Sem uma reforma hídrica a Ásia enfrentará falta de alimentos até 2050

Sem uma reforma hídrica a Ásia enfrentará falta de alimentos até 2050

[Por Henrique Cortez, do EcoDebate] Especialistas advertem que a região deve criar ou melhorar a gestão das terras atualmente irrigadas, ou poderá, até 2050, depender da importação de cereais caros de outras regiões

Um novo e detalhado estudo adverte que, sem grandes reformas e inovações na forma como a água é utilizada na agricultura, muitas nações em desenvolvimento enfrentam a perspectiva politicamente arriscada de ter de importar mais de um quarto de arroz, trigo e milho, para atender às necessidades de alimentação da população até 2050.

Este aviso, juntamente com as previsões relativas e as possíveis soluções, aparecem em um relatório intitulado “Revitalizing Asia’s Irrigation: To Sustainably Meet Tomorrow’s Food Needs” (Revitalização da Irrigação na Ásia: Para atender sustentavelmente as necessidades futuras de alimentos, em tradução livre) , que foi apresentado na Semana Mundial da Água de 2009, em Estocolmo, pelo International Water Management Institute (IWMI) .

IWMI, FAO e pesquisadores parceiros obtiveram os resultados utilizando um modelo de computador chamado WATERSIM, o que ajuda a rever as trocas difíceis entre a segurança alimentar e o meio ambiente, especificamente em relação ao abastecimento de água.

O estudo apresenta três opções para a satisfação das necessidades alimentares da população da Ásia, que vai crescer em mais de 1 bilhão de pessoas nos próximos 40 anos. O primeiro é a importação de grandes quantidades de cereais provenientes de outras regiões, a segunda é melhorar e expandir a agricultura de sequeiro e a terceira a concentra-se em melhorar o gerenciamento e a eficácia das terras irrigadas.

“Na esteira da crise alimentar global em 2007 e 2008, os preços dos cereais deve ser mais elevado e mais volátil nos próximos anos”, diz Colin Chartres, diretor-geral do IWMI. ” A demanda por alimentos na Ásia deve dobrar até 2050. Baseando-se no comércio para atender uma grande parte dessa demanda significará impor uma carga enorme e politicamente insustentável para as economias de muitos países em desenvolvimento. A melhor aposta para a Ásia está em revitalizar os seus vastos sistemas de irrigação, que representam 70% do total de terras irrigadas do mundo. ”

A agricultura asiática registrou avanços dramáticos durante os anos 1960 e 1970 através de uma combinação de irrigação, variedades melhoradas e fertilizantes. Isto tornou possível evitar a fome generalizada e elevar os padrões de vida. De 1970 a 1995, a área irrigada na Ásia mais que dobrou, de acordo com o relatório do IWMI-FAO, fazendo com que se torna-se o continente mais intensamente irrigado eno mundo.

Para atender a demanda esperada de cereais em 2050, as projeções IWMI mostram que, com as tendências atuais de crescimento de produção, teríamos um aumento de 30% da superfície agrícola irrigada no sul da Ásia e 47% na Ásia Oriental.

Sem ganhos de produtividade na gestão da do Sul da Ásia seria necessário 57% mais de água para agricultura irrigada e na Ásia Oriental 70% mais. Dada a escassez existente de terra e água, bem como as necessidades crescentes de água das cidades, esse cenário é insustentável. Isso aponta claramente para a necessidade de um aumento dramático na produtividade da água, que só pode ser conseguida com uma completa revitalização da infra-estrutura de irrigação, na gestão e na política de uso e acesso à água.

Os cenários apresentados no relatório do IWMI-FAO não levam em consideração as mudanças climáticas, o que provavelmente aumentará a pressão sobre os sistemas de irrigação já sobrecarregados. Como resultado, o estudo pode revelar-se excessivamente otimista.

O potencial de melhoria é particularmente grave no sul da Ásia, onde mais de metade da área de produção é irrigada, com baixa produtividade. No sul da Ásia, por exemplo, 94% das terras apropriadas para a agricultura já estão em produção. Como conseqüência, uma expansão significativa da agricultura tende a ser de sequeiro, em grande parte à custa da fragilidade de zonas marginais, com elevados custos ambientais em termos de perda de biodiversidade e emissões de gases de efeito estufa.

O relatório está disponível para acesso integral, no formato PDF e recomendamos a sua leitura, tendo em vista que o mesmo risco, potencialmente, também ocorrerá no Brasil

Para acessar o relatório, no formato PDF, clique aqui.

EcoDebate, 24/08/2009

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