EcoDebate: Índice da edição nº 2.708, 2017 [de 24/02/17]

 

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A demanda de energia e o crescimento das fontes renováveis até 2035, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

A ficção perigosa da economia do dinheiro, artigo de Clóvis Cavalcanti

Cisternas permitem maior oferta de água potável à região do semiárido

RJ: Moradores de Santa Cruz cobram reparações após venda da TKCSA

Belo Sun: Justiça suspende licenciamento do Projeto Minerário Volta Grande na área de Belo Monte

ONU lança iniciativa global para eliminar grandes fontes de lixo marinho até 2022

Nota da Comissão Pastoral da Terra (CPT): Causa indígena na Marquês de Sapucaí

 

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EcoDebate: Índice da edição nº 2.707, 2017 [de 23/02/17]

 

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Sustentabilidade planetária, artigo de Roberto Naime

Biologia sintética, bioengenharia, bioeconomia… artigo de Antonio Silvio Hendges

11º Mandamento, artigo de Roberto Malvezzi (Gogó)

Pesquisadores buscam reduzir os danos provocados ao meio ambiente pelos fertilizantes convencionais

Estudo concluiu que os resultados dos cotistas e dos financiados pelo Fies equivalem aos dos colegas

Famílias removidas pelo Parque Olímpico lutam na justiça por compensação mais justa

Comer em excesso também é considerado uma forma de dependência

 

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EcoDebate: Índice da edição nº 2.706, 2017 [de 22/02/17]

 

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Brasil do consumo versus China do investimento, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

Um Cavalo de Troia para Pontal do Paraná, por Dailey Fischer, Junior Ruiz Garcia e Clóvis Ricardo Schrappe Borges

Colapsos ambiental e financeiro ameaçam o mundo, artigo de Clóvis Cavalcanti

Biossistema: uma saída sustentável para tratar esgoto em favelas

BNDES aprova financiamento para 8 parques eólicos na Bahia, com capacidade geradora de 223,25 megawatts

Pesquisa da Embrapa Agroenergia encontra microalgas que crescem em resíduos e geram biocombustíveis

Número de pobres no Brasil terá aumento de no mínimo 2,5 milhões em 2017, aponta estimativa do Banco Mundial

 

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EcoDebate: Índice da edição nº 2.705, 2017 [de 21/02/17]

 

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Um novo arranjo de equilíbrio, artigo de Roberto Naime

Cultivo de hortaliças em várzeas amazônicas: uma técnica tradicional para evitar a água e a umidade, por Cristiaini Kano e Daniel Felipe de Oliveira Gentil

As commodities ambientais e a métrica do carbono, artigo de Amyra El Khalili

Estudo mostra que, em 2015, apenas 42% dos esgotos eram tratados

Combate ao desmatamento ilegal passa pela perda de capitais de fazendeiros

Justiça determina que SP crie Área de Proteção Ambiental do aquífero Guarani

Estudo analisa impactos das mudanças climáticas na Amazônia

Devedores da Previdência Social devem quase três vezes o déficit do setor

 

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O consumo insustentável e os oceanos à beira de uma catástrofe, por Henrique Cortez

 

Nos últimos dez anos a população de atuns vermelhos diminuiu 90 por cento.Um atum de 150 quilos como este é raridade. O mais nobre dos peixes foi dizimado. Só restam peixinhos ridículos. E estão ameaçados. Foto na revista ÉPOCA.
Nos últimos dez anos a população de atuns vermelhos diminuiu 90 por cento.Um atum de 150 quilos como este é raridade. O mais nobre dos peixes foi dizimado. Só restam peixinhos ridículos. E estão ameaçados. Foto na revista ÉPOCA.

 

[EcoDebate] O rápido esgotamento dos estoques pesqueiros e a crescente degradação dos ecossistemas marinhos são temas que muitas pessoas já ouviram falar, mas, definitivamente, não se importam ou não se preocupam.

A acidificação dos oceanos, em razão do aumento da concentração do CO2 atmosférico, o aquecimento global e as mudanças climáticas ameaçam os ecossistemas marinhos e, diante da inação global, esta ameaça é crescente.

