Gorduras trans podem aumentar o risco de câncer de cólon em até 86%

Capa do American Journal of Epidemiology

[Por Henrique Cortez, do EcoDebate] Pesquisa [Consumption of trans-Fatty Acid and Its Association with Colorectal Adenomas] publicada na edição online da revista American Journal of Epidemiology concluiu que o alto consumo de gorduras trans aumenta o risco do desenvolvimento de tumores pré-cancerígenos em até 86%.

O aumento do risco de desenvolvimento de neoplasia colo-retal, conforme identificado na pesquisa, é mais um argumento cientifico pela definição de limites diários seguros para o consumo de gorduras trans.

Entre 2001 e 2002 os pesquisadores da University of North Carolina-Chapel Hill acompanharam 622 pessoas sobre a dieta diária, estilo de vida e informações demográficas. Estas pessoas também fizeram uma completa colonoscopia.

A partir deste grupo, os pesquisadores identificaram que aqueles com dieta rica em gorduras trans apresentaram um risco 86% maior do desenvolvimento de adenoma colo-retal do que aqueles com uma dieta pobre em gorduras trans.

Estes adenomas são pequenos tumores benignos ou pólipos no cólon e reto, que podem evoluir para câncer se não forem tratados. De acordo com a pesquisa, o alto consumo de gorduras trans foi relacionado com o aumento do risco de adenoma colo-retal, mas não foi identificada qualquer influência na quantidade, tamanhou ou localização dos tumores.

As gorduras trans são produzidas a partir de óleos vegetais hidrogenados e, ao contrário de outras gorduras, não tem qualquer valor nutricional.

Este estudo não é o primeiro a relacionar as gorduras trans e o cancer colo-retal, que afeta mais de 150 mil norte-americanos ao ano, sendo o terceiro tipo de cancer mais diagnosticado nos EUA.

Além disto, outras pesquisas já haviam relacionado as gorduras trans com o aumento do colesterol LDL (o colesterol ‘ruim’), a redução do colesterol HDL (o colesterol ‘bom’) e o aumento dos riscos de doenças cardíacas.

Também foi relacionado, em pesquisas anteriores, à redução da fertilidade feminina. Estas pesquisas indicaram que o consumo diário de 4g. de gorduras trans, o equivalente a uma porção grande de batatas fritas, já era suficiente para dobrar o risco de infertilidade.

Na maioria dos países do mundo, o Brasil inclusive, não proíbem a utilização de gorduras trans nos alimentos industrializados, exigindo, apenas, a rotulagem de que o produto contém gordura trans e qual o consumo diário máximo recomendado.

Nos EUA, algumas cidades (que tem o poder constitucional de regular as características nutricionais de alimentos) já proíbem que restaurantes e similares usem gorduras trans. É o caso das cidades de New York, Philadelphia, Boston e Chicago. No estado da Califórnia foi aprovada uma legislação em que as gorduras trans devem ser abolidas em todos os alimentos consumidos no estado até 2011.

A Dinamarca aboliu completamente os alimentos com gorduras trans em 2004.

Outras informações sobre as gorduras trans também podem ser obtidas nas matérias “Indústria diz que está longe de zerar a gordura trans” ,”Estaríamos melhor com banha de porco que com margarina“, “Pesquisa aponta para os riscos do excesso de gordura trans na alimentação de mulheres que estão amamentando“.

A pesquisa “Consumption of trans-Fatty Acid and Its Association with Colorectal Adenomas“, publicada pela revista American Journal of Epidemiology, apenas está disponível para assinantes. Abaixo transcrevemos o abstract:

Consumption of trans-Fatty Acid and Its Association with Colorectal Adenomas

Lisa C. Vinikoor1,2, Jane C. Schroeder1, Robert C. Millikan1, Jessie A. Satia1,2,3, Christopher F. Martin2, Joseph Ibrahim4, Joseph A. Galanko2 and Robert S. Sandler2

1 Department of Epidemiology, School of Public Health, University of North Carolina, Chapel Hill, NC
2 Center for Gastrointestinal Biology and Disease, School of Medicine, University of North Carolina, Chapel Hill, NC
3 Department of Nutrition, School of Public Health, University of North Carolina, Chapel Hill, NC
4 Department of Biostatistics, School of Public Health, University of North Carolina, Chapel Hill, NC

Correspondence to Lisa C. Vinikoor, Campus Box 7555, Center for Gastrointestinal Biology and Disease, School of Medicine, University of North Carolina, Chapel Hill, NC 27599-7555 (e-mail: vinikoor{at}email.unc.edu).

Received for publication January 15, 2008. Accepted for publication April 22, 2008.

trans-Fatty acid consumption is known to have detrimental effects on cardiovascular health, but little is known about its role in digestive tract neoplasia. To investigate the association between colorectal adenomas and trans-fatty acid consumption, the authors utilized data from a cross-sectional study of 622 individuals who underwent complete colonoscopy between 2001 and 2002 at the University of North Carolina Hospitals. Participants were interviewed about demographic, lifestyle, and dietary factors thought to be related to colorectal cancer. trans-Fatty acid consumption, energy adjusted by the residual method, was categorized into quartiles based on its distribution in controls. Compared with participants in the lowest quartile of consumption, those in the highest quartile had an increased prevalence of colorectal adenomas, with an adjusted prevalence odds ratio of 1.86 (95% confidence interval: 1.04, 3.33). The authors further investigated the relation between trans-fatty acid consumption and colorectal neoplasia by examining the adenoma characteristics, with the adjusted prevalence odds ratios showing little or no difference by adenoma location, size, or number. These results suggest that consumption of high amounts of trans-fatty acid may increase the risk of colorectal neoplasia, and they provide additional support to recommendations to limit trans-fatty acid consumption.

[EcoDebate, 21/03/2009]

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