Mudanças climáticas reduzem o volume do rio Colorado e ameaçam o sudoeste dos EUA

Represa Hoover e o lago Mead. Foto do U.S. Bureau of Reclamation.
Represa Hoover e o lago Mead. Foto do U.S. Bureau of Reclamation.

[Por Henrique Cortez, do EcoDebate] Sempre citado, pelos defensores da transposição do rio São Francisco, como um exemplo a ser seguido, o rio Colorado, que já não consegue desaguar no golfo do México, enfrenta uma nova ameaça: escassez e a conseqüente, redução de seu volume.

O rio Colorado é responsável pelo abastecimento de dezenas de milhões de pessoas e milhões de hectares irrigados. Sua água é de fundamental importância para as regiões desérticas do Colorado, Nevada e Califórnia.

No entanto, pesquisadores do Scripps Institution of Oceanography, UC San Diego, estima que, em vista das mudanças climaticas, a regiao ficará ainda mais seca e o rio Colorado pode perder de 60 a 90% de seu volume até meados deste século.

De acordo com os pesquisadores, as demandas pela água do Colorado foram firmadas no século passado e serão insustentáveis neste século.

Mesmo sob o cenário mais conservador diante das mudanças climáticas, o rio Colorado deve deixar de ofertar, ao sudoeste dos EUA, o equivalente a 0,5 bilhão de metros cúbicos ao ano até 2025, uma redução de 40%. Até o final do século a perda deve ser o dobro disto.

O artigo “Sustainable water deliveries from the Colorado River in a changing climate“, foi publicado na edição de 20/4/2009, da revista online PNAS, Proceedings of the National Academy of Sciences.

Analisando o lago Mead, reservatório criado no rio Colorado pela represa Hoover, os pesquisadores estimam que ele possui 50% de chances de secar nos próximos 20 anos, se as mudanças climáticas persistirem na atual escalada e se não houver uma revisão da demanda pela água.

Os direitos de uso do rio Colorado foram estipulados no Acordo do Colorado (Colorado Compact) entre alguns estados ribeirinhos e as cidades de Lãs Vegas, Los Angeles e San Diego.O rio Colorado, a jusante desta transposição de águas, possui uma vazão extremamente reduzida, passando parte do ano sem atingir o golfo do México. O impacto sobre a foz do rio Colorado, assim como acontece no rio Mississipi, é a intrusão salina, desestabilização do leito e das margens do rio, com erosão e voçoroca.

Em certo sentido a proposta de transposição do rio São Francisco caminha para o mesmo desastre. As mudanças climáticas e o aquecimento global serão severamente sentidos no nordeste do Brasil e especialistas alertam para o risco de o semi-árido se transformar em um imenso deserto.

Este século traz desafios inéditos e já não será possível planejar o que quer que seja sem levar em consideração as mudanças no clima.

Que o rio Colorado sirva de exemplo a não ser seguido.

O artigo “Sustainable water deliveries from the Colorado River in a changing climate“, PNAS published online before print April 20, 2009, doi:10.1073/pnas.0812762106, está disponível para acesso integral no formato PDF. Para acessar o artigo clique aqui.

Para outras informações transcrevemos, abaixo, o abstract:

Abstract

The Colorado River supplies water to 27 million users in 7 states and 2 countries and irrigates over 3 million acres of farmland. Global climate models almost unanimously project that human-induced climate change will reduce runoff in this region by 10–30%. This work explores whether currently scheduled future water deliveries from the Colorado River system are sustainable under different climate-change scenarios. If climate change reduces runoff by 10%, scheduled deliveries will be missed ?58% of the time by 2050. If runoff reduces 20%, they will be missed ?88% of the time. The mean shortfall when full deliveries cannot be met increases from ?0.5–0.7 billion cubic meters per year (bcm/yr) in 2025 to ?1.2–1.9 bcm/yr by 2050 out of a request of ?17.3 bcm/yr. Such values are small enough to be manageable. The chance of a year with deliveries <14.5 bcm/yr increases to 21% by midcentury if runoff reduces 20%, but such low deliveries could be largely avoided by reducing scheduled deliveries. These results are computed by using estimates of Colorado River flow from the 20th century, which was unusually wet; if the river reverts to its long-term mean, shortfalls increase another 1–1.5 bcm/yr. With either climate-change or long-term mean flows, currently scheduled future water deliveries from the Colorado River are not sustainable. However, the ability of the system to mitigate droughts can be maintained if the various users of the river find a way to reduce average deliveries.

[EcoDebate, 23/04/2009, com informações da University of California – San Diego]

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