Estudo diz mais de 1/3 das crianças e adolescentes saudáveis dos EUA tomam vitaminas desnecessariamente, por Henrique Cortez

Archives of Pediatric & Adolescent Medicine

[EcoDebate] Um estudo de pesquisadores da University of California Davis School of Medicine, na edição online da revista Archives of Pediatric & Adolescent Medicine concluiu que mais de 1/3 das crianças e adolescentes saudáveis nos Estados Unidos tomam, diariamente, suplementos vitamínicos e minerais sem precisar. Por outro lado, o estudo também constatou que as crianças que mais precisam de vitaminas não estão sendo medicadas. O mesmo efeito, potencialmente, também pode ocorrer no Brasil.

Os pesquisadores analisaram dados de 10.828 crianças, entre 2 e 17 anos, que participaram, no período de 1999-2004, do National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES). Além do uso de suplementos vitamínicos e minerais, os pesquisadores também analisaram a quantidade de exercícios físicos praticados, os tipos de alimentos ingeridos e se eles tinham ou não acesso a seguro de saúde, entre outros fatores.

A Academia Americana de Pediatria (American Academy of Pediatrics, AAP) não recomenda o uso de vitaminas por crianças saudáveis com mais de 1 ano de idade. Mas, estudos anteriores demonstraram que cerca de um terço das crianças nos Estados Unidos fazem uso diário de multi-vitamínicos. O presente estudo constatou que as crianças que são mais saudáveis, mais ativas, que se alimentam com uma dieta equilibrada e tem maior acesso aos cuidados de saúde são mais propensas a tomar vitaminas.

O estudo constatou que, entre as crianças que tinham excelente saúde, 37% usavam vitaminas. Mas apenas 28% das crianças com saúde precária e/ou carências de vitaminas/minerais faziam uso de suplementos.

O uso desnecessário de suplementos vitamínicos pode acarretar problemas de saúde, inclusive por hipervitaminose. Tomados em grandes quantidades, os suplementos vitamínicos e minerais podem provocar efeitos adversos graves, que vão desde vômitos, até danos aos rins.

Os pesquisadores dizem que as futuras pesquisas sobre este tema, provavelmente, incluirão entrevistas diretas com os pais, para saber por que razão escolheram a dar aos seus filhos suplementos de vitaminas, nos casos em que não existiam razões ou prescrições médicas.

O estudo também observou que fatores sócio-demográficos que influenciam a utilização de suplementos vitamínicos e minerais são os mesmos que influenciam o acesso à alimentação saudável, exercício regular e manutenção de um peso corporal saudável.

Os resultados parecem suportar a hipótese de que o custo é uma barreira para as crianças terem acesso às vitaminas. Entre as famílias consideradas abaixo do limite de pobreza, 22% das crianças utilizaram vitaminas. O número saltou para 43 por cento entre os que não são considerados pobres.

Entre as famílias não inscritas no programa federal Food Stamp, 38% crianças utilizaram vitaminas. Mas, em agregados familiares com acesso a alimentos pelo Food Stamp a utilização de vitaminas foi de 18% e 36% das crianças de famílias sem risco de insegurança alimentar tomavam vitaminas, contra apenas 15% das crianças de grupos familiares sob risco de insegurança alimentar fome.

Embora seja uma pesquisa norte-americana sobre uma questão nos EUA, podemos acreditar que o mesmo aconteça no Brasil. Talvez mais, considerando que a automedicação, no Brasil, chega a ser um problema de saúde pública.

Apesar de diversos estudos, que demonstram restritas aplicações das vitaminas, ainda assim, elas são largamente consumidas, como se tivessem, por si mesmas, o poder de evitar doenças.

Vejam alguns casos que já noticiamos:

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A pesquisa “Vitamin and Mineral Supplement Use by Children and Adolescents in the 1999-2004 National Health and Nutrition Examination Survey: Relationship With Nutrition, Food Security, Physical Activity, and Health Care Access“, apenas está disponível para assinantes da revista Archives of Pediatric & Adolescent Medicine.

Abaixo transcrevemos o abstract:

Vitamin and Mineral Supplement Use by Children and Adolescents in the 1999-2004 National Health and Nutrition Examination Survey, Relationship With Nutrition, Food Security, Physical Activity, and Health Care Access, de Ulfat Shaikh, MD, MPH; Robert S. Byrd, MD, MPH; Peggy Auinger, MS
Archives of Pediatric & Adolescent Medicine, 2009;163(2):150-157.

Objective
To determine if vitamin and mineral supplement use among children and adolescents in the United States is associated with nutrition, food security, physical activity, and health care access.

Design
Secondary analysis of nationally representative data from the 1999-2004 National Health and Nutrition Examination Survey.

Setting
Questionnaires, household interviews, and medical examinations.

Participants
Children and adolescents 2 to 17 years of age (N = 10 828).

Main Exposure
Vitamin and mineral supplement use in the past month.

Main Outcome Measures
Demographics, nutrition, food security, physical activity, and health care access.

Results
Approximately 34% (SE 1.2) used vitamin and mineral supplements in the past month, with underweight subjects reporting greater intake. Younger age, non-Hispanic white race/ethnicity, being born in the United States, higher milk intake, lower total fat and cholesterol intake, higher dietary fiber intake, higher income, greater food security, lower media/computer use, greater physical activity, lower body mass index, health insurance coverage, better health care access, and better self-reported health were associated with greater use of vitamin and mineral supplements. Such supplements contributed significantly to total daily dietary intakes of vitamins and minerals.

Conclusions
A large number of US children and adolescents use vitamin and mineral supplements, which for most may not be medically indicated. Such supplements contribute significantly to total dietary intakes of vitamins and minerals, and studies of nutrition should include their assessment. Since vitamin and mineral supplement users report greater health care access, health care providers may be in a position to provide screening and counseling regarding dietary adequacy and indications for supplement use.

Author Affiliations: University of California Davis School of Medicine, Sacramento (Drs Shaikh and Byrd); and University of Rochester School of Medicine and Dentistry, Rochester, NY (Ms Auinger).

[Por Henrique Cortez, do EcoDebate, com informações da University of California – Davis – Health System, 04/02/2009]

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