O Ártico está se aquecendo duas vezes mais rápido do que a média do planeta

degelo

[Por Henrique Cortez, do EcoDebate] O rápido aquecimento do Ártico é um dos fenômenos que mais intrigam os cientistas e é um fator importante para avaliação da intensidades dos danos do aquecimento global.

Muitos cientistas e pesquisadores estão trabalhando na identificação dos fatores determinantes deste aquecimento excepcional. Agora, dois novos estudos mostram que o efeito estufa é mais forte no Ártico e que as suas águas também estão emitindo calor na atmosfera.

Um dos fatores envolvidos no aquecimento é a redução da refletividade, ou albedo. Com o degelo, o solo e o oceano, mais escuros do que o gelo, ficam mais expostos e com menor refletividade.

Com isto menos energia é refletida de volta no espaço e a região aquece ainda mais. Esta foi a conclusão de uma das pesquisas [Polar amplification in a coupled climate model with locked albedo], que foi publicada na revista Climate Dynamics.

Mas este é apenas um dos fatores que por si mesmo não explica porque o aquecimento está mais intenso no Ártico do que no resto do planeta.

A outra pesquisa [The emergence of surface-based Arctic amplification], publicada na revista The Cryosphere, vol 3 p 11, procurou outros fatores associados ao aquecimento.

De acordo com a pesquisa, os modelos mostram que o efeito estufa gradualmente fica mais forte em latitudes superiores a 30 ° N e que isto é devido ao degelo, que expõe trechos cada vez maiores do oceano.

A exposição do oceano aumenta a evaporação e o vapor d’água possui impacto no efeito estufa. A evaporação e o conseqüente aumento do vapor d’água aumentam o degelo, o qual, por sua vez aumenta a evaporação. É o chamado efeito de realimentação do aquecimento.

Efeito semelhante foi observado na Antártida com resultados diversos. Lá o degelo realmente está aumentando a superfície escura do oceano exposta e a temperatura litorânea aumenta, mas no interior a temperatura está caindo e acumulando mais gelo. Em outras pesquisas foi identificado que o aumento da evaporação, também aumenta a umidade, que está sendo transportada para o interior do continente antártico, gerando mais neve e gelo.

A região também está sofrendo os efeitos do derretimento do permafrost, da tundra e das turfeiras.

Estes impactos associados estão preocupando diversos cientistas, que começam a questionar se o derretimento do Ártico e da Groelândia não foi subestimado.

A pesquisa “Polar amplification in a coupled climate model with locked albedo”, publicada na revista Climate Dynamics, apenas está disponível para assinantes. Para acessar o abstract clique aqui.

A pesquisa “The emergence of surface-based Arctic amplification”, publicada na revista The Cryosphere, 3, 11-19, 2009, está disponível para acesso ou download no formato PDF. Para acessar o artigo clique aqui.

[EcoDebate, 20/02/2009]

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