The New York Times afirma que quase uma centena de depósitos a céu aberto de rejeitos de carvão, nos EUA, estão sem regulamentação e fiscalização, por Henrique Cortez

Vazamento de água contaminada e lamas tóxicas, em Kingston, Tennessee. Foto de Wade Payne/Associated Press
Vazamento de água contaminada e lamas tóxicas, em Kingston, Tennessee. Foto de Wade Payne/Associated Press

Matéria [Hundreds of Coal Ash Dumps Lack Regulation], de SHAILA DEWAN, do The New York Times Electronic Edition, de 07/01/2009, afirma que existem quase 100 depósitos de resíduos de carvão espalhados por os Estados Unidos, com riscos iguais ou até maiores do que o vazamento ocorrido em dezembro no leste do Tennessee, derramando quase 4 bilhões de litros água contaminada e lamas tóxicas, contaminando uma área estimada de 120 hectares.

A matéria é baseada em estudo da ONG ambientalista Environmental Integrity Project, EIP, que critica o descaso da administração Bush para com o risco de vazamento de cinzas de carvão das lagoas de contenção. A Environmental Protection Agency, EPA, deixou estes depósitos tóxicos livres de regulamentação federal e sem monitoramento.

Na prática, as comunidades do entorno destes depósitos tóxicos não são apenas estão em risco de enormes vazamentos, como o ocorrido no Tennessee, como estão sob o risco de contaminação das reservas de água, a partir da lixiviação de metais tóxicos em abastecimento de água potável.

A questão não afeta apenas os norte-americanos, mas também a população de Santa Catarina, como bem destacam Ana Echevenguá e Rodrigo Moretti, no artigo “Enchentes em Santa Catarina: Conseqüências que ninguém comenta” . No artigo eles destacam que “Falando de mineração – atividade que destruiu toda a região sul catarinense: se os pátios das mineradoras estão cheios d’água, imaginem como estará o subsolo e as galerias de onde é tirado o carvão… com certeza, alagados, tomados pelas águas contaminadas. Se antes da enchente os efluentes das minas não eram tratados adequadamente, agora é que isso não ocorrerá mesmo…

Diante das violentas enchentes em Santa Catarina não há como supor que os depósitos a céu aberto de rejeitos de carvão não tenham sido inundados e, com isto, vazado das lagoas de contenção. No entanto, até agora, permanece um rigoroso silêncio da indústria carbonífera e das autoridades de Santa Catarina.

Nossa “grande” mídia, ao contrário do que fez o NYT, também prefere permanecer em silêncio.

Sem saber dos riscos a população, prejudicada pela falta de informação, talvez enfrente severos problemas de contaminação. E, como reza a tradição nacional, as autoridades dirão que nada sabiam…

Para acessarem a matéria do The New York Times, no original em inglês, cliquem aqui.

Matéria de Henrique Cortez, do EcoDebate, 09/01/2009

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