Como se não bastasse, a superexploração em razão do consumo insustentável, ameaçam os oceanos ainda mais rapidamente do que o aumento da concentração do CO2 atmosférico.

O relatório da FAO ‘The State of World Fisheries and Aquaculture 2012 ’ foi bastante noticiado, inclusive aqui no EcoDebate, mas a reação foi mínima, tanto no Brasil como nos EUA e Europa.

Como em outros temas relacionados à crise ambiental global, a maioria das pessoas prefere manter-se alheia ao problema. Não questiono a opção consumista alienada destas pessoas, mas tenho o direito de discutir que isto tem um ‘preço’, a ser pago pelas próximas gerações, nossos filhos e netos.

Segundo o relatório, 30% dos peixes do mundo são superexplorados (e podem desaparecer) e outros 57% estão próximos do limite de extração sustentável.

O relatório da FAO reafirma que a pesca comercial em grande escala já captura 80% de todas espécies oceânicas além de sua capacidade máxima de reposição e que a sobrepesca continua a crescer.

A redução dos ‘estoques’ oceânicos vem sendo compensada pela piscicultura comercial, que, de acordo com o relatório, já oferta 50% dos peixes consumidos em escala global. Em 2002 a piscicultura respondia por 1/3 da oferta.

A tendência de crescimento da piscicultura parece ser uma boa notícia, na medida em que, aparentemente, reduzirá a pressão sobre os cardumes oceânicos. Parece, mas não é.

A piscicultura precisa alimentar os peixes ao máximo, no menor tempo possível, para que atinjam tamanho e peso com valor comercial. Para isto usam rações e óleos produzidos a partir de pequenas espécies como sardinha. Estas pequenas espécies, que são de fundamental importância na cadeia alimentar, também estão sob imensa pressão de sobrepesca e a piscicultura é uma das razões.

As pequenas espécies, que, aparentemente, tem pequeno valor comercial, são intensamente capturadas para produção de rações. Um terço da captura mundial de peixe é desperdiçado na produção de ração animal, sendo que as rações preparadas a partir de peixes representam 37% (31,5 milhões de toneladas) do total de peixes retirados dos oceanos a cada ano e 90 % das capturas transformam-se em farinha e óleo de peixe. Em 2002, 46% de farinha de peixe e óleo de peixe foram utilizadas como alimento para a aqüicultura (piscicultura), 24% para alimentar porcos e 22% para a alimentação de aves.

Um terço do que acaba nas redes de pesca é jogado fora – Três em cada 10 peixes são mortos por engano e são jogados de volta na água. Todos os anos, 250 mil tartarugas são mortas pelos ganchos destinados aos peixes-espada. Mais de 70% dos estoques populacionais de peixes da Europa progressivamente são empobrecidos pelo uso excessivo das redes.

Os peixes compõem uma fração importante na nossa alimentação e seu consumo continua a aumentar em escala maior do que o aumento da população humana. É um grande mercado, pouco regulado e fiscalizado, que ainda não se preocupa com a sustentabilidade.

A indústria pesqueira mundial viola o ‘Código de Conduta para a Pesca Responsável’ da ONU, de acordo com um estudo que diz que nenhum país merece nota maior do que 6,0 em gestão de pesca. Quatro das cinco nações que mais capturam peixes tiveram nota abaixo de 5,0 num total de 10,0; Brasil ficou com conceito de 3,3

Quatro dos cinco países que mais capturam peixes em áreas costeiras no mundo -China, Peru, Japão e Chile- receberam nota abaixo de 5,0 num estudo que avaliou o grau de adesão da pesca mundial a práticas pesqueiras sustentáveis. O levantamento, que analisou os 53 países que mais pescam no mundo (e respondem por 96% do que é retirado dos oceanos), concluiu que todos têm gestão pesqueira reprovável.

Um estudo recente afirmou que a pesca em pequena escala é a melhor esperança de uma pesca sustentável, porque, em tese, a pesca em pequena escala já seria suficiente para atender a demanda de recursos pesqueiros para alimentação humana. Mas não conseguiria suprir a demanda para produção de rações para alimentação animal.

