Novo estudo identifica que o consumo de carne vermelha e processada pode aumentar o risco de morte

carne

[Por Henrique Cortez, do EcoDebate] Estudo [Meat Intake and Mortality – A Prospective Study of Over Half a Million People], publicado na revista Archives of Internal Medicine, na edição de 23/03/2009, informa que que as pessoas que consomem carne vermelha e carne processada (presunto, toucinho, lingüiça, salsicha) apresentam um pequeno aumento no risco de morte por diversas causas, como câncer e doenças cardíacas.

Os pesquisadores, ao mesmo tempo, identificaram que o alto consumo de carnes brancas resultou em uma grande redução do risco de morte. O consumo de carne (vermelha e/ou branca), forma de preparação e o o mix de alimentos da dieta diária variam substancialmente ao redor do mundo, o que pode causar resultados ambíguos nas pesquisas.

O estudo acompanhou, por 10 anos, 500 mil pessoas, nos EUA, que participaram do estudo “National Institutes of Health-AARP Diet and Health”, iniciado em 1995. Os participantes, quando do inicio do estudo, tinham entre 50 e 71 anos de idade. O acompanhamento, ao longo dos 10 anos de avaliação, foi registrado nos bancos de dados do Social Security Administration Death Master File / National Death Index.

Durante o período de acompanhamento 47.976 homens e 23.276 mulheres faleceram. 20% dos participantes, homens e mulheres, que consumiam diariamente uma média de 62,5 g de carne vermelha por 1 mil calorias ao dia, apresentaram um risco de morte, por quaisquer causas, muito maior do que os 20% que consumiam diariamente uma média de 9,8 g de carne vermelha/processada por 1 mil calorias ao dia.

Em relação à carne processada, o risco também foi maior nos 20% dos participantes, homens e mulheres, que consumiam diariamente uma média de 22,6 g de carne processada por 1 mil calorias ao dia, em relação aos 20% que consumiam diariamente uma média de 1,6 g de carne processada por 1 mil calorias ao dia.

A pesquisa, portanto, identifica que o risco aumenta na medida em que também aumenta o consumo diário de carne vermelha/processada.

Quando o grupo consumidor de carne vermelha/processada foi comparado com o grupo consumidor de carnes branca foi identificado que este último teve uma significativa redução do risco de morte.

Em termos médios, houve uma redução do risco de morte de 11% para os homens e de 16% para as mulheres. Em relação, especificamente, ao risco por doenças cardíacas, ocorreu uma redução de 11% para os homens e de 21% para as mulheres.

O consumo de carne vermelha/processada pode estar associado ao aumento do risco de morte por diversos fatores, tais como cozimento, presença de gorduras saturadas, etc.

A gordura saturada, por exemplo, já foi associada, em estudos anteriores, ao aumento do risco de desenvolvimento de câncer de mama e câncer colo-retal.

A pesquisa confirma as recomendações do American Institute for Cancer Research e do World Cancer Research Fund de redução do consumo de carne (vermelha e/ou processada ) para reduzir o risco de câncer.

Neste sentido sugerimos que leiam a matéria “Dieta rica em carne pode aumentar o risco de câncer de próstata em 40%” .

O estudo “Meat Intake and Mortality – A Prospective Study of Over Half a Million People“, publicado na revista Archives of Internal Medicine, 2009;169(6):562-571, está disponível para acesso integral no formato HTML. Para acessar o artigo clique aqui.

Para maiores informações publicamos, abaixo, o abstract:

Background
High intakes of red or processed meat may increase the risk of mortality. Our objective was to determine the relations of red, white, and processed meat intakes to risk for total and cause-specific mortality.

Methods
The study population included the National Institutes of Health–AARP (formerly known as the American Association of Retired Persons) Diet and Health Study cohort of half a million people aged 50 to 71 years at baseline. Meat intake was estimated from a food frequency questionnaire administered at baseline. Cox proportional hazards regression models estimated hazard ratios (HRs) and 95% confidence intervals (CIs) within quintiles of meat intake. The covariates included in the models were age, education, marital status, family history of cancer (yes/no) (cancer mortality only), race, body mass index, 31-level smoking history, physical activity, energy intake, alcohol intake, vitamin supplement use, fruit consumption, vegetable consumption, and menopausal hormone therapy among women. Main outcome measures included total mortality and deaths due to cancer, cardiovascular disease, injuries and sudden deaths, and all other causes.

Results
There were 47 976 male deaths and 23 276 female deaths during 10 years of follow-up. Men and women in the highest vs lowest quintile of red (HR, 1.31 [95% CI, 1.27-1.35], and HR, 1.36 [95% CI, 1.30-1.43], respectively) and processed meat (HR, 1.16 [95% CI, 1.12-1.20], and HR, 1.25 [95% CI, 1.20-1.31], respectively) intakes had elevated risks for overall mortality. Regarding cause-specific mortality, men and women had elevated risks for cancer mortality for red (HR, 1.22 [95% CI, 1.16-1.29], and HR, 1.20 [95% CI, 1.12-1.30], respectively) and processed meat (HR, 1.12 [95% CI, 1.06-1.19], and HR, 1.11 [95% CI 1.04-1.19], respectively) intakes. Furthermore, cardiovascular disease risk was elevated for men and women in the highest quintile of red (HR, 1.27 [95% CI, 1.20-1.35], and HR, 1.50 [95% CI, 1.37-1.65], respectively) and processed meat (HR, 1.09 [95% CI, 1.03-1.15], and HR, 1.38 [95% CI, 1.26-1.51], respectively) intakes. When comparing the highest with the lowest quintile of white meat intake, there was an inverse association for total mortality and cancer mortality, as well as all other deaths for both men and women.

Conclusion
Red and processed meat intakes were associated with modest increases in total mortality, cancer mortality, and cardiovascular disease mortality.

[EcoDebate, 25/03/2009]

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