Descongelamento da turfa ártica aumenta a emissão de óxido nitroso, N2O

Turfeira ártica, na Sibéria, Rússia. Foto do NASA Goddard Institute for Space Studies (GISS)
Turfeira ártica, na Sibéria, Rússia. Foto do NASA Goddard Institute for Space Studies (GISS)

[Por Henrique Cortez, do EcoDebate] O óxido nitroso, N2O, conhecido como gás do riso e utilizado, em alguns países, como anestésico, é um poderoso gás com efeito estufa. O descongelamento do Ártico está aumentando a sua emissão.

Até recentemente, a maior parte das emissões de N2O era originada das florestas tropicais e da agricultura intensiva, mas a sua quantidade atmosférica não era suficiente para agregar valor ao aquecimento global.

Mas isto pode estar mudando. Pesquisadores da University of Kuopio, Finlândia, mediram a sua emissão a partir da turfa na Rússia. Estes solos ocupam 20% de toda área do Ártico e já eram considerados sensíveis para o aquecimento global, pelo seu potencial de emissão de metano.

De acordo com a pesquisa [“Large N2O emissions from cryoturbated peat soil in tundra”], publicada na revista Nature Geoscience, duurante o período sem neve, foi identificado que a emissão da turfa foi de 1.2 gramas/m2 de N2O, equivalente à emissão por m2 das florestas tropicais em um ano.

O N2O é pouco representativo dentre os gases estufa, comparado com o CO2 e o metano, mas é muito mais persistente. Em termos de potencial de aquecimento, o metano, um gás estufa 20 vezes mais potente que o CO2, persistindo na atmosfera por 10 anos, enquanto que o oxido nitroso persiste por 110 anos.

Em termos comparativos, de potencial de aquecimento, o óxido nitroso é um gás estufa 310 vezes mais potente que o CO2.

O aquecimento global, que está degelando o permafrost e, com isto, aumentando a emissão de metano, também está aumentando a emissão de N2O, pelo descongelamento da turfa.

Estes são perigosos indicativos do que os cientistas chamam de “processo de realimentação do aquecimento”. Isto é, o aquecimento está contribuindo para que surjam novos fatores de emissão de estoques de gases estufa, que, por sua vez, aceleram o aquecimento global.

Pesquisa anterior já havia destacado o risco do descongelamento das turfeiras árticas. Leiam, sobre isto, em “Aquecimento global aumentará a emissão de carbono a partir de turfeiras“.

O artigo “Large N2O emissions from cryoturbated peat soil in tundra”, publicado na revista Nature Geoscience, apenas está disponível para assinantes. Abaixo transcrevemos o abstract.

Large N2O emissions from cryoturbated peat soil in tundra

Maija E. Repo, Sanna Susiluoto, Saara E. Lind, Simo Jokinen, Vladimir Elsakov, Christina Biasi, Tarmo Virtanen, Pertti J. Martikainen
Nature Geoscience, Published online: 15 February 2009 | doi:10.1038/ngeo434

Nitrous oxide is a potent greenhouse gas whose concentration is increasing in the atmosphere1. So far, the highest terrestrial nitrous oxide emissions have been measured in agricultural and tropical soils2, 3, and nitrous oxide emissions from northern natural soils have been considered negligible4, 5. Pristine tundra, one of the largest natural land cover types in the world, is a mosaic of different surface types including bare surfaces created by cryoturbation6, 7. Here we used a static chamber method to measure nitrous oxide emissions from the discontinuous permafrost zone in subarctic East European tundra. We show that nitrous oxide emissions from bare peat surfaces in the region, known as peat circles, range between 0.9 and 1.4 g nitrous oxide m-2 from June to October, and are equivalent to those from tropical and agricultural soils. Extrapolation of our data to the whole Arctic reveals that the emissions from these hot spots could amount to approx0.1 Tg nitrous oxide yr-1, corresponding to 4% of the global warming potential of Arctic methane emissions at present. Therefore, not only carbon, but also nitrogen stored in permafrost soils, has to be considered when assessing the present and future climatic impact of tundra.

[EcoDebate, 20/02/2009]

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