Não é à toa que o bacalhau, em 20 anos, deixará de estar nas nossas mesas. Mas quem se importa com isto, desde que esteja ‘presente’ no próximo almoço de páscoa.

Aliás, todas as 61 espécies conhecidas de atum entraram para a lista de animais ameaçados de extinção. Mas, novamente, e daí?

Estes são fatos amplamente noticiados mas, nem por isto, adquiriram importância no cotidiano da maioria das pessoas.

No Brasil, o Censo da Vida Marinha divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) indica que, das 1.209 espécies de peixes catalogadas na costa e nos estuários, 32 são sobre-exploradas. O caso dos crustáceos é ainda pior: a sobrepesca afeta 10 de 27 espécies.

A indústria pesqueira atual é insustentável, para não dizer irresponsável

Um novo componente de ameaça aos ecossistemas marinhos vem do crescimento de consumo dos suplementos alimentares a base de Ômega 3, m tipo específico de gordura encontrada mais frequentemente em peixes.

Uma parte da sobrepesca visa a produção de óleos Ômega 3, mas a redução dos ‘estoques’ pesqueiros ameaçava o crescimento vertiginoso do consumo deste óleo de peixes e a industria descobriu uma nova fonte, o krill.

Mike Adams, editor do portal NaturalNews, em interessante artigo [Questioning Krill Harvesting: Why Krill Oil Isn’t an Eco-Friendly or Sustainable Source of Marine Omega-3 Oils] questiona a sustentabilidade da produção de óleos Omega a partir da captura de krill.

O krill está na base da cadeia alimentar oceânica e, de acordo com o artigo, a sua biomassa sofreu uma redução de 80% nas últimas décadas. Ou seja, a indústria de óleos Ômega 3 encontrou uma ‘solução’ para a redução dos estoques pesqueiros que, ao longo do tempo, irá reduzir ainda mais estes estoques.

Mas e daí? Os óleos Ômega 3 são importantes para a saúde humana e quem se importa como foi produzido ou de onde ele vem?

Reafirmo que não questiono as opções de quem quer que seja, mas também reafirmo que temos a obrigação moral de reconhecer os impactos sociais, econômicos e ambientais destas opções.

Graças ao consumo insustentável de hoje, os que aqui estiverem em 2050 consumirão muito menos, simplemente porque haverá muito menos que consumir.

E esta será uma das consequências de nossas opções, inclusive de fazer de conta que os problemas não existem.

Henrique Cortez, henriquecortez@ecodebate.com.br
coordenador editorial do Portal EcoDebate

Nota do EcoDebate: Para uma melhor compreensão da dimensão da ameaça aos ecossistemas marinhos sugerimos que leiam, também, os textos abaixo relacionados, em ordem decrescente de data:

Os oceanos e sua importância para os serviços ambientais. Entrevista com Leandra Gonçalves

Aquecimento pode ser mais nocivo do que se imagina para os oceanos e para a vida marinha

‘O oceano é o coração azul do Planeta; é o que nos matém vivos; é a chave da vida’, insiste Sylvia Earle

Aumento das emissões de gases de efeito estufa podem causar US$ 2 tri danos aos oceanos

Estudo indica que mudança no pH dos oceanos pode acabar com vida marinha ainda neste século

Estoques pesqueiros estão no limite

Oceanos cada vez mais ácidos ameaçam 30% das espécies marinhas

Oceanos já estão até cem vezes mais ácidos devido a emissões de CO2

Sobrepesca e aquecimento dos oceanos ameaçam bilhões de pessoas, diz relatório do PNUD

Mudanças climáticas antropogênicas, lixo e exploração submarina ameaçam fauna e flora do fundo dos oceanos

Todas as 61 espécies conhecidas de atum entraram para a lista de animais ameaçados de extinção

Os oceanos à beira de uma catástrofe ‘sem precedentes na história humana’

Um novo estudo indica que a vida nos oceanos pode enfrentar extinção sem precedentes

