Pesquisa conclui que o consumo de brócolis combate inflamações respiratórias

Dr. Marc Riedl, pesquisador líder do estudo e professor assistente de Imunologia Clínica e Alergia na David Geffen School of Medicine, da UCLA
Dr. Marc Riedl, pesquisador líder do estudo e professor assistente de Imunologia Clínica e Alergia na David Geffen School of Medicine, da UCLA

[Por Henrique Cortez, do EcoDebate] Pesquisadores da University of California – Los Angeles, UCLA, relatam que um composto naturalmente encontrado em crucíferos, como brócolis e outros vegetais, pode ajudar a proteger contra inflamações respiratórias, que provocam asma, rinite alérgica e doença pulmonar obstrutiva crônica.

Publicada na edição de março da revista Clinical Immunology, a pesquisa mostra que sulforaphane, um produto químico no brócolis, desencadeia um aumento de enzimas antioxidantes nas vias respiratórias humanas, oferecendo proteção contra o ataque dos radicais livres que respiramos diariamente com o ar poluído , pólen, escape de diesel e fumo do tabaco.

“Este é um dos primeiros estudos mostrando que brócolis, amplamente disponível como fonte alimentar , ofereceu potentes efeitos biológicos para estimular uma resposta antioxidante em seres humanos”, disse o Dr. Marc Riedl, pesquisador líder do estudo e professor assistente de Imunologia Clínica e Alergia na David Geffen School of Medicine, da UCLA.

“Encontramos de duas a três vezes mais enzimas antioxidantes nas celular da via aérea nasal nos participantes do estudo, que tinham comido uma preparação de brócolis”, diz Riedl. “Essa estratégia pode oferecer proteção contra processos inflamatórios e poderia conduzir a potenciais tratamentos para uma variedade de condições respiratórias.”

A equipe trabalhou com 65 voluntários, que foram dadas diferentes doses orais de alfafa ou brócolis. Brócolis é a mais rica fonte natural de sulforaphane e a alfafa, que não contêm o composto, serviu como um placebo.

Lavagens de fossas nasais foram coletadas no início e no final do estudo para avaliar a expressão gênica de enzimas antioxidantes em células das vias aéreas superiores. Os investigadores encontraram um aumento significativo das enzimas antioxidantes nos que consumiram brócolis, em doses de 100 gramas ou mais, em comparação com o grupo placebo.

A dose máxima de 200 gramas gerou um aumento de 101% de uma enzima antioxidante chamada GSTP1 e um aumento de 199% outra enzima chamada NQO1.

“Uma grande vantagem do sulforaphane é que ele parece aumentar uma ampla gama de enzimas antioxidantes, compostos que podem ajudar a sua eficácia em bloquear os efeitos nocivos da poluição do ar”, disse Riedl.

Segundo os autores, não foram identificados efeitos colaterais graves nos participantes do estudo, demonstrando que esta pode ser uma forma eficaz, segura de estratégia de estimula antioxidante, para ajudar a reduzir o impacto inflamatórias dos radicais livres.

O estudo não permite identificar uma posologia específica mas, ainda assim, os pesquisadores destacam a recomendação do consumo diário de crucíferos, incluindo brócolis e outros vegetais, como parte de uma dieta saudável.

O estudo foi financiado pelo National Institutes of Health, pelo National Institute of Environmental Health Sciences e pela U.S. Environmental Protection Agency (EPA).

O artigo “Oral sulforaphane increases Phase II antioxidant enzymes in the human upper airway“, publicado na revista Clinical Immunology, Volume 130, Issue 3, March 2009, Pages 244-251, apenas está disponível para assinantes. Abaixo transcrevemos o abstract:

Oral sulforaphane increases Phase II antioxidant enzymes in the human upper airway

Background
Cellular oxidative stress is an important factor in asthma and is thought to be the principle mechanism by which oxidant pollutants such as ozone and particulates mediate their pro-inflammatory effects. Endogenous Phase II enzymes abrogate oxidative stress through the scavenging of reactive oxygen species and metabolism of reactive chemicals.

Objective
We conducted a placebo-controlled dose escalation trial to investigate the in vivo effects of sulforaphane, a naturally occurring potent inducer of Phase II enzymes, on the expression of glutathione-s-transferase M1 (GSTM1), glutathione-s-transferase P1 (GSTP1), NADPH quinone oxidoreductase (NQO1), and hemoxygenase-1 (HO-1) in the upper airway of human subjects.

Methods
Study subjects consumed oral sulforaphane doses contained in a standardized broccoli sprout homogenate (BSH). RNA expression for selected Phase II enzymes was measured in nasal lavage cells by RT-PCR before and after sulforaphane dosing.

Results
All subjects tolerated oral sulforaphane dosing without significant adverse events. Increased Phase II enzyme expression in nasal lavage cells occurred in a dose-dependent manner with maximal enzyme induction observed at the highest dose of 200 g broccoli sprouts prepared as BSH. Significant increases were seen in all sentinel Phase II enzymes RNA expression compared to baseline. Phase II enzyme induction was not seen with ingestion of non-sulforaphane containing alfalfa sprouts.

Conclusion
Oral sulforaphane safely and effectively induces mucosal Phase II enzyme expression in the upper airway of human subjects. This study demonstrates the potential of antioxidant Phase II enzymes induction in the human airway as a strategy to reduce the inflammatory effects of oxidative stress.
Clinical implications

This study demonstrates the potential of enhancement of Phase II enzyme expression as a novel therapeutic strategy for oxidant induced airway disease.
Capsule summary

A placebo-controlled dose escalation trial demonstrated that naturally occurring sulforaphane from broccoli sprouts can induce a potent increase in antioxidant Phase II enzymes in airway cells.

Keywords: Oxidative stress; Antioxidants; Asthma; Allergic inflammation; Sulforaphane; Phase II enzymes; Air pollution

Abbreviations: ARE, antioxidant response element; BEC, bronchial epithelial cells; BSH, broccoli sprout homogenate; DEP, diesel exhaust particles; GSTM1, glutathione-s-transferase M1; GSTP1, glutathione-s-transferase P1; HO1, hemeoxygenase-1; ITC, isothiocyanate; MAPK, mitogen activated protein kinase; NF-?B, nuclear factor kappa B; NLF, nasal lavage fluid; NQO1, NADPH quinone oxidoreductase 1; Nrf-2, Nuclear erythroid 2 p45-related factor 2; OS, oxidative stress; PII, phase II; ROS, reactive oxygen species; RT-PCR, real-time quantitative reverse transcriptase-polymerase chain reaction; SFN, sulforaphane; SGS, sulforaphane gluconsinolates; WFI, water for injection

[Do EcoDebate, 05/03/2009, com Rachel Champeau, University of California – Los Angeles]

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