Estudo tenta determinar que espécies devem ser salvas da atual extinção em massa


Foto: WWF

O planeta está passando pela sexta onda de extinção em massa e isto deve ter severos impactos na biodiversidade do planeta, caso se confirme o desaparecimento, até o final do século, de 50% das espécies animais e vegetais. Pesquisadores da University of California, Santa Barbara, em artigo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, PNAS, tentam avaliar quais espécies vegetais devem ser salvas da extinção. Por Henrique Cortez*, do EcoDebate.

Não será viável salvar todas as espécies ameaçadas e isto torna necessário identificar quais são mais relevantes para a manutenção da biodiversidade e da diversidade genética. Para avaliar quais espécies são prioritárias para a conservação, os pesquisadores revisaram estudos em 40 pradarias ao redor do planeta, usando como marcadores 177 espécies vegetais com flores, medindo a diversidade genética. A avaliação identificou que algumas espécies são mais relevantes do que outras, em termos de preservação das funções dos ecossistemas. Identificou, ainda, que as mais ameaçadas são geneticamente unicas, sem possibilidade de readaptação ou realocação.

Em vários ecossistemas, o desaparecimento de uma única espécie vegetal já é suficiente para impactar diversas outras espécies vegetais e animais, potencializando o risco de extinção maciça e reduzindo a biodiversidade.

Este processo de extinção maciça de espécies vegetais é especialmente grave no Brasil [leiam a matéria “Lista da flora brasileira ameaçada de extinção tem 472 espécies em risco; governo desconsidera outras mil“]. Na lista oficial do MMA o Sudeste apresentou o maior número de ameaçadas (348), ante 168 no Nordeste, 84 no Sul, 46 no Norte e 44 no Centro-Oeste. MG foi o Estado com mais espécies sob ameaça, seguido por RJ, BA, ES e SP. Há 40 anos, na primeira lista oficial, havia 13 espécies ameaçadas de extinção.

O processo, no Brasil, é semelhante ao que ocorre em todo o planeta, no qual as espécies vegetais são ameaçadas pelo desmatamento, expansão da agropecuária e redução da diversidade genética em razão das monoculturas.

A questão é critica porque somos diretamente beneficiários dos serviços ambientais da biodiversidade e, certamente, teremos muito a perder quando os ecossistemas perderem tantas espécies em bioconexão com incontáveis outras. Ao contrario das monoculturas, defendidas pela “moderna” agricultura, a natureza e todos os seus serviços ambientais dependem da diversidade.

* Com informações da University of California, Santa Barbara

Abaixo transcrevemos, no original em inglês, abstract do Proceedings of the National Academy of Sciences. Para traduzir o texto utilize a barra de ferramentas de idiomas, no topo da matéria, logo abaixo do título e, na caixa de opções, selecione o idioma “Português”.

Impacts of plant diversity on biomass production increase through time because of species complementarity

Biological Sciences – Ecology:

* Bradley J. Cardinale,
* Justin P. Wright,
* Marc W. Cadotte,
* Ian T. Carroll,
* Andy Hector,
* Diane S. Srivastava,
* Michel Loreau,
* and Jerome J. Weis

PNAS 2007 104:18123-18128; published ahead of print November 8, 2007, doi:10.1073/pnas.0709069104

* Abstract
* Full Text
* Full Text (PDF)

Abstract

Accelerating rates of species extinction have prompted a growing number of researchers to manipulate the richness of various groups of organisms and examine how this aspect of diversity impacts ecological processes that control the functioning of ecosystems. We summarize the results of 44 experiments that have manipulated the richness of plants to examine how plant diversity affects the production of biomass. We show that mixtures of species produce an average of 1.7 times more biomass than species monocultures and are more productive than the average monoculture in 79% of all experiments. However, in only 12% of all experiments do diverse polycultures achieve greater biomass than their single most productive species. Previously, a positive net effect of diversity that is no greater than the most productive species has been interpreted as evidence for selection effects, which occur when diversity maximizes the chance that highly productive species will be included in and ultimately dominate the biomass of polycultures. Contrary to this, we show that although productive species do indeed contribute to diversity effects, these contributions are equaled or exceeded by species complementarity, where biomass is augmented by biological processes that involve multiple species. Importantly, both the net effect of diversity and the probability of polycultures being more productive than their most productive species increases through time, because the magnitude of complementarity increases as experiments are run longer. Our results suggest that experiments to date have, if anything, underestimated the impacts of species extinction on the productivity of ecosystems.

[EcoDebate, 22/10/2008]

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