Espécies comerciais pesqueiras sob o risco de colapso

Pesca insustentável: Um terço do que acaba nas redes de pesca é jogado fora

A indústria pesqueira atual é insustentável, para não dizer irresponsável

O CO2 e a crescente acidificação dos oceanos

Declínio da população de fitoplâncton ameaça cadeia alimentar marinha

EcoDebate, 16/08/2012

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Nosso modelo de desenvolvimento é insustentável ou como a economia está matando o planeta, por Henrique Cortez

[As the economy is killing the planet: a theme to be discussed by Henry Cortez]

O relatório “Special report: How our economy is killing the Earth”, publicado pela revista New Scientist, é, acima de tudo, uma provocação. Preocupa-se, acertadamente, em formular questões e motivar o debate porque, sem reflexão crítica, talvez não tenhamos futuro.

Em primeiro lugar, o artigo reconhece o obvio: nosso modelo de desenvolvimento é insustentável.

Vivemos em um planeta finito com recursos igualmente finitos, logo o conceito de desenvolvimento baseado na expansão infinita da economia não funcionará por muito tempo. Pena que, reconhecer o obvio, nem sempre seja simples.

Desde o início da era industrial, os padrões desenvolvimento foram concebidos a partir da relação produção e consumo. Deste período inicial, os conceitos de preço, valor e custo, embora diferentes, guardavam uma lógica nas suas razões e proporções.

A globalização e a finaceirização da economia criaram um modelo em que preço, valor e custo já não guardam relação entre si. Criaram, na verdade, um modelo apenas baseado no consumo desmedido e na especulação.

É esta a questão essencial colocada pelo artigo: só encontraremos a necessária sustentabilidade planetária se mudarmos o modelo de desenvolvimento e, com ele, os atuais fundamentos econômicos.

Redesenhar a economia mundial seria um feito inédito e só poderia acontecer se realizado coordenadamente por todos os países. Ou seja, não vai acontecer.

Vou usar a questão do consumo insustentável como exemplo.

O modelo produção/consumo precisa vender cada vez mais, em escala maior do que o crescimento populacional. Para isto investe pesadamente no marketing, produzindo uma onda consumista sem paralelos na história. Ao mesmo tempo, todos os produtos devem ficar obsoletos o mais rápido possível, justificando sua substituição, mesmo que desnecessária. O desperdício é incentivado e o consumo desenfreado endeusado.

É evidente que isto demanda cada vez mais recursos naturais e energia, logo, nossa pegada ecológica fica cada vez maior.

Muito bem, digamos que uma onda de regulação global tente reduzir este processo, a começar pela obrigação de reduzir a obsolescência, ao mesmo tempo em que, por programas de eficiência energética, reduz a energia agregada ao produto.

O primeiro impacto seria a redução da demanda de recursos naturais e de energia, mas, ao mesmo tempo, também reduziria a demanda industrial e, com ela, a oferta de empregos na indústria.

Menos empregos e produção também reduziriam a arrecadação de tributos, o que poderia enfraquecer toda a rede de proteção social oferecida pelos governos.

Com base no raciocínio acima, os desenvolvimentistas são ferrenhos defensores do crescimento da produção, do consumo e, evidentemente, da carga tributária.

Segundo eles, sem isto, o resultado seria uma catástrofe econômica em escala global.

Certo? Não necessariamente.

Uma grande parte deste modelo de desenvolvimento é virtual e meramente especulativo, como ficou demonstrado na atual crise financeira internacional e na crise alimentar.

Na crise alimentar ficou demonstrado que a produção de alimentos é mais do que suficiente para garantir a segurança alimentar de toda a população do planeta, mas, o modelo especulativo encarece os produtos, impedindo que os mais pobres tenham acesso aos alimentos, perpetuando o ciclo da fome.

Algo parecido acontece com os produtos e com os serviços.

Muitas empresas obtêm mais da metade de seus lucros no mercado financeiro e, para isto, tornam-se grandes investidores nas bolsas de valores. Para manter o ritmo de seus lucros buscam papeis mais lucrativos e, por conseqüência, de maior risco.

