São necessários 75 anos para compensar as emissões de carbono por desflorestamento para produção de óleo de palma

Área de floresta tropical na Indonésia em 'transição' para cultura de palma (dendezeiro)
Área de floresta tropical na Indonésia em ‘transição’ para cultura de palma (dendezeiro)

[Por Henrique Cortez, do EcoDebate] Vastas áreas florestais da Indonésia e Malásia já foram derrubadas para plantação de palma e o processo de desflorestamento está se acelerando. Os defensores da substituição da floresta por palma dizem que é um processo carbono neutro, porque o carbono emitido é compensado pelo plantio da palma. Mas isto, como outros argumentos dos defensores do desmatamento, é falso.

Um novo estudo [Biofuel Plantations on Forested Lands: Double Jeopardy for Biodiversity and Climate] constata que vai demorar mais de 75 anos para compensar as emissões de carbono por desflorestamento para produção de óleo de palma. Se o habitat original for turfosos, em termos de balanço de carbono, levará mais de 600 anos para ser compensado. O estudo foi publicado na edição online da Conservation Biology.

O óleo de palma, cada vez mais utilizado como fonte de biocombustível, foi introduzido em escala industrial para substituir a soja, como principal fonte de produção de biodiesel.

A produção mundial de óleo de palma tem aumentado exponencialmente nos últimos 40 anos. Em 2006, 85% da produção mundial do óleo de palma teve origem na Indonésia e Malásia, países cuja floresta tropical vem sendo derrubada para plantio de palma, totalizando uma redução anual de 20 mil Km2 de florestas.

A conversão de floresta para óleo palma também resultados importantes em termos de empobrecimento de ambas as comunidades vegetais e animais. Outras culturas tropicais, igualmente adequadas para a utilização de biocombustíveis, como soja, cana-de-açúcar e Jatropha, podem ter impactos semelhantes sobre o clima e a biodiversidade.

“Os biocombustíveis são um mau negócio para as florestas, vida selvagem e do clima, se substituem as florestas tropicais”, afirma o pesquisaro Finn Danielsen, coordenador do estudo. “Na verdade, eles aceleram as mudanças climáticas através da remoção de uma das mais eficientes ferramentas de armazenamento de carbono, florestas tropicais intactas.”

Segundo o estudo, a redução do desmatamento é uma forma de mitigação das mudanças climáticas mais eficaz do que a estratégia de converter florestas para a produção de biocombustível.

Alternativamente, a plantação para biocombustíveis em pastos degradados, em vez de florestas tropicais, levaria a uma remoção de carbono da atmosfera em 10 anos. Desta forma, a plantação de qualquer cultura para biocombustíveis, em áreas de florestas tropicais, só deve ser considerada em áreas severamente degradadas.

As florestas tropicais contêm mais da metade das espécies terrestres da Terra. Elas também armazenam cerca de 46% do carbono estocado e até 25% do total líquido das emissões de carbono podem resultar do seu desmatamento.

Existe, portanto, uma contradição inerente em qualquer estratégia que signifique a substituição da floresta tropical por culturas para produção de biocombustíveis, porque este não é um processo carbono neutro.

O artigo “Biofuel Plantations on Forested Lands: Double Jeopardy for Biodiversity and Climate” está dispoível para acesso integral no formato HTML. Para acessar o artigo clique aqui.

Para maiores informações trascrevemos, abaixo, o abstract:

Biofuel Plantations on Forested Lands: Double Jeopardy for Biodiversity and Climate
Conservation Biology, Volume 23, Issue 2, Pages 348-358
FINN DANIELSEN, HENDRIEN BEUKEMA, NEIL D. BURGESS, FAIZAL PARISH, CARSTEN A. BRÜHL, PAUL F. DONALD, DANIEL MURDIYARSO, BEN PHALAN, LUCAS REIJNDERS, MATTHEW STRUEBIG, EMILY B. FITZHERBERT
Published Online: Nov 24 2008 2:04PM
DOI: 10.1111/j.1523-1739.2008.01096.x

