Sequestro de carbono no subsolo ou nos oceanos, uma alternativa pouco eficaz e com muitos riscos

[Por Henrique Cortez, para o EcoDebate] A ideia de sequestrar carbono atmosférico está ganhando apoio como uma forma de evitar ou minimizar o aquecimento global. A título de exemplo, a União Europeia vai investir 1 bilhão de euros, dentro dos próximos dez anos, para desenvolver a captura e armazenamento de CO2, em usinas de energia e e outras atividades com grande emissão, para armazenamento no subsolo.

Mas até que ponto este procedimento é eficaz e quais são as consequências de longo prazo no caso de escape do CO2 capturado para os oceanos e atmosfera? Uma nova pesquisa [Long-term effectiveness and consequences of carbon dioxide sequestration], publicada na revista científica Nature Geoscience, tenta discutir estas questões.

Em tese, a utilização em grande escala de sequestro de carbono pode ajudar a evitar o aquecimento global extremo, que ocorreria no futuro próximo, se as emissões de CO2, a partir da queima de combustíveis fósseis, não forem reduzidas significativamente.


Mas não está claro quão efetivos são os diferentes tipos de sequestro em longo prazo, devido ao risco de vazamento do CO2 armazenado de volta para a atmosfera. Também não é claro quais seriam as consequências a longo prazo de tal vazamento para o meio ambiente.

Gary Shaffer, professor no Niels Bohr Institute e pesquisador no Danish Center for Earth System Science, fez as projeções a longo prazo, através de modelo, para uma série de cenários de sequestro / vazamento. Seus resultados mostram que o vazamento do CO2 armazenado poderá resultar no agravamento do aquecimento, aumento do nível do mar, além do agravamento da acidificação e concentrações elevadas de CO2 no oceano.

Para o pesquisador, o armazenamento de CO2 no fundo do oceano é uma má escolha pois este cria graves problemas para a vida marinha, além do fato que o CO2, armazenado desta forma, retorna para a atmosfera de forma relativamente rápida, realimentando o aquecimento global.

O armazenamento geológico pode ser mais eficaz em retardar o retorno do CO2 e contribuir para reduzir o aquecimento, mas apenas se o escape de CO2 for de 1% ou menos, ao longo de mil anos.

Um fardo para a sociedade futura

Alternativamente, pode-se atuar pelo ‘re-sequesto’ como medida compensatória contra vazamento do oceano ou de reservatórios geológicos. Mas seria difícil medir a taxa de escape global a ser acompanhada por re-sequestro. Além disso, ele teria que ser realizado ao longo de milhares de anos, um fardo para a sociedade do futuro.

Professor Shaffer conclui que “os perigos do sequestro de carbono são reais e o eventual desenvolvimento desta técnica não deve ser usado como um argumento para a manutenção de um elevado nível de emissões por combustíveis fósseis. Pelo contrário, devemos limitar as emissões de CO2 no nosso tempo, para reduzir a necessidade de sequestro maciço de carbono e, portanto, reduzir as consequências indesejáveis e encargos ao longo de muitas gerações futuras.

Long-term effectiveness and consequences of carbon dioxide sequestration
Nature Geoscience 3, 464 – 467 (2010)
Published online: 27 June 2010 | doi:10.1038/ngeo896

Por Henrique Cortez, para o EcoDebate, 05/07/2010, com informações de Gertie Skaarup, University of Copenhagen.

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