Enquanto wall street, a economia virtual, esteve desconectada de main street, a economia real, o cassino especulativo enriqueceu muita gente, mas agora, com a crise, quando os papeis perderam a gordura especulativa e retornaram ao seu valor real, a conta ficou com o contribuinte. É da essência deste capitalismo especulativo que o lucro seja privado e o prejuízo seja socializado.

É a forma ilógica da relação de preço, valor e custo que permite que um tênis que custa US$ 25 seja vendido por US$ 400. Toda a economia global possui incontáveis casos como este e, por isto, é uma economia com muito mais dígitos do que seu valor real.

Isto também permite que executivos, nos EUA, tenham um salário de US$ 17 mil por hora e que recebam generosas bonificações pelos lucros que oferecem aos acionistas, mesmo que sejam lucros meramente especulativos.

É o caso do preço do petróleo que, no último ano, variou de US$ 60 para US$ 140 e agora está reduzido à metade, sem qualquer relação real com a produção e o consumo. As variações de consumo foram irrelevantes e os grandes consumidores mundiais continuam com a mesma demanda maciça. Outro claro caso de especulação.

É isto que está em questão, o que realmente deve ser entendido como desenvolvimento, como deve ser medido e incentivado.

O relatório “Special report: How our economy is killing the Earth”, publicado pela revista New Scientist, não pretende de esgotar o tema ou propor as alternativas. Também não tenho esta pretensão, nem que seja porque, nem de longe, tenho as respostas. Alias, acho que ninguém tem.

Fica, no entanto, o alerta de que este modelo não vai funcionar por muito tempo, na exata medida em que os recursos naturais se esgotam e que as mudanças climáticas podem colocar a economia e a sociedade diante de uma catástrofe planetária.

Precisamos debater estes temas e encontrar as alternativas mais viáveis enquanto ainda temos tempo.

Henrique Cortez, henriquecortez@ecodebate.com.br
coordenador do EcoDebate

Abaixo transcrevemos, no original em inglês, Special report: How our economy is killing the Earth.

Special report: How our economy is killing the Earth

New Scientist magazine, 16 October 2008, page 40-41

THE graphs climbing across these pages (see graph, right, or explore in more detail) are a stark reminder of the crisis facing our planet. Consumption of resources is rising rapidly, biodiversity is plummeting and just about every measure shows humans affecting Earth on a vast scale. Most of us accept the need for a more sustainable way to live, by reducing carbon emissions, developing renewable technology and increasing energy efficiency.

But are these efforts to save the planet doomed? A growing band of experts are looking at figures like these and arguing that personal carbon virtue and collective environmentalism are futile as long as our economic system is built on the assumption of growth. The science tells us that if we are serious about saving Earth, we must reshape our economy.

This, of course, is economic heresy. Growth to most economists is as essential as the air we breathe: it is, they claim, the only force capable of lifting the poor out of poverty, feeding the world’s growing population, meeting the costs of rising public spending and stimulating technological development – not to mention funding increasingly expensive lifestyles. They see no limits to that growth, ever.

In recent weeks it has become clear just how terrified governments are of anything that threatens growth, as they pour billions of public money into a failing financial system. Amid the confusion, any challenge to the growth dogma needs to be looked at very carefully. This one is built on a long-standing question: how do we square Earth’s finite resources with the fact that as the economy grows, the amount of natural resources needed to sustain that activity must grow too? It has taken all of human history for the economy to reach its current size. On current form it will take just two decades to double.

In this special issue, New Scientist brings together key thinkers from politics, economics and philosophy who profoundly disagree with the growth dogma but agree with the scientists monitoring our fragile biosphere. The father of ecological economics, Herman Daly, explains why our economy is blind to the environmental costs of growth (“The World Bank’s blind spot”), while Tim Jackson, adviser to the UK government on sustainable development, crunches numbers to show that technological fixes won’t compensate for the hair-raising speed at which the economy is expanding (“Why politicians dare not limit economic growth”).

