Um quatro da população mundial depende diretamente de terras degradadas

Pasto degradado
Pasto degradado

[Por Henrique Cortez, do EcoDebate] As áreas degradadas estão em expansão em todo o mundo e isto é uma séria ameaça à segurança alimentar. De acordo com a FAO, em razão do declínio a longo prazo na função e na produtividade de um ecossistema, a degradação do solo está aumentando em gravidade e extensão, afetando mais de 20% das terras agrícolas, 30% das florestas e 10% dos pastos.

Um novo estudo [Proxy global assessment of land degradation], publicado na edição online da revista Soil Use and Management confirma as informações da FAO e estima que 24% da população mundial vive no entorno de áreas degradadas e depende diretamente da sua capacidade de produção.

O estudo, através de imagens captadas por sensoriamento remoto, estimou o declínio da qualidade dos solos, da água e da vegetação, para estimar a extensão e o impacto da degradação do solo.

Os resultados indicam que a situação atual é ainda pior do que o estimado oficialmente pela FAO, no estudo “Avaliação da Degradação do Solo em Zonas Áridas” (LADA, em inglês).

A África, o sudoeste da Ásia e o sul da China são as áreas mais afetadas, sendo que a pior situação está na África, na qual, alguns países, já estão com 50% de seu território coberto por áreas degradadas .

É o caso do Congo, Zaire, Guiné Equatorial, Serra Leoa, Zambia e Swazilandia, com 95% de seu territorio degradado. No sudoeste da Ásia, os paises mais afetados Myanmar, Malásia, Tailândia, Laos, Coréia e Indonésia. Em termos de população rural afetada os maiores números absolutos estão China, Índia, Indonésia, Bangladesh e o Brasil.

O ranking por país por população rural afetada com a degradação dos solos é:

1- China (457 milhões de pessoas)
2 – Índia (177 milhões de pessoas)
3 – Indonésia (86 milhões)
4 – Bangladesh (72 milhões)
5 – Brasil (46 milhões)

O aumento populacional e a expansão das áreas degradadas são incompatíveis, indicando que, nas próximas décadas, a ameaça de seguidas crises alimentares torna-se mais provável.

No caso da Índia, Indonésia, Bangladesh e Brasil, o desmatamento e o avanço da fronteira agropecuária sobre áreas de florestas está, claramente, associado à expansão das áreas degradadas. E, nestes países, ainda não existem programas oficiais de recuperação da capacidade produtiva destas áreas.

O estudo “Proxy global assessment of land degradation“, publicado na Soil Use and Management, está disponivel para acesso integral no formato HTML. Para acessar o artigo clique aqui.

Para maiores informações publicamos, abaixo, o abstract:

Proxy global assessment of land degradation
Z. G. Bai 1 , D. L. Dent 1 , L. Olsson 2 & M. E. Schaepman 3
1 ISRIC – World Soil Information, Box 353, 6700 AJ Wageningen, The Netherlands , 2 Lund University Centre for Sustainability Studies, Box 170, S-22100 Lund, Sweden , and 3 Wageningen University Centre for Geo-Information, Box 47, 6700 AA Wageningen, The Netherlands

Correspondence to D. L. Dent. E-mail: david.dent{at}wur.nl

Copyright Journal compilation © 2008 British Society of Soil Science

ABSTRACT

Land degradation is always with us but its causes, extent and severity are contested. We define land degradation as a long-term decline in ecosystem function and productivity, which may be assessed using long-term, remotely sensed normalized difference vegetation index (NDVI) data. Deviation from the norm may serve as a proxy assessment of land degradation and improvement – if other factors that may be responsible are taken into account. These other factors include rainfall effects which may be assessed by rain-use efficiency, calculated from NDVI and rainfall. Results from the analysis of the 23-year Global Inventory Modeling and Mapping Studies (GIMMS) NDVI data indicate declining rain-use efficiency-adjusted NDVI on ca. 24% of the global land area with degrading areas mainly in Africa south of the equator, South-East Asia and south China, north-central Australia, the Pampas and swaths of the Siberian and north American taiga; 1.5 billion people live in these areas. The results are very different from previous assessments which compounded what is happening now with historical land degradation. Economic appraisal can be undertaken when land degradation is expressed in terms of net primary productivity and the resultant data allow statistical comparison with other variables to

DIGITAL OBJECT IDENTIFIER (DOI) 10.1111/j.1475-2743.2008.00169.x

[EcoDebate, 30/03/2009]

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