Derretimento de geleiras pode estar relacionado ao aumento da poluição, por Henrique Cortez

degelo

[EcoDebate] As emissões totais de poluentes organicos persistentes vem sendo reduzidas e, no entanto, pesquisadores identificam um crescimento da contaminação. Estudo [Blast from the Past: Melting Glaciers as a Relevant Source for Persistent Organic Pollutants] publicado na Environmental Science & Technology associa o aumento da contaminação ao derretimento das geleiras.

As geleiras alpinas estão derretendo rapidamente, desde 1990 e, agora, os cientistas estimam que a poluição contida no gelo, ao longo de décadas, está fluindo em um ritmo cada vez maior para os lagos e rios que recebem a água das geleiras.

Pesquisas anteriores já haviam documentado um aumento na concentração de poluentes orgânicos em sedimentos de lagos alpinos desde a década de 1990, apesar da diminuição da utilização desses compostos em pesticidas, equipamentos elétricos, tintas e outros produtos.

No novo estudo, Christian Bogdal, do Instituto Suíço de Química e de Bioengenharia e colegas avaliaram os poluentes orgânicos em sedimentos do lago Oberaar, na região alpina de Berna, Suíça. Os testes foram realizados para identificar dioxinas, PCB, pesticidas organoclorados e fragrâncias sintéticas.

Eles descobriram que, enquanto a contaminação diminuiu para níveis baixos em 1980 e 1990, presumivelmente devido às regulamentações mais duras e melhorias nos produtos, desde a década de 1990 o fluxo de todos estes poluentes no lago aumentou drasticamente.

O fluxo de organoclorados no lago hoje é semelhante ou até maior do que na década de 1960 e 1970, afirma o estudo.

A preocupação com a contaminação ambiental decorrente do degelo é crescente. Em matéria anterior [O degelo do Ártico ameaça os povos tradicionais de envenenamento] descrevemos que um estudo [Mercury Trends in Ringed Seals (Phoca hispida) from the Western Canadian Arctic since 1973: Associations with Length of Ice-Free Season] publicado na edição online da revista Environmental Science and Technology. estimou que diversas etnias tradicionais do Ártico estão ameaçadas pelo aquecimento global, não apenas pela transformação de sua terras, mas também pelo envenenamento alimentar.

Pesquisadores do Department of Fisheries and Oceans do governo do Canadá avaliou o teor de mercúrio em focas e baleias beluga, alimentação tradicional dos Inuit no norte do Canadá. Os índices de contaminação já seriam considerados inseguros em peixes e os pesquisadores estimam que o problema irá se agravar.

O degelo está liberando o mercúrio ‘capturado’ no gelo. Além do mercúrio, o derretimento também libera outros produtos químicos tóxicos, como o DDT e PCB, que transportados pela atmosfera foram, ao longo de décadas, acumulados no gelo e no permafrost. Com o derretimento, estes poluentes ‘escapam” para córregos e rios, atingindo o Oceano Ártico.

O estudo “Blast from the Past: Melting Glaciers as a Relevant Source for Persistent Organic Pollutants” publicado na Environmental Science & Technology apenas está disponível por acesso pago ou por assinantes. Para maiores informações transcrevemos, abaixo, o abstract

Blast from the Past: Melting Glaciers as a Relevant Source for Persistent Organic Pollutants
Christian Bogdal, Peter Schmid, Markus Zennegg, Flavio S. Anselmetti, Martin Scheringer and Konrad Hungerbhler
pp 8173–8177
Publication Date (Web): September 24, 2009 (Article)
DOI: 10.1021/es901628x

Abstract
In this study, the hypothesis that melting Alpine glaciers may represent a secondary source of persistent organic chemicals is investigated. To this end, a dated sediment core from a glacier-fed lake (Lake Oberaar, Switzerland) was analyzed for a wide range of persistent organic pollutants, organochlorine pesticides, and synthetic musk fragrances. Input fluxes of all organochlorines increased in the 1950s, peaked in the 1960s?1970s, and decreased again to low levels in the 1980s?1990s. This observation reflects the emission history of these compounds and technical improvements and regulations leading to reduced emissions some decades ago. The input of synthetic musks remained at a high level in the 1950s?1990s, which is consistent with their relatively constant production throughout the second half of the 20th century. Since the late 1990s, input of all compound classes into the high-Alpine Lake Oberaar has increased sharply. Currently, input fluxes of organochlorines are similar to or even higher than in the 1960s?1970s. This second peak supports the hypothesis that there is a relevant release of persistent organic chemicals from melting Alpine glaciers. Considering ongoing global warming and accelerated massive glacier melting predicted for the future, our study indicates the potential for dire environmental impacts due to pollutants delivered into pristine mountainous areas.

Matéria de Henrique Cortez, no EcoDebate, 05/11/2009

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