Obesidade pode ser tão prejudicial à saúde quanto o tabagismo

Obesidade moderada pode reduzir a expectativa de vida em três anos
Obesidade moderada pode reduzir a expectativa de vida em três anos

[Por Henrique Cortez, do EcoDebate] A obesidade grave reduz a expectativa de vida de uma pessoa em até 10 anos, efeito prejudicial à saúde comparável ao efeito do tabagismo. Esta é a conclusão de um estudo [Body-mass index and cause-specific mortality in 900 000 adults: collaborative analyses of 57 prospective studies] realizado por pesquisadores da Universidade de Oxford, Clinical Trial Service Unit e publicada na revista The Lancet.

Os pesquisadores compararam dados de estilo de vida e mortalidade de quase um milhão de pessoas em todo o mundo, identificando que cada aumento no índice de massa corporal (IMC), em pessoas com mais de 25 anos, diminuiu significativamente a expectativa de vida.

IMC

O IMC é uma medida comumente utilizada para identificação da obesidade, calculada dividindo-se o peso de uma pessoa, em quilogramas, pelo quadrado da sua altura em metros. IMC de 20-25 é considerado normal; é considerado sobrepeso se estiver entre 25-30; de 30-40 a pessoa é considerada obesa; de 40-50 a pessoa é considerada gravemente obesa.

No atual estudo, a obesidade moderada (IMC de 30-40) reduz a expectativa de vida em três anos em média, enquanto a obesidade grave reduz a expectativa de vida em 10 anos.

Os pesquisadores estimaram que o excesso de peso, entre as pessoas de meia-idade residentes no Reino Unido, é responsável por até 1/16 mortes por câncer, e 1/4 das mortes por problemas cardíacos ou por acidente vascular cerebral. Cerca de 2% dos britânicos estão dentro da classificação de severamente obesos.

O artigo “Body-mass index and cause-specific mortality in 900 000 adults: collaborative analyses of 57 prospective studies“, publicado na The Lancet, Volume 373, Issue 9669, Pages 1083 – 1096, doi:10.1016/S0140-6736(09)60318-4, apenas está disponível para assinantes.

Para maiores informações transcrevemos, abaixo, o abstract:

Summary

Background
The main associations of body-mass index (BMI) with overall and cause-specific mortality can best be assessed by long-term prospective follow-up of large numbers of people. The Prospective Studies Collaboration aimed to investigate these associations by sharing data from many studies.

Methods
Collaborative analyses were undertaken of baseline BMI versus mortality in 57 prospective studies with 894 576 participants, mostly in western Europe and North America (61% [n=541 452] male, mean recruitment age 46 [SD 11] years, median recruitment year 1979 [IQR 1975—85], mean BMI 25 [SD 4] kg/m2). The analyses were adjusted for age, sex, smoking status, and study. To limit reverse causality, the first 5 years of follow-up were excluded, leaving 66 552 deaths of known cause during a mean of 8 (SD 6) further years of follow-up (mean age at death 67 [SD 10] years): 30 416 vascular; 2070 diabetic, renal or hepatic; 22 592 neoplastic; 3770 respiratory; 7704 other.

Findings
In both sexes, mortality was lowest at about 22·5—25 kg/m2. Above this range, positive associations were recorded for several specific causes and inverse associations for none, the absolute excess risks for higher BMI and smoking were roughly additive, and each 5 kg/m2 higher BMI was on average associated with about 30% higher overall mortality (hazard ratio per 5 kg/m2 [HR] 1·29 [95% CI 1·27—1·32]): 40% for vascular mortality (HR 1·41 [1·37—1·45]); 60—120% for diabetic, renal, and hepatic mortality (HRs 2·16 [1·89—2·46], 1·59 [1·27—1·99], and 1·82 [1·59—2·09], respectively); 10% for neoplastic mortality (HR 1·10 [1·06—1·15]); and 20% for respiratory and for all other mortality (HRs 1·20 [1·07—1·34] and 1·20 [1·16—1·25], respectively). Below the range 22·5—25 kg/m2, BMI was associated inversely with overall mortality, mainly because of strong inverse associations with respiratory disease and lung cancer. These inverse associations were much stronger for smokers than for non-smokers, despite cigarette consumption per smoker varying little with BMI.

Interpretation
Although other anthropometric measures (eg, waist circumference, waist-to-hip ratio) could well add extra information to BMI, and BMI to them, BMI is in itself a strong predictor of overall mortality both above and below the apparent optimum of about 22·5—25 kg/m2. The progressive excess mortality above this range is due mainly to vascular disease and is probably largely causal. At 30—35 kg/m2, median survival is reduced by 2—4 years; at 40—45 kg/m2, it is reduced by 8—10 years (which is comparable with the effects of smoking). The definite excess mortality below 22·5 kg/m2 is due mainly to smoking-related diseases, and is not fully explained.

Funding
UK Medical Research Council, British Heart Foundation, Cancer Research UK, EU BIOMED programme, US National Institute on Aging, and Clinical Trial Service Unit (Oxford, UK).

[EcoDebate, 03/07/2009]

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