A energia suja reage e tenta manter o seu padrão de crescimento

carvão

[Por Henrique Cortez, do EcoDebate] A indústria do carvão e a geração termelétrica a carvão iniciam sua reação às energias limpas, principalmente com as promessas de um ‘carvão limpo’.

Mesmo antes da crise financeira global já não havia qualquer indicador real de um processo de substituição da geração a carvão, por qualquer outra, mesmo a nuclear, como discutimos em “Termelétricas a carvão continuam reinando absolutas” .

O presidente Obama, como também já discutimos anteriormente (O governo Obama, os EUA e o aquecimento global), sempre se comprometeu com os investimentos para pesquisas em energias limpas, mas, igualmente, manteve o compromisso histórico dos EUA com a indústria do carvão, desta vez através do carvão limpo. Agora, a indústria do carvão e a geração termelétrica a carvão se aproveitam da oportunidade

A crise financeira global atingiu severamente as energias limpas, principalmente a eólica e a termo-solar, que ainda precisam de grandes investimentos e subsídios.

Com o argumento de que a geração termelétrica a carvão é a mais barata disponível, e que possui grande potencial de expansão, a indústria reativou o seu lobby e iniciou uma grande campanha publicitária nacional em defesa do carvão.

Em 2008 um grupo denominado “American Coalition for Clean Coal Electricity” gastou US$ 38 milhões em publicidade, defendendo o setor e destacando a importância do ‘carvão limpo’, na propaganda definido como ‘carbon-free”.

O problema é que o ‘carvão limpo’ ainda não existe. A tecnologia para a captura e seqüestro do CO2 emitido por uma termelétrica a carvão ainda está em desenvolvimento, não tendo sido, ainda, testada em escala comercial.

E mesmo se desenvolvida e provada, ela certamente irá encarecer a energia, neutralizando o argumento de que a geração termelétrica a carvão é a mais barata, abundante e disponível.

A outra questão está em definir quem financiará a conversão das mais de 600 usinas atualmente em operação para a nova tecnologia?

Neste caso, é importante avaliar o precedente ocorrido com o Clean Air Act, a legislação norte-americana que regula a emissão de poluentes atmosféricos. A edição de 1970 não regulou as emissões das termelétricas a carvão.

Apenas na edição de 1990, dedicou especial atenção à redução da chuva ácida, ao ozônio de baixa altitude, aos particulados e quaisquer outras emissões potencialmente tóxicas. Esta atualização da legislação atingiu, em cheio, a geração a carvão e a industria de petróleo.

No entanto, os setores atingidos receberam um prazo de até 10 anos para adaptação. A maioria das termelétricas adaptou-se com razoável facilidade, através da instalação de filtros especiais.

Bem, pelo menos em tese, porque um relatório demonstrou que a emissão de mercúrio, pela queima de carvão, aumentou em 2007 em relação a 2006. Isto é especialmente importante se consideramos que o mercúrio já havia sido proibido, formalmente, pelo Clean Air Act de 1970.

De acordo com relatório da ONG Environmental Integrity Project, as 50 mais poluentes usinas termelétricas a carvão, nos EUA, emitiram, para a atmosfera, 20 toneladas de mercúrio tóxico em 2007. Todas as termelétricas avaliadas apresentaram um aumento emissões de mercúrio em comparação com 2006. (leiam mais em EUA: Relatório denuncia o aumento das emissões de mercúrio pelas usinas termelétricas a carvão)

Este foi o argumento para o departamento de justiça, na administração Obama, revogar uma decisão que teria criado um regime de ‘cap-and-trade’ para emissão de mercúrio, em usinas termelétricas a carvão, indicando que a nova administração vai regulamentar diretamente as emissões de mercúrio.

De qualquer forma, sob qualquer abordagem, a administração Obama ainda está andando em círculos, tentando encontrar uma solução intermediária, principalmente, porque alguns analistas afirmam que a adoção do ‘carvão limpo’ é uma atualização tecnológica muito mais cara, complicada e demorada do que, aparentemente, foi a adaptação para uso de filtros redutores de emissão de gases tóxicos.

Uma boa demonstração da diferença entre a proposta e a realidade pode estar na recente declaração de Michael G. Morris, executivo chefe da American Electric Power, Columbus, Ohio, uma das maiores termelétricas dos EUA. Questionado quanto à adoção integral da nova tecnologia ‘limpa’ até 2030, ele respondeu diretamente: É impossível.

Logo abaixo está uma notícia do Portal Exame, enviada pelo leitor Edinilson Takara, que demonstra a capacidade de sobrevivência da indústria do carvão e o seu imenso poder econômico.

