Sensibilidade à dor é maior em ratas expostas a produtos químicos estrogênicos durante o desenvolvimento intrauterino

Neurotoxicology and Teratology

[Por Henrique Cortez, do EcoDebate] Ratas adultas expostas a produtos químicos estrogênicos, enquanto se desenvolviam no útero de suas mães, tem maior sensibilidade e reações à dor que as adultas não expostas.

O aumento da sensibilidade dolorosa pode ser devido a permanentes mudanças na forma como o desenvolvimento dos nervos, nas ratas que foram expostas, ocorreu. O estudo [Perinatal exposure to xenoestrogens affects pain in adult female rat], publicado na última edição da revista online Neurotoxicology and Teratology, avaliou vários produtos químicos estrogênicos , tais como o etinilestradiol (EE), o mais comumente estrogênio sintético usado nas pílulas anticoncepcionais e o metoxicloro (MXC), um inseticida comum que, reconhecidamente, possui atividade estrogênica em mamíferos.

Esta é a primeira vez os pesquisadores têm uma percepção de dor associada à sua exposição a baixos níveis de estrógenos ambientais. No entanto, é outro exemplo de como as exposições químicas, durante períodos críticos de desenvolvimento antes do nascimento, podem ter impactos ao longo da vida adulta.

Exposição humana a o etinilestradiol (EE) no útero não é incomum. Muitas mulheres que engravidam continuam usando pílulas anticoncepcionais por várias semanas, porque não sabem da gravidez.

As pessoas também estão expostas a MXC e EE através do ambiente. EE encontra-se no abastecimento de água em todo o mundo porque as mulheres o eliminam em sua urina.

Homens e mulheres percebem a dor de maneiras diferentes. Os hormônios desempenham um papel importante na forma como as redes neurais que regulam dor funcionam.

As dosagens utilizadas pelos pesquisadores simularam as doses de EE encontradas nos anticoncepcionais e o MXC equivalente às exposições ambientais naturais.

As fêmeas adultas expostas, antes do nascimento ou no período neonatal, foram testadas para a sensibilidade dolorosa.

Os ensaios demonstram que as fêmeas expostas foram mais sensíveis à dor do que o grupo de controle do sexo feminino não exposto. Seus níveis de estrogênio, medido quando elas eram adultas, também foram quatro vezes superiores às fêmeas não expostas. Isto indica mudanças permanentes no sistema endócrino.

Já se sabe que estrogênios ambientais em baixas doses alteram a química cerebral .Pesquisa anterior [Differential Regulation of Dopamine Transporter Function and Location by Low Concentrations of Environmental Estrogens and 17ß-estradiol] demonstrou que os estrogênios ambientais mudaram a forma como células cerebrais liberaram e reabsorveram a dopamina, um importante mensageiro químico que regula movimento e prazer.

Em alguns casos, as respostas foram mais fortes quando estrogênios naturais foram misturadas com um estrogênio natural, o mais provável de ocorrer em pessoas e animais. Estas alterações podem contribuir maior conhecimento de doenças do sistema nervoso, como Parkinson e esquizofrenia, que são causadas por respostas anormais dopamina.

A cada dia surgem novas indicações dos crescentes riscos da exposição aos xenoestrogênios ou estrogênios ambientais, sobre os quais não existem políticas de controle ou redução de risco.

O artigo “Perinatal exposure to xenoestrogens affects pain in adult female rats“, Neurotoxicology and Teratology, In Press, Corrected Proof, Available online 3 March 2009, apenas está disponível para assinantes. Abaixo transcrevemos o abstract.

Perinatal exposure to xenoestrogens affects pain in adult female rat
Ceccarelli, I, P Fiorenzani, D Della Seta, C Massafra, G Cini, A Bocci and AM Aloisi. 2009. s.
Neurotoxicology and Teratology doi:10.1016/j.ntt.2009.02.004

Abstract

Estrogens have a variety of effects in addition to their action on reproductive structures, including permanent effects on the Central Nervous System (CNS). Therefore environmental chemicals with estrogenic activity (xenoestrogens) can potentially affect a number of CNS functions. In the present experiment, female rats receiving ethynylestradiol (EE) or methoxychlor (MXC) via the mothers during pregnancy (pre) or lactation (post) were tested in comparison with females born from mothers treated with OIL. The Object Recognition, Plantar and Formalin tests were carried out to evaluate the effects of these compounds on integrated functions such as memory and pain. Testosterone and estradiol plasma levels were determined by RIA. The results of the Object Recognition and Plantar tests did not differ among groups. However the groups differed in the Formalin test since flexing duration was higher in the EE- and MXC-pre groups than in the EE- and MXC-post and OIL groups. Estradiol plasma levels were higher in EE-pre than in the other groups.

These results confirm the possibility that estrogen-like compounds (EE and MXC) can affect complex neural processes like pain when taken during critical stages of CNS development.

[EcoDebate, 23/04/2009]

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