Aquecimento global ameaça as geleiras tibetanas e projeto de transposição aumenta a tensão entre a China e a Índia, por Henrique Cortez

[EcoDebate] O rápido derretimento das geleiras tibetanas e do permafrost ameaçam os rios, lagos e todo sistema pastoral tibetano, também ameaçando diversos ecossistemas asiáticos.

Muitos rios da Ásia, da China ao Paquistão, nascem no platô tibetano ou recebem volumosa contribuição de rios tibetanos. É o caso do rio Amarelo, do Yangtze, do Mekong, Salween, Brahmaputra, Ganges e Indus. O delelo ameaça estes rios e, por consequência, também afetam o abastecimento e a agricultura de diversos paises na região.

A isto se soma uma nova crise entre a Índia e a China, em razão de um projeto de aproveitamento da água do rio Brahmaputra, que nasce no Tibet sob o nome de rio Yalong Tsangpo . Ele, a partir da nascente tibetana, percorre 1600 quilômetros até desaguar no rio Ganges. Na China, em Shuomatan Point, ele assume a forma de um “U” e esta é uma das características que interessa aos chineses

A China passa por uma severa crise de escassez de água, ao lado de um crescente processo de desertificação. Ao mesmo tempo, precisa, desesperadamente, aumentar a sua geração de energia elétrica para viabilizar o seu crescimento.

O governo chinês decidiu pelo máximo aproveitamento dos rios tibetanos, inclusive o seu potencial para a geração de 40 mil megawatts. Foi criado um projeto de desvio e transposição de rios tibetanos, para três canais artificiais para abastecer o semi-árido do norte da China.

Serão transpostos os rios Yalong (Brahmaputra), Dadu e Jinsha para o rio Amarelo, essencial para o abastecimento para a agricultura e indústria da China.

Beijing, com o argumento de 25% de seu território é desértico e que precisa de mais água, irá transpor, destes rios tibetanos, mais de 40 bilhões de metros cúbicos ao ano.

Mas, diante do degelo dos glaciares tibetanos e da, consequente, redução da vazão de seus rios, está aumentando a tensão entre a China e os demais países, principalmente a Índia.

China, índia, Bangladesh, Nepal, Paquistão, Tailândia, Myanmar, Laos, Camboja e Vietnam, com 47% da população mundial, compartilham e são dependentes destes rios do platô tibetano. Daí ao conflito é um passo.

A transposição do rio Yalong Tsangpo reduzirá, significativamente, a vazão do rio Brahmaputra, afetando a índia e Bangladesh, o que estes países, naturalmente, consideram inaceitável.

A Índia, em especial, preocupa-se com este projeto de transposição e, em razão de disputas territoriais ainda não resolvidas, não possui um tratado com a China para o compartilhamento de recursos hídricos transfronteiriços.

Por agora, as discussões ainda são diplomáticas sobre um projeto ainda não realizado. Mas, à vista da disposição da China de realizar esta transposição a qualquer custo, talvez leve a um perigoso conflito entre dois gigantes asiáticos.

[Por Henrique Cortez, do EcoDebate, 31/01/2009]

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