Ao que tudo indica, o cenário de emissões de CO2, nas próximas duas e decisivas décadas, não sofrerá alterações significativas.

Vale, Xstrata e Rio disputam mina de US$2 bi na Mongólia

Por Joseph Chaney e Michael Flaherty

HONG KONG (Reuters) – A Vale, a Xstrata e a Rio Tinto estão entre as companhias que apresentaram propostas para desenvolver a mina de carvão de Tavan Tolgoi, na Mongólia, avaliada em 2 bilhões de dólares, segundo duas fontes com acesso direto ao assunto.

O governo da Mongólia contratou o Deutsche Bank e o JP Morgan para vender até 49 por cento de participação no depósito. A BHP Billiton e a gigante do carvão China Shenhua Energy também fizeram propostas, segundo as fontes.

A Tavan Tolgoi, normalmente chamada de o maior depósito não utilizado de carvão para coqueificação do mundo, tem reservas de 6,5 bilhões de toneladas e também está atraindo propostas de consórcios japoneses, russos e de empresas coreanas, disse uma das fontes.

Mas a Shenhua, que analistas consideram há tempos como a principal ofertante por causa da proximidade da China com a Mongólia, pode não ter um status de líder no processo, afirmou a fonte.

“Não seria um lance errado imaginar que a Shenhua é parte que vai conseguir esse desenvolvimento”, afirmou um membro de um banco de investimento baseado em Hong Kong, acrescentando que o governo mongol está inclinado em direção a um grupo internacional e diversificado.

As fontes pediram para não serem identificadas por causa da natureza sensível do processo, que está em etapa preliminar.

As propostas têm sido entregues em diferentes formas, algumas são ofertas detalhadas de desenvolvimento do depósito e outras são expressões de interesse de uma página, afirmou o membro do banco de investimento.

“Basicamente, carvão de coque de boa qualidade é uma commodity bem escassa no longo prazo e tais ativos tão grandes são difíceis de aparecer, então as empresas com visão de longo prazo podem considerar os ativos atraentes”, disse Malcolm Southwood, analista do Goldman Sachs, em Melbourne.

Uma oferta restrita no ano passado ajudou a mais que dobrar o preço do carvão de coque duro, que é usado no setor de siderurgia, para 300 dólares a tonelada, uma vez que siderúrgicas ao redor do mundo consumiram grandes quantidades da commodity quando o mercado ainda estava passando por expansão acelerada.

Apesar dos preços terem desabado desde o boom após a queda na demanda por aço, analista afirmam que o cenário de longo prazo para os preços de carvão de coque duro continua robusto.

DIFICULDADES

Informações da imprensa indicam uma série de interessados em potencial, como a japonesa Itochu Corporation e a Peabody. Mas o processo tem sido atravancado por atrasos uma vez que a Mongólia limpa suas leis de mineração. Nenhum cronograma para o desenvolvimento da mina foi confirmado.

“É um ativo fabuloso e isso representará uma grande oportunidade para quem fizer a oferta vencedora, e certamente nós adoraríamos ver esse ativo colocado em ação o quanto antes”, disse Andrew Driscoll, diretor de pesquisa de recursos naturais na CLSA.

A versão de 2006 da legislação de mineração permitia ao Estado compartilhar uma parcela de até 34 por cento dos depósitos encontrados com fundos privados e até 50 por cento dos descobertos com recursos estatais. A Mongólia desde então tem adiado a revisão da lei.

A BHP tinha ganho originalmente o direito de desenvolver a mina de Tavan Tolgoi na década de 1990, mas chegou à conclusão de que não era economicamente viável na época e devolveu a licença à Mongólia.

A venda da Tavan Tolgoi, que significa “cinco cabeças” por causa do contorno do local rodeado por morros, pode dar à Mongólia, que tem renda per capital anual de 1.200 dólares, até 2 bilhões de dólares, mais receitas geradas por sua participação majoritária.

A endividada Rio Tinto, que na semana passada fechou acordo para receber quase 20 bilhões de dólares em investimentos da produtora estatal chinesa de alumínio Chinalco, já tem um projeto conjunto na Mongólia com a canadense Ivanhoe Mines, o depósito de ouro e cobre de Oyu Tolgoi.

Representantes de Vale, Xstrata e Shenhua não estavam imediatamente disponíveis para comentar o assunto. BHP e Rio não se pronunciaram quando procuradas pela Reuters.

(Reportagem adicional de James Regan em Sydney e Fayen Wong em Perth)

* Matéria da Agência Reuters, no Portal Exame, 17 de Fevereiro de 2009 | 07:54

[EcoDebate, 18/02/2009]

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