Estudo confirma que a combinação de pesticidas é ainda mais mortal para peixes

[Por Henrique Cortez, do EcoDebate] Pesquisadores identificaram que pesticidas comuns na agricultura comercial que podem ‘atacar’ o sistema nervoso central dos salmões tornam-se ainda mais mortais quando combinados com outros pesticidas.

Cientistas do NOAA Fisheries Service e da Washington State University esperavam entrar efeitos perigosos nos pesticidas acumulados na água, mas ficaram supresos com a sinergia mortal de algumas combinações de pesticidas, mesmo quando combinados em níveis considerados baixos.

O estudo [The Synergistic Toxicity of Pesticide Mixtures: Implications for Risk Assessment and the Conservation of Endangered Pacific Salmon] fixou-se em cinco pesticidas comuns: diazinon, malathion, chlorpyrifos, carbaryl and carbofuran, sendo que todos afetam as enzimas necessarias para que o sistema nervoso funcione adequadamente.

Os resultados da pesquisa indicam que os atuais procedimentos de avaliação de segurança para os pesticidas, que avalia os efeitos de casa um isoladamente, devem ser revistos. Os pesticidas combinados, mesmo quando isoladamente estão dentro de níveis formalmente considerados seguros, formam uma mistura mortal e como tal devem ser testados, em especial, de acordo com os autores, no que se refere aos peixes sob proteção especial, conforme o Endangered Species Act. O estudo foi publicado na edição online da revista Environmental Health Perspectives.

No estudo, os pesquisadores combinaram os pesticidas em grupos de dois, em diversas concentrações, e expuseram jovens salmões, em tanques, por quatro dias. A maioria dos salmões morreu durante o período de exposição.

Os poucos sobreviventes tiveram os cérebros analisados para verificação dos níveis da enzima acetylcholinesterase, que permite os impulsos entre os neurônios. Em todos os espécimes analisados os níveis da enzima foram considerados abaixo dos níveis considerados saudáveis.

Os pesticidas avaliados nas combinações estavam, individualmente, dentro dos níveis considerados seguros para os salmões.

As misturas tóxicas de pesticidas ocorrem com frequência, principalmente em áreas agrícolas de multi culturas, em que cada uma utiliza, isoladamente, um tipo de agrotóxico.

Estes agrotóxicos acumulam-se nos rios e lados, misturando-se e formando estas combinações letais que a pesquisa avaliou.

Os pesquisadores destacam a necessidade de que sejam desenvolvidos novos parâmetros de segurança para os pesticidas, levando em consideração a possibilidade real de que formem misturas não programadas. Além do mais, quando maior a concentração individual, mais letal se torna a combinação.

O risco, no entanto, deve ser também avaliado em relação às demais espécies, inclusive a humana e, para isto, novas pesquisas se tornam necessárias. De uma forma ou de outra, novos parâmetros de segurança devem ser definidos, inclusive com a criação de áreas de exclusão para combinação de pesticidas.

A pesquisa “The Synergistic Toxicity of Pesticide Mixtures: Implications for Risk Assessment and the Conservation of Endangered Pacific Salmon“, publicada na Environmental Health Perspectives Volume 117, Number 3, March 2009, está disponível para acesso integral no formato HTML. Para acessar a pesquisa clique aqui.

Para maiores informações, publicamos, abaixo, o abstract:

The Synergistic Toxicity of Pesticide Mixtures: Implications for Risk Assessment and the Conservation of Endangered Pacific Salmon

Cathy A. Laetz,1 David H. Baldwin,1 Tracy K. Collier,1 Vincent Hebert,2 John D. Stark,3 and Nathaniel L. Scholz1

1NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) Fisheries, Northwest Fisheries Science Center, Seattle, Washington, USA; 2Food and Environmental Quality Laboratory, Washington State University, Richland, Washington, USA; 3Department of Entomology, Ecotoxicology Program, Washington State University, Puyallup, Washington, USA

Abstract

Background:
Mixtures of organophosphate and carbamate pesticides are commonly detected in freshwater habitats that support threatened and endangered species of Pacific salmon (Oncorhynchus sp.) . These pesticides inhibit the activity of acetylcholinesterase (AChE) and thus have potential to interfere with behaviors that may be essential for salmon survival. Although the effects of individual anticholinesterase insecticides on aquatic species have been studied for decades, the neurotoxicity of mixtures is still poorly understood.

Objectives:
We assessed whether chemicals in a mixture act in isolation (resulting in additive AChE inhibition) or whether components interact to produce either antagonistic or synergistic toxicity.

Methods:
We measured brain AChE inhibition in juvenile coho salmon (Oncorhynchus kisutch) exposed to sublethal concentrations of the organophosphates diazinon, malathion, and chlorpyrifos, as well as the carbamates carbaryl and carbofuran. Concentrations of individual chemicals were normalized to their respective median effective concentrations (EC50) and collectively fit to a nonlinear regression. We used this curve to determine whether toxicologic responses to binary mixtures were additive, antagonistic, or synergistic.

Results:
We observed addition and synergism, with a greater degree of synergism at higher exposure concentrations. Several combinations of organophosphates were lethal at concentrations that were sublethal in single-chemical trials.

Conclusion:
Single-chemical risk assessments are likely to underestimate the impacts of these insecticides on salmon in river systems where mixtures occur. Moreover, mixtures of pesticides that have been commonly reported in salmon habitats may pose a more important challenge for species recovery than previously anticipated.

Key words: acetylcholinesterase, carbamates, conservation, organophosphates, pesticides, risk assessment, salmon, synergy, toxicity. Environ Health Perspect 117:348–353 (2009) . doi:10.1289/ehp.0800096 available via http://dx.doi.org/ [Online 14 November 2008]

Address correspondence to N.L. Scholz, NOAA Fisheries, Northwest Fisheries Science Center, 2725 Montlake Blvd. E., Seattle, WA 98112 USA. Telephone: (206) 860-3454. Fax: (206) 860-3335. E-mail: nathaniel.scholz{at}noaa.gov

We thank G. Jack, E. Culbert, J. LePage, B. French, J. Labenia, T. Linbo, and M. Boroja for their valuable assistance. We thank S. Hecht, T. Hawkes, and E. Gallagher for their critical review of this manuscript.

The National Oceanic and Atmospheric Administration Office of Protected Resources and Coastal Storms Program provided financial support for this research.

The authors declare they have no competing financial interests.

Received 14 August 2008 ; accepted 13 November 2008.

[EcoDebate, 11/03/2009]

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