para combater insetos-pragas, mas têm benefícios óbvios, como o fato de terem pouco impacto sobre outros organismos, são compatíveis com outros inimigos naturais, não deixam resíduos tóxicos e são relativamente baratos. Estes fatores positivos superam, largamente, as desvantagens de menor eficácia e uma vida útil mais curta. Então, porque tem havido má vontade na Grã-Bretanha?

O estudo afirma que o sistema de controle e certificação no Reino Unido foi desenvolvido com pesticidas químicos em mente e por isto ele não incentiva o desenvolvimento de bioinseticidas. Em reconhecimento deste fato, o órgão regulador – Pesticides Safety Directorate (PSD) – criou o registro de bioinseticidas e isso levou a um ligeiro aumento no número de produtos biológicos.

Os investigadores apontam que a falta de reconhecimento mútuo, entre os Estados membros da UE, como um dos principais motivos por que os EUA tem uma muito maior taxa de utilização bioinseticidas. Isto torna difícil para as pequenas empresas, que geralmente desenvolvem os bioinseticidas, obter economias de escala.

Por outro lado, também há a necessidade de informar aos consumidores que os produtos nos quais foram utilizados controles biológicos não são produtos orgânicos mas também não contem agrotóxicos químicos. Os pesquisadores sugeriram que fosse discutida a inclusão dos bioinseticidas como produtos éticos.

“A ausência de um mercado de bioinseticidas, em nível europeu, é um obstáculo significativo à sua disponibilidade comercial mais ampla,” disseram os pesquisadores, embora já existam iniciativas para remediar esta situação. Eles também apontaram para uma desigual interação entre o regulador e os produtores, bem como a falta de envolvimento de dos grupos ambientalistas, que ainda expressam reservas ou hostilidade com os bioinseticidas.

Para mais informações, contactar:

* Professor Wyn Grant (Tel: 02476 523 720, E-mail: wpgrant@warwick.ac.uk)
* ESRC Press Office:
o Kelly Barnett (Tel: 01793 413032 / 07826874166, e-mail: @ kelly.barnett@esrc.ac.uk )
o Danielle Moore (Tel: 01793 413122, e-mail: @ danielle.moore@esrc.ac.uk)

Estudo: “Alternativas para Química Biológica Pesticida Insumos para a Cadeia Alimentar: Uma Avaliação da Sustentabilidade” (ESRC Grant Number: RES-224-25 -0048).

[EcoDebate, 13/10/2008]

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