Gus Speth, one-time environment adviser to President Jimmy Carter, explains why after four decades working at the highest levels of US policy-making he believes green values have no chance against today’s capitalism (“Champion for green growth”), followed by Susan George, a leading thinker of the political left, who argues that only a global government-led effort can shift the destructive course we are on (“We must think big to fight environmental disaster”).

For Andrew Simms, policy director of the London-based New Economics Foundation, it is crucial to demolish one of the main justifications for unbridled growth: that it can pull the poor out of poverty (“The poverty myth”). And the broadcaster and activist David Suzuki explains how he inspires business leaders and politicians to change their thinking (“Interview with an environmental activist”).

Just what a truly sustainable economy would look like is explored in “Life in a land without growth“, when New Scientist uses Daly’s blueprint to imagine life in a society that doesn’t use up resources faster than the world can replace them. Expect tough decisions on wealth, tax, jobs and birth rates. But as Daly says, shifting from growth to development doesn’t have to mean freezing in the dark under communist tyranny. Technological innovation would give us more and more from the resources we have, and as philosopher Kate Soper argues in “Nothing to fear from curbing growth”, curbing our addiction to work and profits would in many ways improve our lives.

It is a vision John Stuart Mill, one of the founders of classical economics, would have approved of. In his Principles of Political Economy, published in 1848, he predicted that once the work of economic growth was done, a “stationary” economy would emerge in which we could focus on human improvement: “There would be as much scope as ever for all kinds of mental culture, and moral and social progress… for improving the art of living and much more likelihood of it being improved, when minds cease to be engrossed by the art of getting on.”

Today’s economists dismiss such ideas as naive and utopian, but with financial markets crashing, food prices spiralling, the world warming and peak oil approaching (or passed), they are becoming harder than ever to ignore.

Read more:

Special report: The facts about overconsumption

The two sets of graphs, right, illustrate how human activity has changed since the beginning of the Industrial Revolution, and the impacts that our societies have had on the Earth as a whole.

All figures are taken, with the kind permission of the publishers, from:

Steffen W, Sanderson A, Tyson P D, Jäger J, Matson P, Moore III B, Oldfield F, Richardson K, Schellnhuber H-J, Turner II B L and Wasson R J (2004) Global Change and the Earth System: A Planet Under Pressure. The IGBP Book Series, Springer-Verlag, Berlin, Heidelberg, New York, 336 pp

Specific references used are as follows:

Blunier T, Chappellaz J, Schwander J, Barnola J-M, Desperts T, Stauffer B, Raynaud D (1993) “Atmospheric methane record from a Greenland ice core over the last 1000 years.” Geophysical Research Letters, vol 20, p 2219-2222

Canning D (1998) World Bank: A database of world infrastructure stocks, 1950-95. World Bank, Washington DC

Etheridge D M, Steele L P, Langenfelds R L, Francey R J, Barnola J-M, Morgan V I (1996) “Natural and anthropogenic changes in atmospheric CO2 over the last 1000 years from air in Antarctic ice and firn.” Journal of Geophysical Research, vol 101, p 4115-4128

FAOSTAT (2002) Statistical Databases. Food and Agriculture Organization of the United Nations, Rome.

International Fertilizer Industry Association (2002) Fertilizer Indicators

Klein Goldewijk K, Battjes J J (1997) “One hundred year (1890 – 1990) database for integrated environmental assessments.” National Institute for Public Health and the Environment (RIVM). Bilthoven, Netherlands

Machida T, Nakazawa T, Fujii Y, Aoki S, Watanabe O (1995) “Increase in the atmospheric nitrous oxide concentration during the last 250 years.” Geophysical Research Letters, vol 22, p 2921-2924

Mackenzie F T, Ver L M, Lerman A (2002) “Century-scale nitrogen and phosphorus controls of the carbon cycle.” Chemical Geology, vol 190, p 13-32

Mann M E, Bradley R S, Hughes M K (1999) “Northern hemisphere temperatures during the past millennium: inferences, uncertainties, and limitations.Geophysical Research Letters, vol 26(6), p 759-762

