COP 15, Copenhague, deve levar em consideração a crise humanitária dos refugiados ambientais, por Henrique Cortez

COP 15, Copenhague, deve levar em consideração a crise humanitária dos refugiados ambientais
Foto de Moises Saman/The New York Times

[Ecodebate] A COP 15, em Copenhague, deve ser monopolizada pelas discussões dos ‘custos’ da redução de carbono e as reais ou fantasiosas metas, mas parece que deixará de lado as políticas de redução de danos em relação aos “refugiados de carbono”.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), presidido pelo antigo primeiro-ministro português António Guterres, estima que, na atualidade, existam 25 milhões de refugiados ambientais e que , mantidas as atuais tendências de emissões, chegaremos a trezentas mil mortes anuais e 250 milhões de refugiados ambientais em 2050.

Uma das alternativas está em criar mecanismos claros de redução de emissões e manutenção dos atuais reservatórios de carbono nas florestas e, para isto, os moradores da floresta devem ser incluídos na concepção do negócio florestal, em Copenhague, a fim de evitar uma crise humanitária.

Esta é a afirmação de um estudo [Carbon trading: don’t victimise the poorest forest dwellers], do Dr. Simon Lewis, cientista da Universidade de Leeds, publicado na revista Nature.

O Dr. Simon Lewis argumenta que pelo menos 50% dos pagamentos de créditos de carbono a serem discutidos e, eventualmente, aprovados em Copenhague, conhecidos como REDD (Redução das Emissões do Desmatamento e Degradação), devem ser feito para os moradores da floresta diretamente e seus direitos de propriedade e usufruto das florestas formalmente assegurado.

Para ele, os atuais projetos REDD, tal como acontece no sudeste asiático, tende a expulsar as populações tracionais para os grandes projetos comerciais de reflorestamento ou uso industrial das florestas.

“Sem planejamento cuidadoso, os projetos REDD podem criar um grande número de” refugiados de carbono e os moradores da floresta poderm ser excluídos de seus meios de subsistência pelos projetos que usam a justificativa de preservar carbono.”

Uma outra nova pesquisa [Using satellite radar backscatter to predict above-ground woody biomass: A consistent relationship across four different African landscapes], publicada esta semana na Geophysical Research Letters, também apoia a ideia de que as pessoas que vivem em comunidades dependentes da floresta são uma parte da solução para a preservação das florestas, e não uma parte do problema.

É, ao que tudo indica, uma tragédia humanitária que se aproxima rapidamente, mas, nem por isto, parece ‘humanizar’ os líderes globais.

Aparentemente pouco se importam porque as maiores vítimas estarão nos países pobres, recém rotulados de ‘em desenvolvimento’, mas é uma deliberada omissão muito arriscada porque as mudanças climáticas não reconhecem fronteiras ou PIBs.

Talvez quando o desastre econômico for insuportável eles se lembrem do desastre humanitário. Mas, talvez, já seja tarde.

Por Henrique Cortez, do EcoDebate, 07/12/2009, com informações de Clare Ryan, University of Leeds.

Nota do EcoDebate: como informação adicional do potencial desastre humanitário dos refugiados ambientais recomendamos que leiam, também, as matérias:

Entidades preveem trezentas mil mortes anuais e 250 milhões de refugiados ambientais em 2050

ONU estuda adoção de medidas para proteger refugiados do clima

Migrantes ou refugiados ambientais? A polêmica por trás do conceito, artigo de Márcia Pimenta

Refugiados ambientais, a dimensão humana do aquecimento global

‘Não há nenhum estatuto para os refugiados climáticos’, diz François Gemenne, especialista em migrações

Mudanças climáticas podem criar milhões de refugiados ambientais

Aumento do nível do mar transformará Bangladesh em um país de refugiados climáticos

EcoDebate, 07/12/2009

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