Pesquisa sugere a associação do inseticida hexaclorociclohexano à doença de Parkinson

Imagem: UC Regents / UCLA
Imagem: UC Regents / UCLA

[Por Henrique Cortez, do EcoDebate] Um novo estudo [Elevated Serum Pesticide Levels and Risk of Parkinson Disease], realizado por pesquisadores do University of Texas Southwestern Medical Center, sugere que um grupo de pessoas com doença de Parkinson possue mais elevados níveis sanguíneos do inseticida ß-hexaclorociclohexano (ß-HCH) do que pessoas saudáveis.

O estudo foi publicado na edição de julho da revista Archives of Neurology e, de acordo com os seus resultados, o inseticida ß-HCH (hexaclorociclohexano) foi encontrado em 76% das pessoas com Parkinson, em comparação com 40% das pessoas saudáveis do grupo de controle ou dos 30% das pessoas com doença de Alzheimer.

Os resultados podem fornecer um novo marcador a ser pesquisados em exames sanguíneos, para identificar os indivíduos em risco de desenvolver a doença de Parkinson. Os resultados apontam também para a necessidade de se pesquisar os contaminantes ambientais como parte das potenciais causas do Parkinson.

De acordo com os autores, um teste para este fator de risco poderá permitir a detecção precoce e tratamentos mais eficazes. Isto é importante porque, frequentemente, a doença de Parkinson só é diagnosticada depois de severos danos neurológicos.

No momento, estima-se que cerca de 1 milhão de pessoas nos EUA sofrem da doença de Parkinson e este número tende a aumentar na medida em que a população envelhece. A doença ocorre quando células cerebrais morrem em determinadas regiões, causando tremores e problemas cognitivos, dentre outros sintomas.

O estudo envolveu 113 participantes, com idades de 50 a 89 anos. Cinqüenta tinha Parkinson, 43 eram saudáveis e 20 tinham a doença de Alzheimer. Os pesquisadores testaram o sangue dos participantes para 15 conhecidos agrotóxicos organoclorados.

Estes agrotóxicos, dentre os quais o conhecido DDT (Dicloro-Difenil-Tricloroetano), foram amplamente utilizados em os nos EUA desde a década de 1950 a 1970. Eles persistem no ambiente durante anos e no organismo eles que se dissolvem em gorduras, podendo causar danos no sistema nervoso.

Nos Estados Unidos a doença de Parkinson é mais comum entre homens rurais que em outros grupos demográficos, o que também pode ser explicado pela maior possibilidade de exposição aos agrotóxicos.

Embora o estudo aponte para uma relação direta entre o inseticida HCH (hexaclorociclohexano) e a doença de Parkinson, os pesquisadores acreditam que outros pesticidas podem estar envolvidos no desenvolvimento da doença.

No Brasil, o inseticida HCH (hexaclorociclohexano) é conhecido pela contaminação da Cidade dos Meninos, na cidade de Duque de Caxias, Rio de Janeiro, como, resumidamente, descrito abaixo

Uma fábrica para a produção do pesticida hexaclorociclohexano (HCH) técnico (mistura dos isômeros a, b , g e s), pertencente ao antigo Instituto de Malariologia, então Ministério da Educação e Saúde, localizada na Cidade dos Meninos, Duque de Caxias, RJ, foi desativada em 1955. Parte da sua produção e de seus rejeitos, em muitas toneladas desta mistura, foram abandonadas no local. A ação dos ventos e chuvas, assim como a movimentação de aproximadamente mil pessoas, incluindo cerca de 400 crianças que lá residem, provocaram a disseminação deste agente. Amostras de sangue coletadas em moradores da área mostraram níveis de contaminação humana pelo isômero ß elevados. As maiores concentrações (isômero ß) foram encontradas nas pessoas vivendo dentro de um raio de 100 m em torno dos escombros da fábrica. Amostras de solo e de pasto do local, coletadas em distâncias inferiores a 100 m das ruínas da antiga fábrica, apresentaram concentrações dos isômeros do HCH de milhares de ppb, evidenciando alta poluição ambiental.” in OLIVEIRA, Rosália M. et al . Contaminação por hexaclorociclohexanos em área urbana da região Sudeste do Brasil. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v. 29, n. 3, June 1995. doi: 10.1590/S0034-89101995000300011.

São crescentes as indicações, demonstradas em pesquisas científicas, da associação dos agrotóxicos com o aumento no risco de desenvolvimento da doença da Parkinson, tal como já publicamos nas matérias “Mais uma pesquisa associa agrotóxicos ao aumento do risco de desenvolvimento da doença de Parkinson” , “Novo estudo reafirma a associação entre agrotóxicos e o desenvolvimento da Doença de Parkinson“.

Outra pesquisa recente [in Nitratos podem ser acionadores ambientais de Alzheimer, diabetes e doença de Parkinson] sugere uma associação entre os nitratos presentes em nosso meio ambiente e o aumento das mortes por doenças insulino-resistentes, incluindo doença de Alzheimer, a diabetes mellitus, a doença de Parkinson e a Esteatose Hepática Não-Alcoólica.

O artigo “Elevated Serum Pesticide Levels and Risk of Parkinson Disease” de Jason R. Richardson, PhD; Stuart L. Shalat, ScD; Brian Buckley, PhD; Bozena Winnik, PhD; Padraig O’Suilleabhain, MD; Ramon Diaz-Arrastia, MD, PhD; Joan Reisch, PhD; Dwight C. German, PhD, publicado na Archives of Neurology 2009;66(7):870-875, apenas está disponível para assinantes. Para acessar o abstract clique aqui.

EcoDebate, 14/07/2009

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