Aquecimento global: Dias mais quentes aumentam as internações hospitalares por problemas respiratórios

Alterações na temperatura européia em relação à média. Imagem da Wikipédia
Alterações na temperatura européia em relação à média. Imagem da Wikipédia

[Por Henrique Cortez, do Ecodebate] As temperaturas mais altas no verão europeu, em razão do aquecimento global/mudanças climáticas, aumentam as internações hospitalares por problemas respiratórios, de acordo com uma análise de dados provenientes de doze cidades européias, de Dublin a Valência.

Os dados provêm do “Assessment and Prevention of Acute Health Effects of Weather Conditions in Europe” (PHEWE), um trabalho de análise, resultado de três anos de colaboração entre os epidemiologistas, meteorologistas e especialistas em saúde pública, que investigaram os efeitos a curto prazo das novas condições meteorológicas na Europa.

Com o aquecimento global os verões europeus já estão mais quentes e as ondas de calor estão mais freqüentes, iniciando novos efeitos secundários, inclusive com impactos na saúde pública.

O projeto PHEWE avaliou os efeitos das altas temperaturas nas hospitalizações, em regiões e condições climáticas diferentes na Europa. Os pesquisa descobriram que, para cada grau de aumento na temperatura média, houve um aumento médio de 4% nas internações relacionadas a problemas respiratórios. Não foram identificados aumentos nas internações por problemas cardiovasculares ou neurológicos.

Os resultados foram publicados na primeira edição de março da revista Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, da American Thoracic Society.

O estudo acompanhou as internações em doze cidades européias. Cada cidade forneceu dados de um período mínimo de três anos entre 1990 e 2001, detalhando internação hospitalar, dados meteorológicos e registros de poluição atmosférica.

Eles então computada uma “temperatura máxima aparente” (Tappmax) para cada cidade, utilizando um índice que representava tanto a temperatura do ar como a umidade.

O pesquisadores descobriram que a Tappmax Dublin era de 14,7 º C enquanto que em Valência foi de 29,5 º C.

Com o aumento das temperaturas ocorreu o aumento das internações hospitalares por problemas respiratórios em todas as idades e, especialmente, no grupo etário 75 +.

A preocupação com os impactos na saúde pública é relevante, principalmente se levarmos em consideração que a onda de calor que atingiu a Europa em 2003 foi responsável pela morte de milhares de idosos. Só na França ocorreram mais de 14 mil mortes, a grande maioria de idosos.

Com o rápido envelhecimento da população européia e com o aquecimento global, os sistemas de saúde devem se preparar para, eventualmente, enfrentar novas crises, como em 2003.

O artigo “High Temperature and Hospitalizations for Cardiovascular and Respiratory Causes in 12 European Cities” apenas está disponíviel para acesso de assinantes. Abaixo transcrevemos informações do abstract:

High Temperature and Hospitalizations for Cardiovascular and Respiratory Causes in 12 European Cities
Journal of Respiratory and Critical Care Medicine 2009; 179: 383-389.
First published online December 5 2008 as doi:10.1164/rccm.200802-217OC

Abstract

Rationale: Episode analyses of heat waves have documented a comparatively higher impact on mortality than on morbidity (hospital admissions) in European cities. The evidence from daily time series studies is scarce and inconsistent.

Objectives: To evaluate the impact of high environmental temperatures on hospital admissions during April to September in 12 European cities participating in the Assessment and Prevention of Acute Health Effects of Weather Conditions in Europe (PHEWE) project.

Methods: For each city, time series analysis was used to model the relationship between maximum apparent temperature (lag 0–3 days) and daily hospital admissions for cardiovascular, cerebrovascular, and respiratory causes by age (all ages, 65–74 age group, and 75+ age group), and the city-specific estimates were pooled for two geographical groupings of cities.

Measurements and Main Results: For respiratory admissions, there was a positive association that was heterogeneous between cities. For a 1°C increase in maximum apparent temperature above a threshold, respiratory admissions increased by +4.5% (95% confidence interval, 1.9–7.3) and +3.1% (95% confidence interval, 0.8–5.5) in the 75+ age group in Mediterranean and North-Continental cities, respectively. In contrast, the association between temperature and cardiovascular and cerebrovascular admissions tended to be negative and did not reach statistical significance.

Conclusions: High temperatures have a specific impact on respiratory admissions, particularly in the elderly population, but the underlying mechanisms are poorly understood. Why high temperature increases cardiovascular mortality but not cardiovascular admissions is also unclear. The impact of extreme heat events on respiratory admissions is expected to increase in European cities as a result of global warming and progressive population aging.

[EcoDebate, 25/02/2006, com informações de Keely Savoie, da American Thoracic Society]

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