Imagens de satélite mostram que a seca na bacia Murray-Darling, Austrália, é pior do que o previsto

Bacia Murray-Darling. Ilustração da Wikipedia
Bacia Murray-Darling. Ilustração da Wikipedia.

[Por Henrique Cortez, do EcoDebate] A seca que afeta a Austrália é pior do que o anteriormente previsto e o agravamento da situação foi demonstrada pela análise de imagens de satélite da bacia Murray-Darling, que perdeu mais de 200 km3 de água nos últimos seis anos. A pesquisa [Basin-scale, integrated observations of the early 21st century multiyear drought in southeast Australia] foi publicada na edição online da Water Resources Research.

O estudo utilizou informações do GRACE (Gravity Recovery and Climate Experiment) para calcular o volume da água superficial e no subsolo para calcular as reais perdas na bacia Murray-Darling, principal bacia hidrográfica da Austrália, com uma área quase duas vezes maior do que a França.

De acordo com os pesquisadores, as secas são desastres naturais recorrentes que atingem, em termos globais, uma quantidade de pessoas superior a qualquer outro desastre naturais e que isto exige a utilização de novas tecnologias para avaliação da extensão das secas. Os satélites, neste sentido, são importantes ‘ferramentas’ de monitoramento e a nova metodologia permite que os ‘estoques’ hídricos sejam quantificados a partir de observações no espaço.

A pesquisa indica que, de 2000 a 2008, a bacia perdeu cerca de 200 km3 de seu volume de água. Os cálculos atuais, a partir de avaliação da água superficial, são imprecisos, principalmente porque a água superficial representa apenas 6% das perdas totais. Quase metade da perda ocorreu nas águas subterrâneas e o restante pela água no solo.

A perda dos ‘estoques’ subterrâneos indica que a seca será ainda mais séria, tendo em vista a redução da capacidade de reposição da água superficial a partir dos aquíferos.

Se, tal como previsto em outros estudos e pelo IPCC, os ciclos de seca irão se agravar na Austrália, a perda da água nos aquíferos significará um desastre ainda maior.

Como subsidio adicional, sobre a crise hídrica na bacia Murray-Darling sugerimos que leiam, também, as matérias:

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A nova metodologia, uma vez suficientemente testada, poderá ser de grande utilidade, principalmente diante da crescente ameaça das mudanças climáticas. Com a correta avaliação da extensão da seca e da perda das águas subterrâneas ficará mais eficaz desenvolver as ações de mitigação.

O estudo “Basin-scale, integrated observations of the early 21st century multiyear drought in southeast Australia“, de Leblanc, M. J., P. Tregoning, G. Ramillien, S. O. Tweed, and A. Fakes (2009), publicado na revista Water Resources Research, 45, W04408, doi:10.1029/2008WR007333, apenas está disponível para assinantes.

Abaixo transcrevemos o abstract:

Basin-scale, integrated observations of the early 21st century multiyear drought in southeast Australia

Marc J. Leblanc
Hydrological Sciences Research Unit, School of Earth and Environmental Sciences, James Cook University, Cairns, Queensland, Australia

Paul Tregoning
Research School of Earth Sciences, Australian National University, Canberra, ACT, Australia

Guillaume Ramillien
Dynamique Terrestre et Planétaire, Observatoire Midi-Pyrénées, UMR5562, CNRS, Toulouse, France

Sarah O. Tweed
Hydrological Sciences Research Unit, School of Earth and Environmental Sciences, James Cook University, Cairns, Queensland, Australia

Adam Fakes
CSIRO Sustainable Ecosystems, James Cook University, Cairns, Queensland, Australia

The Murray-Darling Basin in southeast Australia is experiencing one of the most severe droughts observed recently in the world, driven by several years of rainfall deficits and record high temperatures. This paper provides new basin?scale observations of the multiyear drought, integrated to a degree rarely achieved on such a large scale, to assess the response of water resources and the severity of the drought. A combination of Gravity Recovery and Climate Experiment (GRACE) data with in situ and modeled hydrological data shows the propagation of the water deficit through the hydrological cycle and the rise of different types of drought. Our observations show the rapid drying of soil moisture and surface water storages, which reached near?stationary low levels only ?2 years after the onset of the drought in 2001, with a loss of ?80 and ?12 km3 between January 2001 and January 2003, respectively. The multiyear drought has led to the almost complete drying of surface water resources which account for most of the water used for irrigation and domestic purposes. High correlation between observed groundwater variations and GRACE data substantiates the persistent reduction in groundwater storage, with groundwater levels still declining 6 years after the onset of the drought (groundwater loss of ?104 km3 between 2001 and 2007). The hydrological drought continues even though the region returned to average annual rainfall during 2007.

Received 4 August 2008; accepted 26 December 2008; published 8 April 2009.

Citation: Leblanc, M. J., P. Tregoning, G. Ramillien, S. O. Tweed, and A. Fakes (2009), Basin?scale, integrated observations of the early 21st century multiyear drought in southeast Australia, Water Resour. Res., 45, W04408, doi:10.1029/2008WR007333.

[EcoDebate, 26/05/2009]

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