Suplementos de vitaminas C e E não são eficazes na prevenção de doenças cardiovasculares

[Vitamins E and C supplements not effective for prevention of cardiovascular disease, by Henrique Cortez]

The Journal Of the American Medical Association
JAMA: The Journal Of the American Medical Association

Nem a vitamina E nem a vitamina C, como suplementos, reduziram o risco de eventos cardiovasculares em usuários do sexo masculino. É o que afirma um estudo publicado no JAMA, Journal of the American Medical Association. Por Henrique Cortez, do EcoDebate.

A maioria dos adultos, nos Estados Unidos, consumiu suplementos vitamínicos, no ano passado, de acordo com informações gerais fornecidas pelos autores. “A maioria dos estudos sugere que a vitamina E, a vitamina C e outros antioxidantes reduzem as doenças cardiovasculares, pelo aprisionamento de radicais livres orgânico, evitando danos nos tecidos.” Alguns estudos observacionais anteriores apoiaram a tese de que a vitamina E atua na prevenção das doenças cardiovasculares. Alguns outros estudos observacionais anteriores demonstraram, também, um papel da vitamina C na redução de risco de doença cardíaca coronariana.

Neste estudo, conhecido como o Physicians’ Health Study II, Howard D. SESSO, Sc.D, MPH, e colegas de Brigham and Women’s Hospital, Harvard Medical School and School of Public Health and VA Boston Healthcare System, Boston, foram avaliados os efeitos dos suplementos da vitamina E e vitamina C sobre o risco de doenças cardiovasculares dentre 14.641 médicos do sexo masculino. Estes médicos tinham 50 anos ou mais e com baixo risco de doença cardiovascular no início do estudo, em 1997. Dentre eles, 754 (5,1%) tinham prevalência de doenças cardiovasculares. Os participantes do estudo, foram randomizados para receber 400 UI de vitamina E todos os dias ou um placebo e 500 mg de vitamina C por dia ou um placebo.

“Durante uma média de 8 anos, houve 1245 eventos cardiovasculares maiores confirmados,” dizem os pesquisadores no artigo. Ocorreram 511 casos de infarto do miocárdio (ataque cardíaco), 464 derrames e 509 mortes cardiovasculares, com alguns homens enfrentando vários eventos.

Ao longo da pesquisa morreram 1.661 homens. Comparado com o placebo, nem a vitamina E nem a vitamina C tiveram qualquer efeito sobre a prevenção de eventos cardiovasculares. “Nem a vitamina E nem a vitamina C tiveram um efeito significativo sobre a mortalidade total, mas vitamina E foi associada a um aumento do risco de acidente vascular cerebral hemorrágico.”

Como conclusão, os autores afirmam que os dados apurados não fornecem suporte para o uso desses suplementos para a prevenção cardiovascular em homens na meia-idade ou mais velhos.

O artigo “Vitamins E and C in the Prevention of Cardiovascular Disease in Men” está disponível para livre acesso. Para acessar o artigo clique aqui.

Vitamins E and C in the Prevention of Cardiovascular Disease in Men
The Physicians’ Health Study II Randomized Controlled Trial
Howard D. Sesso, ScD, MPH; Julie E. Buring, ScD; William G. Christen, ScD; Tobias Kurth, MD, ScD; Charlene Belanger, MA; Jean MacFadyen, BA; Vadim Bubes, PhD; JoAnn E. Manson, MD, DrPH; Robert J. Glynn, ScD; J. Michael Gaziano, MD, MPH
JAMA. 2008;300(18):(doi:10.1001/jama.2008.600).

[EcoDebate, 11/11/2008]

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3 Responses to Suplementos de vitaminas C e E não são eficazes na prevenção de doenças cardiovasculares

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  2. O presente estudo é relevante e mostra que em um intervalo de 8 anos não existe redução de infartos , AVCs e mortes em individuos masculinos de baixo risco cardiovascular ( framinghan score risk inferior a 10% em 10 anos)quando suplmentados com Vitaminas C e E.
    Bem, se “in vitro” nota-se redução do estresse oxidativo atraves da dosagem de MDA ( malonildialdeido) com o uso de antioxidantes e “in vivo” não ocorre , de fato, redução das enfermidades temos 2 opções…
    Ou a idéia central da oxidação celular esta equivocada ( o que não acredito, haja visto as inumeras evidencias cientificas disponiveis)
    Ou ainda não descobrimos antioxidantes mais efetivos no que diz respeito a moléstia cardiovascular ( o que acredito).
    …O fato de não termos “ainda” tratamento não invalida em nada a idéia central. Se assim fosse também não deveríamos estudar muitos tipos de câncer e outras enfermidades que não tem cura até o momento.

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