Abstract: The growing demand for biofuels is promoting the expansion of a number of agricultural commodities, including oil palm (Elaeis guineensis). Oil-palm plantations cover over 13 million ha, primarily in Southeast Asia, where they have directly or indirectly replaced tropical rainforest. We explored the impact of the spread of oil-palm plantations on greenhouse gas emission and biodiversity. We assessed changes in carbon stocks with changing land use and compared this with the amount of fossil-fuel carbon emission avoided through its replacement by biofuel carbon. We estimated it would take between 75 and 93 years for the carbon emissions saved through use of biofuel to compensate for the carbon lost through forest conversion, depending on how the forest was cleared. If the original habitat was peatland, carbon balance would take more than 600 years. Conversely, planting oil palms on degraded grassland would lead to a net removal of carbon within 10 years. These estimates have associated uncertainty, but their magnitude and relative proportions seem credible. We carried out a meta-analysis of published faunal studies that compared forest with oil palm. We found that plantations supported species-poor communities containing few forest species. Because no published data on flora were available, we present results from our sampling of plants in oil palm and forest plots in Indonesia. Although the species richness of pteridophytes was higher in plantations, they held few forest species. Trees, lianas, epiphytic orchids, and indigenous palms were wholly absent from oil-palm plantations. The majority of individual plants and animals in oil-palm plantations belonged to a small number of generalist species of low conservation concern. As countries strive to meet obligations to reduce carbon emissions under one international agreement (Kyoto Protocol), they may not only fail to meet their obligations under another (Convention on Biological Diversity) but may actually hasten global climate change. Reducing deforestation is likely to represent a more effective climate-change mitigation strategy than converting forest for biofuel production, and it may help nations meet their international commitments to reduce biodiversity loss.

Plantaciones de Biocombustible en Terrenos Boscosos: Doble Peligro para la Biodiversidad y el Clima

Resumen: La creciente demanda de biocombustibles está promoviendo la expansión de activos agrícolas, incluyendo la palma de aceite (Elaeis guineensis). Las plantaciones de palma de aceite cubren más de 13 millones de ha, principalmente en el sureste de Asia, donde han reemplazado a bosques tropicales directa o indirectamente. Exploramos el impacto de la expansión de las plantaciones de palma de aceite sobre la emisión de gases de invernadero y la biodiversidad. Evaluamos los cambios en las reservas de carbono con el cambio de uso de suelo y comparamos esto con la cantidad de emisiones de carbono de combustibles fósiles que se evitarían con su reemplazo por carbono de biocombustibles. Estimamos que pasarían entre 75 y 93 años para que las emisiones de carbono ahorradas por el uso de biocombustible compensen el carbono perdido por la conversión de bosques, dependiendo de cómo fue removido el bosque. Si el hábitat original era turbera, el balance de carbono tardaría más de 600 años, Por el contrario, sembrando las plantaciones de palma en pastizales degradados llevaría a una remoción de carbono en 10 años. Estas estimaciones están asociadas con incertidumbre, pero su magnitud y proporciones relativas parecen creíbles. Realizamos un meta análisis de los estudios de fauna publicados que comparan bosques con palma de aceite. Encontramos que las plantaciones soportan comunidades de baja riqueza con pocas especies de bosque. Debido a que no se dispuso de datos de flora publicados, presentamos los resultados de nuestro muestreo de plantas en parcelas de palma de aceite y de bosque en Indonesia. Aunque la riqueza de especies de pteridofitas fue mayor en las plantaciones, contenían pocas especies de bosque. Árboles, lianas, orquídeas epífitas y palmas nativas estuvieron totalmente ausentes de las plantaciones de palma de aceite. La mayoría de plantas y animales individuales en las plantaciones de palma de aceite pertenecían a un pequeño número de especies generalistas de bajo interés para la conservación. A medida que los países pugnan por cumplir las obligaciones de reducción de emisiones de carbono en el marco de un acuerdo internacional (Protocolo de Kioto), no solo pueden fallar en cumplir sus obligaciones en el marco de otro (Convención de Diversidad Biológica) sino que incluso pueden acelerar el cambio climático. La reducción de la deforestación probablemente represente una estrategia más efectiva para la mitigación del cambio climático que la conversión de bosques para la producción de biocombustibles, y puede ayudar a que las naciones cumplan sus compromisos internacionales para la reducción de la pérdida de biodiversidad.

[EcoDebate, 16/04/2009]

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