EUA: Relatório denuncia o aumento das emissões de mercúrio pelas usinas termelétricas a carvão

Termelétrica a carvão, nos EUA, em foto de arquivo AP
Termelétrica a carvão, nos EUA, em foto de arquivo

As 50 mais poluentes usinas termelétricas a carvão, nos EUA, emitiram, para a atmosfera, 20 toneladas de mercúrio tóxico em 2007. É o que afirma um novo relatório da ONG Environmental Integrity Project. Todas as termelétricas avaliadas apresentaram um aumento emissões de mercúrio em comparação com 2006. Por Henrique Cortez*, do EcoDebate.

Uma vez liberado na atmosfera, o mercúrio é depositado no solo, em lagos e rios, afetando a cadeia alimentar, atingindo os seres humanos quando, eventualmente, se alimentam de peixes contaminados. O Centro para Controle de Doenças (Center for Disease Control, CDC), concluiu que 6% das mulheres americanas têm mercúrio no sangue, em níveis que podem colocar um feto em risco de dano neurológico.

Os efeitos nocivos do mercúrio, que podem ser transmitidos da mãe para o feto, incluem dano cerebral, retardo mental, cegueira, convulsões e incapacidade de falar, de acordo com a agência federal para Substâncias Tóxicas (Agency for Toxic Substances). Crianças envenenadas por mercúrio podem desenvolver problemas nos seus sistemas nervoso e digestivo, bem como danos nos rins.

A usina Miller, em Jefferson County, Alabama, encabeça a lista dos emissores mercúrio, relatando quase uma tonelada de mercúrio no ar em 2007, o período mais recente para o qual há dados disponíveis. Isso representa um aumento superior a 13,57 % em relação às emissões relatadas em 2006.

Em abril de 2006, o operador da central, Alabama Power, anunciou que, a partir de 2008, iria gastar US$200 milhões para eliminar as emissões de óxido de nitrogênio e dióxido de enxofre até 2011, mas nenhuma tecnologia para a remoção do mercúrio foi anunciada para a usina Miller.

No total, oito usinas na Geórgia e Alabama são classificadas entre os 50 principais emissores mercúrio.

Os estados, com dezenas de fábricas que emitem os mercúrio são – em ordem decrescente – Texas, Pensilvânia, Alabama, Geórgia, Ohio, Indiana, Dakota do Norte, Missouri, Kansas, Carolina do Norte, Wisconsin e Arkansas.

O estado do Texas têm 5 das usinas listadas entre os 10 maiores emissores de mercúrio.

Segundo o advogado Ilan Levin, do Environmental Integrity Project, “Quando o Clean Air Act foi promulgado em 1970, a indústria termelétrica persuadiu o Congresso a não impor controles rigorosos de poluição nas antigas usinas, porque elas iriam ser substituídas pela geração mais atualizada de usinas, com tecnologia mais limpa. No entanto, apesar das promessas da indústria, muitas das usinas mais antigas e mais sujas continuam a operar. ”

“Tecnologias que controlam e reduzem drasticamente as emissões são amplamente disponíveis e já são utilizadas em muitas instalações”, disse Levin. “Mas, até o público e os políticos cobrem das usinas a sua prometida limpeza, os americanos vão continuar a suportar custos ambientais e de saúde desnecessários.”

O relatório, do Environmental Integrity Project, diz que a, “injeção de carbono ativado, que está comercialmente disponível e foi testado pela Iniciativa de Carvão Limpo, do Departamento de Energia, pode reduzir a emissão de mercúrio em até 90%.”

“Além disso”, diz o relatório, “o mercúrio pode ser significativamente reduzido com outras medidas de controle para outros poluentes, tais como filtros, purificadores de dióxido de enxofre e redução catalítica seletiva.”

A termelétricas a carvão são a maior fonte única de mercúrio na poluição do ar, representando cerca de 40% de todas as emissões de mercúrio em nível nacional, de acordo com os a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (US Environmental Protection Agency). O mercúrio emitido também está afetando os parques nacionais, adverte Bart Melton, um analista da National Parks Conservation Association .

“Parques em todo os EUA sofrem com altas concentrações de poluição por mercúrio – tendo como fonte fundamental as centrais elétricas a carvão. No Great Smoky Mountains, a poluição por mercúrio é contamina o parque e toda a cadeia, ameaçando a saúde dos visitantes e da vida selvagem do parque “, afirmou Melton. “É preciso que cortar a emissão de mercúrio pelas centrais elétricas a carvão para manter a vida selvagem e os visitantes do parque nacional saudáveis.”

Embora algumas usinas tenha reduzido as suas emissões, a maioria dos 50 piores emissores de mercúrio aumentaram as suas emissões ao longo de 2007.

Em 2005, sob pressão dos ambientalistas, a EPA introduziu uma fraca regra de “cap-and-trade”, o que teria permitido às centrais elétricas reduzirem a sua própria poluição pelo mercúrio ou comprar créditos de outras usinas com tecnologia mais limpa. Em fevereiro de 2008, um tribunal federal decidiu que a EPA, pela fraca abordagem de emissões de mercúrio pelas usinas, viola o Clean Air Act e a própria regulação da EPA.

A ONG Environmental Integrity Project foi criada em março de 2002, para advogar um melhor cumprimento das leis ambientais. A organização foi fundada por Eric Schaeffer, que atuou como diretor da EPA. Schaeffer foi demitido em 2002, depois de expressar publicamente a sua frustração com os esforços da administração Bush para enfraquecer a execução do Clean Air Act e outras leis ambientais.

* Com informações do Environmental Integrity Project.

[http://www.ecodebate.com.br/index.php/2008/11/24/eua-relatorio-denuncia-o-aumento-das-emissoes-de-mercurio-pelas-usinas-termeletricas-a-carvao/, 24/11/2008]

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2 Responses to EUA: Relatório denuncia o aumento das emissões de mercúrio pelas usinas termelétricas a carvão

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  2. Adorei o novo projeto. gostaria que vc mandasse mais pelo meu e-mail porque tenho que fazer projetos com essas informaçoes.
    Ficaria muito feliz Obrigado

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