McDonalds homepage

Nordhaus (1997) “Do real wage and output series capture reality? The history of lighting suggests not.” In: Bresnahan T, Gordon R (eds) The economics of new goods. University of Chicago Press, Chicago. (Download the chapter as a PDF)

OFDA/CRED (2002) Emergency Events Database (EM-DAT): The OFDA (United States Office of Foreign Disaster Assistance)/CRED (Center for Research on the Epidemiology of Disaster) international disaster database. Louvain Catholic University, Belgium

Pulp and Paper International (1993) “PPI’s international fact and price book”. In: FAO forest product yearbook 1960-1991. Food and Agriculture Organization of the United Nations, Rome

Richards J (1990) “Land transformation.” In: Turner II B L, Clark W C, Kates R W, Richards J F, Mathews J T, Meyer W B (eds) The Earth as transformed by human action: Global and regional changes in the biosphere over the past 300 years. Cambridge University Press, Cambridge pp 163-201

Shiklomanov I A (1990) “Global water resources.” Nature and Resources, vol 26(3)

UN Center for Human Settlements (2001) The state of the world’s cities, 2001. United Nations

UNEP (2000) Global environmental outlook 2000. Clarke R (ed), United Nations Environment Programme

US Bureau of the Census (2000) International Database.

Wilson E O (1992) The diversity of life. Allen Lane, the Penguin Press

World Bank (2002) Data and statistics

World Commission on Dams (2000) Dams and development: A new framework for decision-making. The Report of the World Commission on Dams. Earthscan Publications Ltd, London and Sterling, VA

WRI (1990) “Forest and rangelands.” In: A Guide to the Global Environment. World Resources Institute, Washington DC pp 101-120

World Tourism Organization (2001) Tourism industry trends. Industry Science Resources

EcoDebate

A Rio+20 e a cartinha ao Papai Noel, por Henrique Cortez

[EcoDebate] A Rio+20 não foi um fracasso pelo simples motivo que, de verdade, ninguém esperava que fosse um sucesso. Tolices e bravatas à parte, ela apenas reforçou as críticas que o modelo consensual da ONU é insuficiente para liderar as transformações que se fazem necessárias.

No entanto, em paralelo ao evento diplomático, ocorreram significativos avanços nos Major Groups e na Cúpula dos Povos.

Os chamados Major Groups, compostos por representantes da sociedade civil, concentrados em áreas temas [Negócios e Indústria / Crianças e Jovens / Agricultores / Povos Nativos / Autoridades Locais / ONGs / Comunidade Científica e Tecnológica / Mulheres / Trabalhadores e Sindicatos] trabalharam intensamente, produzindo discussões e trabalhos técnicos de suporte, que poderiam ter orientado as decisões das delegações.

Poderiam, mas ao final, foram solenemente ignorados. Nada discutido ou produzido nos Major Groups foi aproveitado no texto final. Em geral, nada aconteceria, mas desta vez, estes participantes reagiram com vigor, reafirmando que a sociedade civil lá estava para colaborar e ser ouvida.

Novamente ignorados, os participantes (pesquisadores, cientistas, ativistas, representantes de ONGs, etc…) emitiram a nota A Rio+20 que a sociedade civil não quer é a que está aí e formalmente se retiraram do plenário.

Sem respostas, os integrantes da sociedade civil subiram o tom entregando os crachás, em ato de protesto e publicando uma carta aberta contra texto final [Leia a carta da sociedade civil na íntegra, no site http://www.ipetitions.com/petition/the-future-we-dont-want/ ].

Pode parecer pouco, mas foi uma reação inédita e com repercussão internacional. Foi um importante avanço e merece destaque.

A Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental, de sua parte, também merece destaque pelas discussões, pela mobilização e pelos avanços apresentados.

Foi um evento organizado pela sociedade civil global, entre os dias 15 e 23 de junho, no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro – paralelamente à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (UNCSD), a Rio+20.

