Estudo identifica que a onda de calor de 2006 na Califórnia aumentou a mortalidade

aquecimento global

[Por Henrique Cortez, do EcoDebate] A Califórnia, no final de julho de 2006, foi afetada por uma onda de calor extrema, superando recordes históricos de temperatura em diversas regiões do estado.

Agora, um estudo realizado por pesquisadores da Mailman School of Public Health, do Natural Resources Defense Council e do California Department of Public Health informa que a onda de calor teve um impacto substancial nas taxas de mortalidade em toda a Califórnia, resultando em um aumento nas internações de emergência.

Por uma melhor compreensão desses impactos e vulnerabilidades da população, as comunidades locais precisam melhorar sua preparação para uma onda de calor, tendência crescente diante do aquecimento global no futuro.

O estudo “The 2006 California Heat Wave: Impacts on Hospitalizations and Emergency Department Visits” foi publicado na edição de janeiro de 2009 da revista Environmental Health Perspectives.

Durante a onda de calor de 2006, no período de 15/7 a 1/08, foram registrados 501.951 atendimentos de urgência hospitalar, contra 485.785 atendimentos no mesmo período no ano anterior, no qual não ocorreu uma onda de calor.

“O efeito dramático da onda de calor em 2006 ED visitas sugere que o avanço preparação esforços devem ser empreendidos para permitir uma rápida adaptação às condições atmosféricas extremas, quando eventos ocorrem”, sugere o Dr. Kim Knowlton, professor assistente clínico de Ciências da Saúde Ambiental na Escola Mailman de Saúde Pública e cientista sênior no Programa de Saúde e Meio Ambiente do Conselho da Defesa dos Recursos Naturais.

Os pesquisadores também avaliaram que doenças foram exacerbados pela onda de calor na Califórnia e concluíram que houve aumentos significativos relatados para insuficiência renal aguda, doenças cardiovasculares, diabetes, desequilíbrio eletrolítico, e nefrite.

Além de idosos, residentes com reconhecida vulnerabilidade ao calor excessivo, as crianças mostraram elevação significativa de risco de mortalidade por estresse térmico.

Este novo estudo confirma um dos maiores riscos do aquecimento global à saúde humana e isto também ameaça o Brasil.

Um bom exemplo dos riscos à saúde pública decorrentes das mudanças climáticas ficou demonstrado na onda de calor na Europa, em 2003. Os dados oficiais informam que esta onda de calor foi responsável por mais de 14 mil mortes na França, 4,2 mil na Itália e Espanha, 2 mil em Portugal e mais de 2 mil no Reino Unido. Calcula-se que, no total, a onda de calor tenha sido responsável, naquele ano, por mais de 35 mil mortes.

O sistema de saúde entrou em colapso, especialmente na França, aumentando os casos de mortes consideradas evitáveis com atendimento emergencial.

A maioria das vítimas francesas faleceu em razão de desidratação e o sistema público/privados de saúde não estava preparado para atender a milhares de casos simultâneos de desidratação. No Brasil, vivenciamos recentemente, uma situação análoga na epidemia de dengue, em 2008, no Rio de Janeiro, que também encontrou grandes dificuldades em atender à demanda por reidratação.

Basta lembrar do caos na saúde pública nos últimos surtos epidêmicos de dengue, para compreender que as preocupações dos profissionais em saúde publica nos EUA e Europa, com os riscos potenciais decorrentes das mudanças climáticas.

No nosso caso, se enfrentássemos uma onda de calor na escala da onda de 2003, certamente teria a dimensão de um pesadelo.

O estudo “The 2006 California Heat Wave: Impacts on Hospitalizations and Emergency Department Visits”, publicado na revista Environmental Health Perspectives, é um claro indicativo que os EUA estão conscientes dos riscos e começam a se preparar para os piores cenários.

O Brasil, em especial, afora as costumeiras bravatas governamentais, também será duramente atingido pelos efeitos das mudanças climáticas. Também já sentimos as crescentes ocorrências de estiagens e ondas de calor, mas nada de concreto está sendo realizado.

Cedo ou tarde enfrentaremos uma grande onda de calor e com ela a ameaça de mortes evitáveis com atendimento médico emergencial.

Ou nos preparamos adequadamente ou sofreremos a perda potencial de milhares de vidas. E nada justificará dizer que não sabiam.

O artigo “The 2006 California Heat Wave: Impacts on Hospitalizations and Emergency Department Visits”, Environmental Health Perspectives Volume 117, Number 1, January 2009, está disponível para acesso integral no formato HTML. Para acessar o artigo na íntegra clique aqui.

Para maiores informações transcrevemos o abstract:

The 2006 California Heat Wave: Impacts on Hospitalizations and Emergency Department Visits
Environmental Health Perspectives Volume 117, Number 1, January 2009
Kim Knowlton,1,2 Miriam Rotkin-Ellman,3 Galatea King,4 Helene G. Margolis,4,5 Daniel Smith,4 Gina Solomon,3,6,7Roger Trent,8 and Paul English4

1Health and Environment Program, Natural Resources Defense Council, New York, New York, USA; 2Environmental Health Sciences Department, Mailman School of Public Health, Columbia University, New York, New York, USA; 3Health and Environment Program, Natural Resources Defense Council, San Francisco, California, USA; 4California Department of Public Health, Environmental Health Investigations Branch, Richmond, California, USA; 5Department of Internal Medicine, School of Medicine, University of California Davis, Sacramento, California, USA; 6Pediatric Environmental Health Specialty Unit, California Poison Control System San Francisco, University of California San Francisco, San Francisco, California, USA; 7School of Medicine, University of California San Francisco, San Francisco, California, USA; 8California Department of Public Health, Epidemiology and Prevention for Injury Control Branch, Sacramento, California, USA

Abstract
Background: Climate models project that heat waves will increase in frequency and severity. Despite many studies of mortality from heat waves, few studies have examined morbidity.

Objectives: In this study we investigated whether any age or race/ethnicity groups experienced increased hospitalizations and emergency department (ED) visits overall or for selected illnesses during the 2006 California heat wave.

Methods: We aggregated county-level hospitalizations and ED visits for all causes and for 10 cause groups into six geographic regions of California. We calculated excess morbidity and rate ratios (RRs) during the heat wave (15 July to 1 August 2006) and compared these data with those of a reference period (8–14 July and 12–22 August 2006) .

Results: During the heat wave, 16,166 excess ED visits and 1,182 excess hospitalizations occurred statewide. ED visits for heat-related causes increased across the state [RR = 6.30 ; 95% confidence interval (CI) , 5.67–7.01], especially in the Central Coast region, which includes San Francisco. Children (0–4 years of age) and the elderly (? 65 years of age) were at greatest risk. ED visits also showed significant increases for acute renal failure, cardiovascular diseases, diabetes, electrolyte imbalance, and nephritis. We observed significantly elevated RRs for hospitalizations for heat-related illnesses (RR = 10.15 ; 95% CI, 7.79–13.43) , acute renal failure, electrolyte imbalance, and nephritis.

Conclusions: The 2006 California heat wave had a substantial effect on morbidity, including regions with relatively modest temperatures. This suggests that population acclimatization and adaptive capacity influenced risk. By better understanding these impacts and population vulnerabilities, local communities can improve heat wave preparedness to cope with a globally warming future.

[EcoDebate, 03/03/2009, com informações de Stephanie Berger, da Columbia University’s Mailman School of Public Health]

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