Uma nova medida das emissões de carbono indutoras do aquecimento global

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[Por Henrique Cortez, do EcoDebate] O pesquisador Damon Matthews, professor do Departamento de Geografia, Ordenamento do Território e do Ambiente, na Universidade Concórdia, afirma ter encontrado uma relação direta entre as emissões de dióxido de carbono e o aquecimento global. Matthews, em conjunto com outros pesquisadores, utilizou uma combinação de modelos climáticos globais e dados de séries históricas do clima para mostrar que existe uma simples relação linear entre o total acumulado de emissões e temperatura global. Estas conclusões foram publicadas [The proportionality of global warming to cumulative carbon emissions] na revista Nature, edição de 11 de junho de 2009.

Até agora, tem sido difícil fazer uma estimativa de quanto a temperatura global vai subir, em resposta a um dado cenário de emissões de dióxido de carbono, devido à complexa interação entre as emissões antropogênicas, sumidouros de carbono, concentrações atmosféricas e mudanças sazonais de temperatura. Matthews e colegas mostram que, apesar dessas incertezas, cada emissão de dióxido de carbono resulta no mesmo aumento da temperatura global, independentemente de quando ou durante o período de tempo em que a emissão ocorre.

Em termos simplificados, os autores afirmam que se você que emite uma tonelada de dióxido de carbono irá elevar a temperatura global em 0,0000000000015 grau.

Definido que cada tonelada de CO2 significa um aumento direto de 0,0000000000015 grau passamos a compreender melhor o esforço necessário para limitar as emissões. Na verdade, se quisermos limitar o aquecimento global a não mais de 2 graus, temos de limitar as emissões de carbono totais – a partir de agora e para sempre – a pouco mais de meio trilhão de toneladas de carbono, ou seja, quase tanto nós já emitimos desde o início da revolução industrial.

À luz deste estudo e de outras pesquisas recentes, Matthews e um grupo internacional de cientistas do clima prepararam uma carta aberta sobre a convocação das dez participantes da Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, para que reconheçam a necessidade de limitar as emissões de carbono, para evitar efeitos desastrosos das mudanças climáticas.

O “The proportionality of global warming to cumulative carbon emissions”, publicado na revista Nature 459, 829-832 (11 June 2009) | doi:10.1038/nature08047; Received 4 December 2008; Accepted 14 April 2009, apenas está disponível para assinantes.

Para maiores informações transcrevemos, abaixo, o abstract:

The proportionality of global warming to cumulative carbon emissions
http://www.nature.com/nature/journal/v459/n7248/full/nature08047.html
H. Damon Matthews1, Nathan P. Gillett2, Peter A. Stott3 & Kirsten Zickfeld2

1. Department of Geography, Planning and Environment, Concordia University, 1455 de Maisonneuve Blvd W., Montreal, Quebec, H3G 1M8, Canada
2. Canadian Centre for Climate Modelling and Analysis, Environment Canada, 3800 Finnerty Road, Victoria, British Columbia, V8P 5C2, Canada
3. Met Office Hadley Centre, FitzRoy Road, Exeter, Devon, EX1 3PB, UK

Correspondence to: H. Damon Matthews1 Correspondence and requests for materials should be addressed to H.D.M. (Email: dmatthew{at}alcor.concordia.ca).
Abstract

The global temperature response to increasing atmospheric CO2 is often quantified by metrics such as equilibrium climate sensitivity and transient climate response1. These approaches, however, do not account for carbon cycle feedbacks and therefore do not fully represent the net response of the Earth system to anthropogenic CO2 emissions. Climate–carbon modelling experiments have shown that: (1) the warming per unit CO2 emitted does not depend on the background CO2 concentration2; (2) the total allowable emissions for climate stabilization do not depend on the timing of those emissions3, 4, 5; and (3) the temperature response to a pulse of CO2 is approximately constant on timescales of decades to centuries3, 6, 7, 8. Here we generalize these results and show that the carbon–climate response (CCR), defined as the ratio of temperature change to cumulative carbon emissions, is approximately independent of both the atmospheric CO2 concentration and its rate of change on these timescales. From observational constraints, we estimate CCR to be in the range 1.0–2.1 °C per trillion tonnes of carbon (Tt C) emitted (5th to 95th percentiles), consistent with twenty-first-century CCR values simulated by climate–carbon models. Uncertainty in land-use CO2 emissions and aerosol forcing, however, means that higher observationally constrained values cannot be excluded. The CCR, when evaluated from climate–carbon models under idealized conditions, represents a simple yet robust metric for comparing models, which aggregates both climate feedbacks and carbon cycle feedbacks. CCR is also likely to be a useful concept for climate change mitigation and policy; by combining the uncertainties associated with climate sensitivity, carbon sinks and climate–carbon feedbacks into a single quantity, the CCR allows CO2-induced global mean temperature change to be inferred directly from cumulative carbon emissions.

ResearchBlogging.org
Henrique Cortez (2009). Uma nova medida das emissões de carbono indutoras do aquecimento global EcoDebate DOI: 10.1038/nature08047

[EcoDebate, 15/06/2009, com informações de Fiona Downey, da Concordia University]

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