Evento aberto, com livre acesso da população e intensas discussões públicas contra a mercantilização da vida e em defesa dos bens comuns. Milhares de pessoas visitaram a Cúpula dos Povos, acompanhando as discussões e livremente obtendo informações com centenas de ativistas.

Além dos debates, as plenárias produziram documentos com sugestões, colaborações e propostas que foram entregues ao secretário geral da ONU, Ban Ki-moon.

No âmbito dos Direitos (por justiça social e ambiental), que corresponde à Plenária 1, ficou acordado que para garantir esses direitos é preciso, dentre outras medidas, fortalecer os direitos humanos e mudar as políticas públicas, o sistema de produção capitalista que domina, oprime e promove o etnocídio das culturas populares.

Em relação à defesa dos bens comuns e à mercantilização da vida (Plenária 2), acordou-se que, para ter direito à terra e ao território, é preciso haver uma regulamentação fundiária. E a Cartografia Social, segundo as organizações participantes, é um instrumento para atingir esse objetivo. É preciso que haja políticas públicas destinadas a estruturar essas mudanças e financiar projetos socioambientais para as comunidades.

A soberania alimentar, defendida naPlenária 3, determinou que, para obtê-la, é necessário fortalecer o pequeno agricultor, o camponês e o indígena. É preciso controlar o uso de agrotóxicos em escala industrial e fortalecer o ideário da agroecologia.

Em relação a energia e às indústrias extrativas, assunto da Plenária 4, ficou acordado que as energias renováveis e de controle descentralizado são a saída para a crise energética mundial. É preciso ainda que as organizações que poluem e causam impactos ambientais negativos sejam adequadamente punidas.

Sobre o trabalho, debatido na Plenária 5, ficou decidido que a reforma agrária, a abolição do agronegócio e a negação à mercantilização da natureza são medidas importantes para regulamentar e humanizar o trabalho. A punição para a violação de direitos trabalhistas também é um dos temas defendidos pelas organizações participantes da Cúpula dos Povos.

A Declaração final da Cúpula dos Povos na Rio+20 merece uma leitura atenta, porque claramente demonstra que a sociedade civil sabe o que quer e o que é preciso fazer.

E também merecem destaques as mobilizações, destacando a Marcha das Mulheres e a Manifestação em defesa dos bens comuns e contra a mercantilização da vida.

A Marcha das Mulheres foi realizada na manhã do dia 18/6, no Centro do Rio de Janeiro e reuniu cerca 8 mil pessoas de várias partes do mundo. Este foi o primeiro ato público realizado dentro da Cúpula dos Povos

No dia 20/6, a manifestação em defesa dos bens comuns e contra a mercantilização da vida, realizada na avenida rio Branco, com a participação de estudantes e representantes de movimentos sociais, reuniu, pelo menos, 50 mil pessoas. Talvez 80 mil, de acordo com os organizadores. Pouco importa, porque 50 mil pessoas é mais do que suficiente para torná-la a mais significativa e representativa da última década.

Enfim, em paralelo à Rio+20, os avanços foram importantes e visíveis.

Quanto à Rio+20 e seu documento “O Futuro que Queremos” se não foi um retrocesso em relação à Cúpula da Terra (Eco92) certamente também não foi um avanço.

Na realidade, mais me parece com uma carta do Joãozinho ao Papai Noel:

Querido Papai Noel… Prometo que vou ser bonzinho… Prometo que não vou fazer malcriação … Prometo que vou estudar … E prometo que não vou mais bater no meu irmãozinho…

Promessas, meras promessas, mas nada de compromissos.

Os governos, representados por suas delegações, fracassaram como esperado, mas a sociedade civil, nos Major Groups e na Cúpula dos Povos, mostrou que as mudanças já começaram e vieram para ficar.

Neste aspecto, mesmo sem querer, a Rio+20 foi um sucesso.

Henrique Cortez, coordenador editorial do Portal EcoDebate, com informações da Cúpula dos Povos.

batendo bumbo

Nota: acessem as discussões nas plenárias da Cúpula dos Povos na Rio+20:

Eixo 1: Causas estruturais e falsas soluções

Eixo 2: Nossas soluções

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