Pesquisa afirma que o milho transgênico MON 810 afeta o sistema imunológico de ratos jovens e velhos


Journal of Agricultural Food Chemistry

O governo italiano, através do Instituto Nacional de Pesquisa sobre Alimentação e Nutrição, acaba de publicar um relatório on-line [Intestinal and peripheral immune response to MON810 maize ingestion in weaning and old mice , no Journal of Agricultural Food Chemistry, documentando grandes distúrbios no sistema imunológico de ratos jovens e velhos, que foram alimentados com o milho geneticamente modificado MON 810 [1]. Recentemente foram liberados, pelo governo austriaco, resultados de pesquisas demonstrando que o milho geneticamente modificado reduziu a fertilidade e afetou os genes de ratos (SiRS 41) GM is Dangerous and Futile [2]. Estas recentes descobertas confirmam uma seqüência de resultados anteriores, sobre impactos adversos na saúde de animais, dos alimentos geneticamente modificados. Por Henrique Cortez*, do EcoDebate.

Os questionamentos sobre a segurança do milho transgênico são crescentes, na exata medida em que crescem as pesquisas demonstrando os riscos e perigos (Letter to Nature Biotechnology: Systematic bias in favour of no adverse impacts from GM feed SiS 40) [3]. Já há quem defenda que a industria pare de induzir o público de que os alimentos geneticamente modificados são sempre seguros. Se existem riscos, eles devem ser informados.

No teste realizado na Itália, o milho geneticamente modificado (GM) e não GM parental, variedade da qual foi derivado, foram cultivadas simultaneamente em campos vizinhos, em Landriano, Itália, a partir de sementes fornecidas pela Sementes Emporda (Girona, Espanha). O controle, a partir da farinha de milho não-GM de estirpe parental, tinha um baixo nível de contaminação OGM (0,29 por cento, em teste PCR). O milho geneticamente modificado continha o gene especifico para a toxina Cry1Ab, que atua como um pesticida.

Os milhos (GM e não GM) também foram analisados para os teores de aflatoxinas fúngicas B1, B2, G1, G2, fumonisina B1 (FB1), desoxinivalenol (DON), ocratoxina, e zeralenon, que muitas vezes contaminam o milho em grão. Os valores estavam abaixo do limite máximo permitido na Europa, com exceção de FB1 (1350 e 2450 mg / kg) e DON (1300 e 650 mg / kg) no GM e e no milho não GM, respectivamente.

As dietas foram formuladas de acordo com normas técnicas e continha 50% MON810. A dieta de controle continha cerca de 50% milho não GM, que não continha CrylAb pelo teste PCR.

Os ratos jovens, desmamados aos 21 dias, foram alimentados com a dieta teste de 30 e 90 dias e os ratos mais velhos, com 18 ou 19 meses, foram alimentados durante 90 dias. Ao longo do experimento não foram identificadas diferenças significativas de peso, independente da dieta

O número total de glóbulos brancos no intestino delgado, no baço e no sangue não era diferente. No entanto, ocorreram diferenças significativas nas porcentagens de células T e B, e de CD4+, CD8+, gdT+ e mbT+ em ambas as subpopulações de ratos, que foram alimentados com milho geneticamente modificado, em comparação com o grupo de controle. Estas mudanças apareceram no intestino, baço e sangue e foram acompanhadas por aumento da concentração sangüínea de citocinas IL-6, IL-13, IL-12p70 e MIP-1b, envolvidas nas respostas alérgicas e inflamatórias. Estas alterações não foram detectadas nos ratos alimentados com o milho não GM.

Os maiores efeitos foram identificados nos ratos mais jovens e nos mais velhos.

Distúrbios significativos no sistema imunológico também foram identificados em teste de outro laboratório [GM Food Nightmare Unfolding in the Regulatory Sham 4], no qual a análise proteômica identificou 43 proteínas alteradas, para cima e para baixo, pelo milho MON 810, quando comparadas com sementes parentais não modificadas. Dentre elas a redução de 50 kda g-zein, uma conhecida proteína alergênica [5], efeito não observado na variedade parental.

As pesquisas apenas reforçam a necessidade da preservação do principio da precaução e da necessidade da realização de exaustivos testes de segurança, antes da liberação de qualquer tipo de transgênico, especialmente se utilizados na alimentação animal e/ou humana.

O acesso ao texto integral da pesquisa “Intestinal and Peripheral Immune Response to MON810 Maize Ingestion in Weaning and Old Mice” é restrito aos assinantes do Journal of Agricultural Food Chemistry. Abaixo transcrevemos o abstract e informações sobre os autores.

Alberto Finamore, Marianna Roselli, Serena Britti, Giovanni Monastra, Roberto Ambra, Aida Turrini and Elena Mengheri*
Istituto Nazionale di Ricerca per gli Alimenti e la Nutrizione, Via Ardeatina 546, 00178 Roma, Italy
J. Agric. Food Chem., Article ASAP
November 2008: Vol. 56, Iss. 22
DOI: 10.1021/jf802059w
Publication Date (Web): November 14, 2008
Copyright © 2008 American Chemical Society
* Corresponding author (e-mail mengheri@inran.it; telephone +39-06-51494523; fax +39-06-51494550).

Abstract

This study evaluated the gut and peripheral immune response to genetically modified (GM) maize in mice in vulnerable conditions. Weaning and old mice were fed a diet containing MON810 or its parental control maize or a pellet diet containing a GM-free maize for 30 and 90 days. The immunophenotype of intestinal intraepithelial, spleen, and blood lymphocytes of control maize fed mice was similar to that of pellet fed mice. As compared to control maize, MON810 maize induced alterations in the percentage of T and B cells and of CD4+, CD8+, ??T, and ??T subpopulations of weaning and old mice fed for 30 or 90 days, respectively, at the gut and peripheral sites. An increase of serum IL-6, IL-13, IL-12p70, and MIP-1? after MON810 feeding was also found. These results suggest the importance of the gut and peripheral immune response to GM crop ingestion as well as the age of the consumer in the GMO safety evaluation.

Referências

1. Finamore A, Roselli M, Britti S, Monastra G, Ambra R, Turrini A and Mengheri E. Intestinal and peripheral immune response to MON810 maize ingestion in weaning and old mice. J Agric food Chem, http://pubs.ac.org/, 16 November 2008
2. Ho MW. GM maize reduces fertility and deregulates genes in mice. Science in Society 41 http://www.i-sis.org.uk/isisnews/sis41.php
3. Ho MW. GM is dangerous and futile. Science in Society 40 http://www.i-sis.org.uk/isisnews/sis40.php.
4. Zolla L, Rinalducci S, Antonioli P, Righetti PG. Proteomics as a complementary tool for identifying unintended side effects occurring in transgenic maize seeds as a sresult of genetic modification. J. Proteome Res 2008, 7, 1850-61.
5. Pasini G, Simonato B, Curioni A, Vincenzi S, Cristaudo Q, Santucci B, Peruffo AD, Giannattasio M. IgE-mediated allergy to corn: a 50 kDa protein, belonging to the reduced soluble proteins, is a major allergen. Allergy 2002, 37, 98-106.

* Com informações do Institute of Science in Society

[http://www.ecodebate.com.br/index.php/2008/11/22/pesquisa-afirma-que-o-milho-transgenico-mon-810-afeta-o-sistema-imunologico-de-ratos-jovens-e-velhos/, 22/11/2008]

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