Reino Unido: morte de 2 bilhões de abelhas custará £54 milhões em perdas na economia

[UK: Death of 2 billion bees will cost £ 54 million in losses in the economy]

Centenas de apicultores, em 5/11, realizaram uma manifestação em Downing Street, sede do governo britânico, para exigir imediata ação governamental. Bilhões de abelhas do Reino Unido já morreram de causas ainda desconhecidas e os apicultores exigem saber por que razão.

Uma em cada três colônias de abelhas foi perdida ao longo do ano passado. Receia-se que não seja possível evitar a perda de dois bilhões de abelhas neste inverno (no hemisfério norte), o que seria uma grande redução da quantidade total destes vitais polinizadores. Por Henrique Cortez*, do EcoDebate.

Centenas de membros da Associação Britânica de Apicultores (The British Beekeepers Association, BBKA), no dia 5/11, durante a manifestação, entregaram uma petição, endereçada ao primeiro-ministro, assinada por mais de 140.000 membros da BBKA, apelando para a imediata ação governamental.

A petição exorta o governo a aumentar as 200mil libras anualmente gastas em pesquisas sobre a saúde das colméias abelha, para 1,6 milhões de anuais para os próximos 5 anos. Isso é menos de 1% dos 825 milhões de libras de valor agregado para a economia agrícola, pelos serviços de polinização realizados pelas abelhas ao longo do mesmo período.

Tim Lovett, presidente da BBKA, disse: “O aumento no financiamento, que estamos pedindo, é uma gota no oceano em comparação com os bilhões de libras o governo tem destinado aos bancos”.

“As abelhas são provavelmente uma das mais economicamente úteis criaturas na terra, polinizadoras de um terço de tudo que comemos. Eles oferecem mais de 50% da polinização das plantas selvagens, das quais dependem aves e mamíferos. É preciso identificar as está matando e para isto é necessário investigar e pesquisar.”

Dr. Dewey Caron, professor de Entomologia da Universidade de Delawar,e falando recentemente no The National Honey Show, em Surrey, afirmou que o desaparecimento das abelhas é visto pelos cientistas como uma calamidade mundial e que as abelhas são como os “canários na gaiola” nas minas de carvão, um mensageiro da saúde do ambiente.

A petição é baseada em um grande estudo realizado pela BBKA o qual revelou que quase uma em cada três das 274 mil colônias do Reino Unido, ou seja, 90 mil colônias, não sobreviveu neste inverno e na primavera, quando haveria cerca de 20.000 abelhas em cada colméia. Cada uma destas 90 mil colméias contribui, com serviços de polinização, com 600 libras de valor agregado anualmente para a economia agrícola.

No Reino Unido existem 44 mil apicultores registrados, com cerca de 274 mil colméias, produzindo 6 mil toneladas de mel por ano, o que equivale a 20% do consumo no país.

A preservação da saúde das colméias é de fundamental importância para a produção e produtividade agrícola. Estudo realizado por cientistas do INRA (Institut scientifique de recherche agronomique), do CNRS (Centre national de la recherche scientifique) e da UFZ ( Helmholtz Association of German Research Centres), estimou que o valor econômico global dos serviços de polinização, realizado pelos insetos, principalmente abelhas, foi, em 2005, da ordem de R$ 395 bilhões (153 bilhões de euros).

Isto equivale a 9.5% do valor total da produção agrícola global. O estudo avaliou que o desaparecimento dos insetos polinizadores pode causar perdas agrícolas entre R$ 491,8 bilhões ( €190 bi) e R$ 802,7 bilhões( €310 bi). Os resultados do estudo econômico sobre a vulnerabilidade da agricultura mundial, em razão do desaparecimento dos insetos polinizadores, foram publicados na revista “ECOLOGICAL ECONOMICS“

Existem diversas hipóteses para a “desordem de colapso da colônia” (Colony Collapse Disorder, CCD), já sendo documentados casos de fragilidade das colméias por ataques de fungos, agrotóxicos neonicotinóides, redução da diversidade vegetal em razão de monoculturas e stress das colméias pela poluição atmosférica.

Quaisquer que sejam os motivos, os apicultores de todo o planeta já sentem severos impactos em suas colônias e, no caso do Reino Unido, já foi registrada a redução do índice de polinização e, conseqüente, redução da produtividade agrícola.

Este é um tema importante que tem sido ignorado pela grande mídia e até pela mídia ambiental, embora tenha sérias conseqüências na biodiversidade e na produção de alimentos. Principalmente diante da crise alimentar não podemos ignorar algo tão ameaçador quanto o desaparecimento maciço das abelhas.

Para maiores e melhores informações sobre a mortandade das colônias de abelhas sugerimos que leiam, também:

Abelhas produtoras de alimentos em perigo de extinção/Abejas, productoras de alimentos en peligro de extinción en el mundo, artigo de María Isabel Cárcamo

Morte de abelhas no Reino Unido ameaça a polinização de frutas e vegetais

Valor econômico dos serviços dos insetos polinizadores é estimado em R$ 395 bilhões (153 bilhões de euros)

Nova droga atua contra o vírus causador do colapso das colméias, que dizimou abelhas nos EUA

Associação inglesa apela pela proibição de pesticidas neonicotinóides para evitar a morte de abelhas

Itália proibe agrotóxicos neonicotinóides associados à morte de abelhas

Interesse político não deixa que mortes de abelhas sejam esclarecidas, afirma agrônomo gaúcho

neonicotinóides: Agrotóxico vendido no Brasil pode levar à contaminação do mel

Agrotóxicos matam abelhas e envenenam nossa alimentação

Alemanha proíbe oito pesticidas neonicotinóides em razão da morte maciça de abelhas

Alemanha: Pesticidas da Bayer são acusados da morte em massa de abelhas

Agência de Proteção Ambiental dos EUA é acusada de ocultar informações da toxidade de pesticidas nas abelhas

Agrotóxico que combate praga da laranja está dizimando abelhas no interior de São Paulo

Degradação ambiental ameaça abelhas do cerrado maranhense, artigo de Márcia Rêgo Patrícia Albuquerque e Giorgio Venturieri

Abelhas ajudam no reflorestamento da Amazônia

O mistério do desaparecimento das abelhas continua

* Com informações da The British Beekeepers Association

[EcoDebate, 07/11/2008]

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