Desertificação, a degradação dos solos e a seca ameaçam a produção de alimentos, aumentando a crise global da fome

[Desertification, land degradation and drought threaten the production of food, increasing the global crisis of hunger]

desertificação

A magnitude da crise financeira global ofuscou uma outra crise global, a crise alimentar, que deveria estar no centro das atenções dos governos dos em todo o mundo.

O aumento dos preços dos alimentos, no início deste ano, chegou a desencadear motins e revoltas populares em vários países. Um relatório do Banco Mundial, no ano passado, constatou que 74% dos pobres do mundo pertencem ao setor rural agrícola, que é muito dependente do clima, de terras marginais (áreas agrícolas subtilizadas ou de pequeno valor) e ameaçado por secas. É por isto que os elevados preços dos alimentos, combinado com as secas endêmicas, ameaçam a vida de centenas de milhões de pessoas, especialmente na África. Por Henrique Cortez*, do EcoDebate.

No entanto, os agricultores pobres, se abandonados à sua sorte, certamente estarão fadados ao fracasso, à fome e à miséria. Vastas áreas agrícolas utilizadas pelos pequenos agricultores, agricultores familiares e produção tribal estão perdendo fertilidade e tendo a sua área total reduzida, como resultado da desertificação, a degradação dos solos e a seca (DLDD, sigla em inglês para desertification, land degradation and drough).

“Isto não pode continuar”, disse Luc Gnacadja, secretário executivo da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (Unccd, United Nations Convention to Combat Desertification) “A ajuda alimentar é, obviamente, uma estratégia de curto prazo, para reduzir imediatamente a fome e a pobreza. Mas soluções de médio e longo prazo são essenciais. ” De acordo com o World Development Report 2008 (World Development Report 2008: Agriculture for Development, PDF em português), o crescimento sustentado da agricultura poderia ser quatro vezes mais eficaz na redução da pobreza do que o crescimento em outros setores.

No entanto, pesquisadores acreditam que, até 2050, metade das terras férteis, atualmente produzindo, irá tornar-se improdutivas devido a desertificação e a degradação dos solos. Agora, mais do que nunca, uma gestão sustentável das terras é necessária na luta para preservar as terras férteis nas zonas agrícolas afetadas por DLDD.

Quase vazio de conta bancária

“Há algum tempo acreditamos que o solo era como uma conta bancária infinitamente rica”, afirmou. Gnacadja. “Mas agora nós sabemos que ela está praticamente falida.”

“A desertificação é um ciclo vicioso, que alimenta e realimenta a mudança climática”, acrescentou. Gnacadja. “Em muitos dos países em desenvolvimento, terras semi-aridas podem tornar-se desérticas, devastadas por longos ciclos de secas. Isto, por sua vez, agrava a degradação das terras, tornando-as inutilizáveis. Finalmente, as terras degradadas emitem carbono na atmosfera, o que piora o aquecimento global e as mudanças climáticas. E assim o ciclo se repete. “

A conta bancária do mundo agrícola ainda não está no vermelho. Mas o saldo é pequeno. Uma ação internacional coordenada permitiria reduzir o impacto da desertificação, disse Gnacadja. Como resultado, as chances de alcançar o Objetivo do Milênio, de reduzir para metade a fome no planeta serão ainda maiores.

No entanto, a realização deste objetivo significa desenvolver a cooperação internacional sobre as linhas de ação reconhecidas, assim como indicadores confiáveis para acompanhar a desertificação, a degradação dos solos e a seca.

Membros Convenção estão à procura de novas orientações, para a elaboração de relatórios padronizados, a fim de definir objetivos claros no processo de implementação da Convenção. Assim, ele deve atingir quatro objetivos principais: melhorar as condições de vida das populações afetadas, melhorar as condições dos ecossistemas afetados, gerar benefícios globais, e mobilizar recursos para apoiar a implementação da convenção, por meio de parcerias eficazes nacional e internacionalmente.

Estas questões serão discutidas na sétima sessão do Comitê de Revisão da Implementação da Convenção (CRIC 7), a ser realizada em Istambul, Turquia, de 3 a 14 de novembro de 2008. Junto com o CRIC 7, na primeira sessão extraordinária do Comitê de Ciência e Tecnologia (CST S-1) serão organizados, para a reorientação estratégica, orientações e indicadores, comumente aceitos e reconhecidos mundialmente para monitoramento DLDD.

A Convenção, com 193 membros, tem, em tese, a capacidade de reduzir drasticamente o impacto da desertificação, em todo o mundo, assim como foi feito com a atual crise financeira mundial, De fato, no longo prazo, os problemas sistêmicos da desertificação, da degradação dos solos e a seca podem ser muito mais catastróficos.

Metade das terras pode ser improdutiva até 2050

Devido à desertificação, 50% das áreas agrícolas no mundo de hoje podem se tornar improdutivas, reduzindo a produção de alimentos, diz o relatório da ONU, produzido pela Convenção das Nações Unidas para Combate à Desertificação.

A Convenção das Nações Unidas para Combate à Desertificação, Unccd, apresentou, nesta quarta-feira, 29/10, um relatório sobre o Desenvolvimento Mundial em 2008, em Bonn, na Alemanha.

O encontro em Bonn serviu para definir diretrizes nas áreas de auxílio às populações, enfrentando as conseqüências da desertificação, buscando aumentar a produtividade em ecossistemas afetados pela degradação do solo e ampliar a implementação de projetos em parceria com instituições nacionais e internacionais.

O documento do Unccd alertou que a desertificação reduz a produção de alimentos e aumenta a emissão de gás carbônico, agravando o problema do aquecimento global ,

* Com informações do Unccd, United Nations Convention to Combat Desertification

[EcoDebate, 31/10/2008]

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